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Acervo Funcultura

Banda Devotos é tema de exposição no Mamam

"A arte é manifesto - 30 anos de Devotos" reúne cerca de 60 peças desenvolvidas pelo guitarrista Neilton para trabalhos da banda.

Eric Gomes

Eric Gomes

O guitarrista Neilton assina os projetos gráficos da banda Devotos desde 1989

Por Camila Estephania

Criada em 1988, a banda pernambucana Devotos sempre foi destaque também pelas artes gráficas dos seus trabalhos que despertavam a curiosidade do público. Integrante do grupo desde 1989, o guitarrista Neilton entrou para o trio apostando não só na música, mas também nas artes plásticas, encarregando-se de pintar camisas e desenhar as capas dos discos desde então. O sucesso de vendas das demos “Ao Vivo no Summer Fest”, de 1994, e “Vida de Ferreiro”, de 1995, cujas embalagens eram caixas quadradas com os desenhos de Neilton, é um exemplo de como o investimento estético da banda foi uma estratégia eficaz para rentabilizar a carreira do trio punk do Alto José do Pinho também formado por Cannibal e Celo Brown.

Grande parte desses artefatos criados por Neilton estarão reunidos em “A arte é um manifesto – 30 anos de Devotos”, que conta com cerca de 60 peças e é terceira exposição individual do artista. A mostra tem abertura nesta quarta-feira (9), às 19h, no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam), onde fica em cartaz até o dia 15 de julho, com apoio do Governo do Estado, através de incentivo do Funcultura. “Eu não tinha feito nenhum curso quando entrei na banda, até hoje não tenho nenhuma formação formal, mas convenci os meninos de que seria interessante pintar camisetas para vender e, nessa época, não era tão comum, porque era muito caro mandar fazer. Com as fitas demos, a gente também tentava fazer de uma forma que elas pudessem competir com os cds”, relembra Neilton, que até hoje segue a filosofia punk do “Do it yourself” (“faça você mesmo”, em português).

Eric Gomes

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A exposição conta com cerca de 60 peças que exploram diferentes técnicas, como a aquarela e bico de pena.

Termino me envolvendo em tudo que a música tem uma ramificação. Onde tiver brecha e não houver dinheiro, eu vou desenvolvendo. Acho que tudo que é feito de uma forma autodidata acaba sendo um diferencial, porque, por mais que você tenha uma referência, não há uma cartilha a ser seguida”, explica ele que também constrói os próprios instrumentos e desenvolve amplificadores com o Grupo de Pesquisa de Tecnologias Mortas, o Altovolts, do qual é um dos fundadores. A primeira guitarra montada por ele próprio também estará em exposição na ocasião, assim como outros instrumentos, tais como o primeiro contrabaixo de Canibal e primeira guitarra de Neilton, uma Sonic, da Giannini, do ano de 1987. “Eu tinha um sonho de ter uma Fender e uma Gibson, aí depois que eu realizei, eu as guardei e hoje só levo para o palco as guitarras que faço mesmo”, brinca ele.

Também integram a mostra, que ocupa dois andares do Mamam, backdrops com desenhos do artista que foram usados para ficar no fundo do palco durante os shows do grupo. Alguns deles foram desenvolvidos especialmente para as apresentações da banda, outros foram extraídos de telas que Neilton já havia preparado. “Em 1996, a Devotos conseguiu um contrato com a gravadora BMG. Então foi o momento de estrear a minha primeira capa de um CD. Fiz mais de 20 aquarelas para alguma ser escolhida para a capa. Foi aí que vi que meus desenhos e pinturas valiam alguma coisa. Alguém da direção artística da gravadora se interessou em comprar uma dessas aquarelas e terminei com boa parte delas vendidas! Depois dessa experiência, tive mais segurança para me aventurar no mundo das artes plásticas pra valer”, relembra sobre a ocasião de lançamento do disco “Agora tá valendo”.

Eric Gomes

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A exposição fica em cartaz entre 9 de maio e 15 de julho

Uma das aquarelas dessa remessa que não foi usada no álbum foi comprada pelo músico Dado Villa-Lobos, que foi um dos membros da Legião Urbana, e que cedeu a peça original para a exposição. Outros originais que foram criados durante o processo de concepção dos trabalhos do Devotos também estarão expostos, como desenhos em bico de pena que foram incluídos no design do disco “Flores com Espinhos para o Rei” (2006); um díptico em tinta acrílica realizado especialmente para o CD “Póstumos” (2012); e mais dois trabalhos em bico de pena integrantes do projeto gráfico do vinil “Victoria” (2010), que é o primeiro vinil da banda, lançado na França.

Entre quadros, cds, vinis, backdrops, camisetas e instrumentos, também haverá uma sala para a exibição de vários clipes da Devotos, além do documentário “Punk Rock Hardcore” (1995), de Adelina Pontual, Cláudio Assis e Marcelo Gomes. Além dos cartazes desenvolvidos por Neilton para as diversas fases da banda, também haverá espaço para pôsteres que não são de sua autoria, mas que retratam momentos simbólicos na carreira do grupo. “Essa exposição é uma das etapas da comemoração dos 30 anos do Devotos que vai culminar com o lançamento do disco novo no segundo semestre”, adiantou o guitarrista, que define a mostra como um balanço de tudo o que ele já fez ao lado da banda. Para contextualizar a importância social do trabalho promovido pelo trio do Alto José do Pinho, a mostra ainda conta com apresentação da historiadora Heloísa Buarque de Hollanda.

SERVIÇO
Exposição “A arte é um manifesto – 30 anos de Devotos”, de Neilton
Quando: abre nesta quarta (9) e fica em cartaz até o dia 15 de julho
Onde: Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam) (Rua da Aurora, 265)
Entrada Gratuita

 

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