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ARTES CÊNICAS

Atrizes pernambucanas encarnam clássico de Shakespeare

Rei Lear tem direção do carioca Moacir Chaves e traz no elenco Paula de Renor, Sandra Possani e Bruna Castiel

Considerada como uma das principais obras de William Shakespeare, a peça Rei Lear ganha sotaque nordestino pelas mãos das atrizes pernambucanas Paula de Renor, Sandra Possani e Bruna Castiel, que encenam em curta-temporada, a partir de sábado (22), o clássico da dramaturgia inglesa, no Teatro Apolo.

Com direção do premiado diretor carioca Moacir Chaves e produção da Remo Produções, o espetáculo, embora apresente dezenas de personagens, não foi adaptado, apenas recebeu cortes. Encenar Rei Lear significa refletir sobre o mundo moderno e contemporâneo. Conhecemos mais de nós mesmos quando mergulhamos em um material desse alcance e envergadura”, analisa Chaves. Na montagem, o monarca da Bretanha, ao chegar à velhice, se vê obrigado a dividir o seu reino entre as três filhas para garantir a sua sucessão. Segundo o teórico Jan Kott, o tema de Rei Lear é a decomposição e o declínio do mundo. “Dos doze principais personagens, metade é justa, a outra injusta. Uma metade de bons, uma metade de maus. A divisão é tão lógica e abstrata quanto numa peça de moralidade. Mas é uma peça de moralidade em que todos serão aniquilados: os nobres e os vis, os perseguidos e os perseguidores, os torturadores e os torturados”, escreve Kott no livro Shakespeare, nosso contemporâneo. “O texto foi escrito em 1606, mas trata de questões pertinentes aos dias de hoje: como se constroem as estruturas de poder, injustiças sociais, tratamento ao idoso e à mulher”, complementa Chaves.

Durante o espetáculo, os músicos Samuel Nóbrega e Tomás Brandão executam a trilha sonora ao vivo (Foto: Guga Melgar/Divulgação)

Além das atrizes, estão no palco os músicos Samuel Nóbrega e Tomás Brandão. Os dois executam ao vivo a trilha sonora criada especialmente para o espetáculo por Brandão e Miguel Mendes. Há uma tentativa de encontro entre a música eletrônica e a música popular, refletida, por exemplo, nas escolhas dos instrumentos: um sintetizador polifônico analógico e uma guitarra preparada. Os músicos adotam técnicas não convencionais que envolvem o uso de utensílios diversos nas cordas, interferências sonoras nos captadores e processamento digital e analógico do sinal produzido. Durante a encenação, Nóbrega e Brandão usam um aplicativo de smartphone chamado Garage Band, que permite a execução de ritmos em pads na tela, assim como a reprodução de faixas e o processamento do resultado geral com efeitos como reverb, eco e filtros.

Tanto a iluminação quanto o cenário são assinados por parceiros antigos de Moacir Chaves: Aurélio de Simoni e Fernando Mello da Costa, respectivamente. Já o figurino foi idealizado por Chris Garrido, que recentemente foi premiada pelo figurino do filme Tatuagem. O cenário é coberto por terra, onde placas com os nomes dos personagens são cravadas; ao fundo, colunas grandes de sustentação de biombos dão a ideia de torres gigantes de castelo. Nos biombos são colocados diversos figurinos de maracatu, cedidos pelo acervo do Maracatu Nação Pernambuco. O maracatu, associado às cerimônias de coração dos reis e rainhas do Congo, também tem rei e rainha, duque e duquesa, príncipe e princesa, assim como no universo europeu da Idade Média da história de Shakespeare.

A montagem, que estreou no Teatro Glauce Rocha, no Rio de Janeiro, onde também cumpriu curta temporada, foi viabilizada graças ao Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2013, e fica em cartaz até o dia 30/11, no Recife.

Serviço
Rei Lear
Estreia: 22/11 (sábado), às 20h
Temporada: Quintas e sextas-feiras, às 19h; sábados e domingos, às 20h. Até 30/11
Onde: Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)
Informações: (81) 3355-3320

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