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ARTES CÊNICAS

Coletivo Angu de Teatro encena ‘Ossos’ no Recife

Montagem é patrocinada pelo prêmio Myriam Muniz da FUNARTE e fica em cartaz de 11 a 26 de junho

Joanna Sultanum

Joanna Sultanum

Foram oito meses de trabalho sobre o texto de Marcelino Freire

com informações da Assessoria 

Uma história de amor, exílio e morte. Ossos narra a viagem do dramaturgo Heleno de Gusmão de volta a suas lembranças e origens, a pretexto de entregar os restos mortais do seu amante aos familiares. A montagem do Coletivo Angu de Teatro borra as fronteiras entre música, dança e representação, de 11 a 26 de junho, no Teatro Apolo.

Mediado por interferência de um coro de Urubus, os fatos são apresentados de modo não linear, embaralhando começo, meio e fim. Uma parte se desenrola num submundo paulistano, povoado por diferentes classes de retirantes nordestinos, e outra se dá na estrada que leva o escritor até Sertânia, no interior de Pernambuco.

É a primeira vez que o Coletivo interpreta um texto dramático. E este foi escrito por Marcelino Freire a pedidos do grupo que começou a carreira encenando o seu livro de contos Angu de Sangue. A montagem de Ossos é patrocinada pelo prêmio Myriam Muniz da FUNARTE – Ministério da Cultura – Governo Federal.

O Coletivo Angu de Teatro, desde seu nascimento, escolheu falar diretamente para a plateia, sem muitas voltas, sobre temas emergentes, sobre questões urgentes de nossa realidade e desta vez não poderia ser diferente. Com temática LGBT, Ossos mostra sem eufemismos o lado humano e sentimental de personagens ainda estigmatizados como a travesti e o garoto de programa.

O caráter político e a contundência de sua crítica social são marcantes nessa montagem, que se faz mais do que necessária nos dias de hoje. O texto revela as fraturas expostas de nossa sociedade transportadas para o palco sem panfletarismo.

Durante os oito meses de trabalho sobre o texto, a encenação foi pensada sob a ótica do personagem central: o dramaturgo Heleno de Gusmão. Sua perspectiva, sua concepção de mundo, norteiam a dramatização da subjetividade dos eventos, como fragmentos de memória, como cenas de um sonho, como presentificação de uma vida supra real. Ele aparece em cena ora falando diretamente para o público, ora mergulhando no reviver de suas lembranças. Isso nos permite instaurar na cena distorções da realidade e valorizar o caráter simbólico de coisas e pessoas.

Joanna Sultanum

Numa atmosfera de sonho e pesadelo, carregada de sombras, luz irreal, formas bizarras e distorções visuais, a peça busca alcançar o rompimento de categorias como tempo e espaço. No palco, a história dá pulos para a frente e para trás. A narrativa é fragmentada, quase como num processo cinematográfico, explorando cortes secos, sobreposições e fusões de cenas.

Marcelino, no próprio texto, faz muitas referencias à sétima arte. Não por outro motivo o espetáculo explora fortes traços expressionistas, remetendo ao Cinema Noir e aos Road Movies. Como afirmava Kurt Pinthus – um dos precursores do expressionismo alemão, o Teatro precisa deixar “o mundo do espírito atuar no mundo real”. O texto do autor pernambucano já traz isso como um dos componentes centrais da trama e nós destacamos ainda mais. O clima sombrio, permeado pela presença constante da morte se alterna com o humor e o colorido trazidos por personagens e situações surpreendentes.

OSSOS
De Marcelino Freire
Pelo Coletivo Angu de Teatro

Direção: Marcondes Lima
Trilha sonora original: Juliano Holanda

Estreia: 11 de junho, às 21h
Temporada: de 11 a 26 de junho
Sextas, às 20h – Sábados, às 18h e 21h – Domingos, às 19h
Onde: Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Ingressos: R$20,00 inteira / R$10,00 meia-entrada
Informações: 81 3355-3321
Classificação indicativa: 16 anos

Ficha Técnica

Texto: Marcelino Freire
Direção: Marcondes Lima
Direção de arte, cenários e figurinos: Marcondes Lima
Assistência de direção: Ceronha Pontes
Elenco: André Brasileiro, Arilson Lopes, Daniel Barros, Ivo Barreto, Marcondes Lima, Robério Lucado
Trilha sonora original – composição, arranjos e produção: Juliano Holanda
Criação de plano de luz: Jathyles Miranda
Preparação corporal: Arilson Lopes
Preparação de elenco: Ceronha Pontes, Arilson Lopes
Coreografia: Lilli Rocha e Paulo Henrique Ferreira
Coordenação de produção: Tadeu Gondim
Produção executiva: André Brasileiro, Fausto Paiva, Arquimedes Amaro, Gheuza Sena e Nínive Caldas
Designer gráfico: Dani Borel
Fotos divulgação: Joanna Sultanum
Visagismo: Jades Sales
Assessoria de imprensa: Rabixco Assessoria
Técnico de som Muzak – André Oliveira
Confecção de figurinos: Maria Lima
Confecção de cenário e elementos de cena: Flávio Santos, Jorge Batista de Oliveira.
Operador de som e luz: Fausto Paiva / Tadeu Gondim
Camareira: Irani Galdino

Sobre o Coletivo Angu de Teatro

O Coletivo Angu de Teatro foi criado em 2003, a partir do encontro dos atores André Brasileiro, Fábio Caio, Gheuza Sena, Hermila Guedes, Ivo Barreto e do encenador Marcondes Lima para a montagem do espetáculo Angu de Sangue. Hoje, 13 anos depois e com cinco espetáculos em repertório – Angu de Sangue, Ópera, Rasif – Mar que arrebenta, Essa febre que não passa e Ossos – o grupo já circulou por quase todo o Brasil e mantém seu trabalho continuado de pesquisa e hoje conta em sua formação além dos já citados (Com exceção de Fábio Caio, Márcia Cruz e Vavá Shon Paulino que deixaram o grupo mas não os nossos corações) com Arilson Lopes, Ceronha Pontes, Lilli Rocha, Nínive Caldas e Tadeu Gondim.

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