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ARTES CÊNICAS

DDDança une linguagens na mostra Fotografias Dançadas

Espaço Experimental, no Recife, acolhe ações de artistas nas sextas-feiras de abril

A mostra Fotografias dançadas, que será inaugurada nesta sexta-feira (8), no Espaço Experimental (Rua Tomazina, 199, 1º andar, Bairro do Recife – em frente à Igreja Madre de Deus), a partir das 18h, une as linguagens da dança e da fotografia em uma exposição que conta com imagens dos fotógrafos Hans von Manteuffel, Rogério Alves e André Nery. Na abertura, também acontecerão as performances A Dor de Pierrot, da dançarina Gardênia Coleto, e Custo, idealizada pelo dançarino Márcio Filho, e a ação Câmera Escura. Nas próximas sextas-feiras do mês de abril (15 e 22), o Espaço Experimental receberá portfólios diferentes de fotógrafos que inserem corpos dançantes em seus trabalhos, mas os encontros não deixarão de funcionar como um espaço de convivência entre artistas e público. Qualquer pessoa pode apresentar o seu trabalho fotográfico ou dançante no espaço às sextas-feiras. Para isso, basta preencher formulário de inscrição no blog. A mostra integra a programação do DDDança 2016.

Andre Nery

Andre Nery

Ensaio sobre corpo e a cidade, do fotógrafo André Nery, em parceria com o jornalista Mateus Araújo

“A proposta é constituir um ambiente transdisciplinar de interação entre a dança e a fotografia, chamando profissionais da fotografia a expor seus olhares sobre os corpos dançantes. Queremos que os artistas se coloquem nesse ambiente de experimentação e de improviso e que o público geral também se sinta estimulado a participar desse espaço. Será um lugar de convivência durante o mês de abril e trata-se de um lugar aberto a quem quiser chegar”, convida Mônica Lira, uma das coordenadoras do DDDança e diretora do Espaço Experimental. A fusão entre dança e fotografia se expressará, portanto, em ensaios que vão
mais além de uma mera documentação de espetáculos artísticos, como é o caso do trabalho do fotógrafo André Nery.

Criada com a parceria do jornalista Mateus Araújo, a série trata das interações e dos deslocamentos dos corpos no Recife. Nery fotografou a performance de seis bailarinos pernambucanos (Maria Paula Costa Rêgo, Hayla Cavalcanti, Jorge Kildery, Flávia Pinheiro, Anne Costa e Hulli Cavalcanti) em interação com espaços urbanos no Recife, a fim de trazer uma compreensão do corpo como sendo ele próprio uma representação dinâmica de experiências vividas nos diferentes ambientes de sua existência. Uma reflexão já tecida anteriormente pelos teóricos Fabiana Dutra Britto e Alejandro Ahmed, sob o conceito de “corpografia urbana”.

Rogério Alves

Rogério Alves

Momento do espetáculo ‘Pontilhados’, do Grupo Experimental, pela lente de Rogério Alvez

No mesmo dia, o fotógrafo Rogério Alves, que também é dançarino, expõe cerca de 40 imagens em que se vê uma espécie de mistura entre corpo que observa e que interage. “São trabalhos bastante recentes. Neles revelo uma linguagem própria quando trago imagens de corpos que dançam. Como sou bailarino, busco uma terceira posição, uma outra arte em que se vê planos mais fechados. Não são imagens tradicionais de documentação de dança, com planos abertos, por exemplo”, detalha Rogério. A história profissional de Rogério Alves é, por si só, uma mistura de dança e fotografia: antes de descobrir a dança, era fotógrafo, mas, mesmo depois que entrou na dança de salão, não chegou a abandonar completamente o trabalho com imagens. “Sempre fotografava nos intervalos dos ensaios”, conta Rogério.

O fotógrafo Hans von Manteuffel, que teve um envolvimento intenso com o cenário da dança no Recife há 10 anos, vai expor imagens de espetáculos de companhia como Carollemos Dançarte, Grupo Endança e Grupo Experimental. Nesses trabalhos, vê-se o olhar de alguém que se deleita com a documentação da dança. “Eu gosto de fotografar a dança e o teatro porque gosto de assistir esses espetáculos. Fotografo enquanto assisto”, narra Manteuffel.

Hans Manteufell

Hans von Manteufell

Registro de Hans von Manteufell do espetáculo ‘Pontilhados’ também integra a mostra

Além da mostra fotográfica, o encontro contará com a performance Dor de Pierrot: 80 aos pedaços, da dançarina Gardênia Coleto. A partir de registros do movimento artístico-político
ocorrido nos anos 1980 no Recife, a performance reconstroi um novo olhar sobre a obra Dor de Pierrot, criada em 1984 pelo bailarino Bernot Sanches. O trabalho apresenta reflexões sobre as repetições e transformações do profissional da dança no Recife – um dos temas mais caros a um mês que será dedicado às reflexões sobre o lugar da dança nas políticas públicas de cultura no Brasil. Já a performance Custo, que contará com os artistas Márcio Filho, Jorge Kildery, Marcela Felipe e Adelmo do Vale, problematiza o investimento do setor da dança ao criar uma situação em que os dançarinos só se mexem quando recebem moedas do público.

Durante a abertura, também estará acontecendo a ação Câmera Escura, em que fotógrafos documentam performances de dançarinos que não têm os próprios trabalhos registrados. “Será uma oportunidade interessante tanto para o público geral, que poderá entrar em contato com trabalhos de novos bailarinos da cidade, como para esses profissionais da dança em processo de formação artística, que terão imagens para os próprios portfólios”, explica Rogêrio Alves, que também está envolvido com a organização horizontal e colaborativa do DDDança.

OUTRAS AÇÕES DO DDDANÇA
Durante o mês, ainda será possível realizar trocas solidárias artísticas ou técnicas com profissionais da dança, em uma espécie de intercâmbio de experiências; expor trabalhos de videodanças, videoarte, vídeos e fotografias de dança; disponibilizar o próprio espaço para algumas das ações do DDDança (seja sala de ensaio, espaço cultural ou até a própria garagem); e participar de batalhas urbanas dedicadas ao breaking e a estilos semelhantes. Para isso, basta se inscrever no formulário que está disponível no blog do DDDança. Todas as ações são gratuitas.

Profissionais envolvidos artística e politicamente com a dança das 12 Regiões de Desenvolvimento (RDs) de Pernambuco podem se inscrever no site para participar das ações. O Governo do Estado vai garantir a vinda ao Recife de uma pessoa de cada RD, além de hospedagem e alimentação. A seleção será feita a partir da análise das cartas de intenção e dos currículos enviados.

DDDANÇA
O DDDança 2016 é uma teia de ações co-realizada pela classe artística, pelo Governo do Estado (Secult e Fundarpe), Funarte/MinC e voltada para a reflexão e o fortalecimento da dança em Pernambuco e no Brasil. São debates, aulas teóricas e práticas, apresentações artísticas, palestras, feira e intercâmbios a serem realizados em diversos locais do Estado, durante o mês de abril.

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