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ARTES CÊNICAS

Leitura dramatiza ‘Stupro’, por Augusta Ferraz, leva debate sobre tema à UPE Mata Norte

Montagem narra episódio infeliz sofrido pela escritora italiana Franca Rame, com interpretação intensa da atriz pernambucana

Costa Neto/Secult-PE

A atriz pernambucana Augusta Ferraz impactou uma plateia, formada em sua maioria por mulheres, com a leitura dramatizada ‘Stupro’, texto da escritora italiana Franca Rame. A apresentação foi realizada na noite desta sexta-feira (08/05), no Campus da UPE em Nazaré da Mata, e contou na sequência com um debate realizado entre a atriz e estudantes dos vários cursos da instituição sobre este problema social.

A narrativa descreve, num solo repleto de devoção cênica de Augusta Ferraz, o estupro sofrido pela própria Franca, cometido por cinco soldados do exército italiano em 1973. O cenário sombrio e a trilha sonora melancólica são os únicos instrumentos que dialogam com a interpretação intensa da atriz, que alterna entre a leitura em si do acontecimento e o envolvimento com a personagem e seu trauma.

Após a apresentação de ‘Stupro’, Augusta Ferraz iniciou uma discussão com os alunos descrevendo o caso de France Rame. Na época do crime, a escritora, que também era atriz e ativista contra o governo italiano, chegou a abrir um inquérito incriminando o exército italiano. No entanto, o governo italiano só reconheceu que de fato houve o crime recentemente, em 2013, 40 anos após o caso. “Dois meses depois desta sentença, Franca Rame morreu dormindo, com um enfarte fulminante. Imaginem o impacto que a situação teve na vida dessa mulher?”, questionou a atriz.

Marcus Fernandes/Secult-pE

Durante o debate, vários alunos pediram a voz e deram suas opiniões sobre o assunto. Uma das alunas na plateia disse que “se sentiu contemplada quando a diretora Maria Rita falou que criou essa peça pensando nas mulheres que saem em situação de risco de suas casas”. De acordo com a estudante, todos os dias a sua mãe e seu pai a esperam no ponto de ônibus, com o receio de que aconteça este crime. Durante a discussão, os papéis da educação dentro de família, na sociedade, na mídia e outros temas foram levantados pelos estudantes.

“Precisamos debater mais sobre este assunto, e neste sentido pretendo criar uma rede de discussão na internet. Hoje mesmo algumas alunas da UPE mostraram bastante interesse em participar deste debate. Me senti muito honrado pelo convite e foi muito importante essa experiência aqui na Mata Norte de Pernambuco”, revelou a atriz que este ano foi homenageada durante o Janeiro de Grandes Espetáculos, realizado em janeiro passado.

Diretora da montagem, a atriz Maria Rita Freire Costa explica que a leitura dramatizada foi pensada com um caráter preventivo. “É comum, depois de cada apresentação, que a gente converse com as pessoas sobre o assunto. Muitas mulheres saem da casa, tomam um ônibus, voltam pra cada tarde da noite, e isso é um situação de risco permanente. Foi uma preocupação nossa usar uma linguagem que chegasse a essa nova geração, como essa que estava na plateia”.

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