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ARTES CÊNICAS

Outras Palavras leva estudantes a uma sessão de ópera no Santa Isabel

Iniciativa realizada nesta terça (3) contou com a presença de alunos de oito escolas públicas de Pernambuco. A maioria nunca havia ido ao teatro antes

João Paulo Seixas/Divulgação

João Paulo Seixas/Divulgação

O espetáculo foi encenado por integrantes da Academia de Ópera e Repertório da UFPE, sob a direção artística e regência do maestro Wendell Kettle

Marcus Iglesias

Centenas de estudantes da rede pública de ensino de Pernambuco estiveram nesta terça-feira (4) no Teatro de Santa Isabel para assistir, pela primeira vez, a uma apresentação de ópera. Boa parte deles não conhecia ainda, nem de perto, o próprio teatro, um dos patrimônios e cartões-portais do Recife. Antes de começar O Contrato de Casamento, do italiano Gioacchino Rossini, mas encenado por integrantes da Academia de Ópera e Repertório da UFPE, sob a direção artística e regência do maestro Wendell Kettle, a tensão entre os jovens era nítida. Afinal, ópera ainda parece carregar um estereótipo como se fosse uma linguagem voltada a um público específico. E era exatamente essa lógica que a sessão buscava quebrar.

A iniciativa, uma ação do projeto Outras Palavras, realizado pela Secretaria de Cultura estadual e Fundarpe, teve o objetivo de aproximar a arte das origens populares, indo de encontro á ideia de que ópera é voltada apenas para uma classe social. A atividade contou com a participação de oito instituições de ensino da Região Metropolitana do Recife, que lotaram o Santa Isabel: EREM Ginásio Pernambucano, EREM Porto Digital, EREM Joaquim Nabuco, EREM Silzenando Silveira, EREM João Bezerra, EREM Aníbal Fernandes, ETEPAM e ETE Criatividade Musical.

João Paulo Seixas/Divulgação

João Paulo Seixas/Divulgação

Centenas de estudantes lotaram o Santa Isabel para conferir pela primeira vez uma apresentação de ópera

“A ópera é composta por várias linguagens artísticas, como as artes cênicas, as visuais e a música. A de hoje, O Contrato de Casamento, é uma história do compositor Gioacchino Rossini, do começo do século XIX, um grande artista que de deu inicio a grande escola romântica da ópera italiana. Estamos muito felizes em apresentar este espetáculo pra vocês, à nossa juventude, e esperamos que todos tenham um momento de fruição artística”, disse o maestro Wendell Kettle antes de iniciar a apresentação.

O regente ainda explicou ao público que a sessão teria uma experiência interessante e didática. “Como a ópera é cantada em italiano, foi colocado um telão na parte superior do teatro com legendas em português para que todos possam compreender melhor a história”.

João Paulo Seixas/Divulgação

João Paulo Seixas/Divulgação

Além da fruição artística, a apresentação – a primeira ópera do ano no Santa Isabel – teve também o objetivo de formar público para essa linguagem

Na trama, encenada em 16 cenas, o negociante canadense Slook viaja até a Inglaterra para conhecer a futura esposa, encomendada para Tobias Milque por meio de uma carta e uma nota promissória. As confusões começam quando os criados de Tobias Milque contam a sua filha Fanny que ela será oferecida como esposa. Só que a jovem está apaixonada por Edward Milford. O casal resolve ameaçar Slook para desistir da negociação.

O Contrato de Casamento foi a primeira ópera de Rossini, feita quando o compositor tinha apenas 18 anos. “Escolhemos essa ópera porque ela é muito boa para se trabalhar a questão da formação de púbico, por ser uma história leve. A gente queria uma produção que servisse tanto para atender à demanda educacional do Outras Palavras, como a retomada da tradição operista no Recife”, explica o regente Wendell Kettle. Quem assina a direção cênica da apresentação é Rose Mary Martins, professora do Departamento de Teoria do Teatro CAC/UFPE.

A estudante Camille Vieira, do EREM João Bezerra, se mostrou surpresa com a atividade. A princípio, revelou ter ido mais pela curiosidade em conhecer o teatro e pela diversão do passeio do que pelo interesse propriamente dito em ópera. Mas gostou muito do que viu, e promete levar essa sensação pra seus amigos e familiares. “Fiquei sabendo que teve uma sessão gratuita de noite, e muita gente deixa de ir achando que vai ser algo chato. Eu gostei muito, principalmente da música e dos figurinos, e foi tudo muito engraçado. Vou chamar minha mãe pra vir comigo na próxima vez”, revelou.

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