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ARTES CÊNICAS

Peça sobre Frei Caneca conta a história de Pernambuco a alunos da rede pública

Apresentação de 'O Suplício de Frei Caneca' na última sexta (1º) foi uma ação da Fundarpe em comemoração ao bicentenário da Revolução Pernambucana

João Paulo Seixas/Secult-PE

João Paulo Seixas/Secult-PE

Escrita por Cláudio Aguiar e com direção de José Francisco Filho, a peça pincela de forma precisa um recorte na biografia do carmelita

Marcus Iglesias

O legado deixado pelo revolucionário Frei Caneca é de fundamental importância para quem quer entender a história de Pernambuco. Em tempos de crescente difusão da intolerância, conhecer a fundo o movimento de contestação ao autoritarismo defendido pelo religioso é um alento na construção de uma consciência política mais justa na sociedade. Essa é a proposta do espetáculo O Suplício de Frei Caneca, que numa parceria com a Fundarpe – através do Outras Palavras – foi realizada na última sexta-feira (1º/09), na Igreja Santa Tereza D’Avila da Ordem Terceira do Carmo, para um público formado por dezenas de estudantes de sete escolas públicas do Recife.

Escrita por Cláudio Aguiar e com direção de José Francisco Filho, a peça pincela de forma precisa um recorte na biografia do carmelita, focando no período entre sua ordenação até sua sentença de morte. Alguns episódios citadas na montagem são, por exemplo, quando Joaquim do Amor Divino Rabelo ficou preso na Bahia por sua participação na Revolução Pernambucana de 1817, ou como ele recebeu o processo de outorga da Constituição de 1824, iniciado pelo Imperador Dom Pedro I, que resultou na Confederação do Equador (1824). O espetáculo é repleto de discursos de Frei Caneca, que inspirado pela Revolução Francesa pregava ideias revolucionárias como a mudança no regime monárquico e a independência do Brasil.

João Paulo Seixas/Secult-PE

João Paulo Seixas/Secult-PE

O ator Buarque de Aquino retorna ao teatro pernambucano com o papel de protagonista

A encenação conta com a atuação do renomado ator Buarque de Aquino, que retorna ao teatro pernambucano com o papel de protagonista, além de uma equipe formada por mais de 20 pessoas, entre artistas e técnicos. A trilha é executada ao vivo por Júlio César Brito e Matheus Marques, e alguns poemas de Frei Caneca foram musicados, como o que diz “Quem passa a vida que eu passo / Não deve a morte temer / Com a morte não se assusta / Quem está sempre a morrer”, um dos momentos mais emocionantes da apresentação.

Para o diretor José Francisco Filho, os jovens que assistiram ao espetáculo são privilegiadas pela oportunidade. “Temos aqui no estado milhares de jovens que precisam saber da história deste que é um mártir da Revolução Pernambucana. Uma figura que foi importante para o Brasil talvez mais que o próprio Tiradentes, tão cultuado nos livros de história”, opinou.

João Paulo Seixas/Secult-PE

João Paulo Seixas/Secult-PE

Participaram da sessão estudantes de sete escolas da rede pública estadual que ficam na Região Metropolitana do Recife

O Suplício de Frei Caneca foi produzido nos últimos seis meses quando três produtores se envolveram a finco na pesquisa e criação. “Mas fazer isso só foi possível porque conseguimos um patrocínio da Copergás. Estamos agora em busca de captação de recursos através da Lei Rouanet porque a peça é um projeto grande e queremos construir uma temporada com ela”, revelou Manoel Constantino, um dos produtores da montagem. Ainda dentro da parceria com a Fundarpe, o espetáculo segue para o Engenho Massangana, no próximo dia 23 de setembro.

Eurico Jorge, professor de filosofia e sociologia do EREM Joaquim Nabuco, uma das escolas que participou da sessão, acredita que conhecer Frei Caneca é fundamental para entender outros momentos da história que repetem os mesmos modelos de exclusão que aconteceram naquele período. “Se quisermos cobrar das pessoas procedimentos éticos e uma vida justa, temos que sair da religiosidade fechada de só a agradecer a Deus e perceber que esse agradecimento começa quando nos preocupamos com o nosso semelhante. Creio que foi essa a mensagem que Frei Caneca quis passar, que não é um discurso propriamente religioso, e sim político, apesar de em momento algum ele negar sua religiosidade. Muito pelo contrário, foi ela quem o levou a uma militância numa sociedade mais justa”, comentou o professor, que revela que pretende na escola provocar os alunos a fazer um debate sobre o assunto.

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