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ARTES CÊNICAS

Pequena e pianinho, Flaira se agiganta em “Cordões umbilicais”

Em sua estreia como cantora, a artista lança seu primeiro CD solo, nesta sexta (23), no Teatro de Santa Isabel, dentro da programação do 21º Janeiro de Grandes Espetáculos

Silvia Machado/Divulgação

 por Leonardo Vila Nova

O que você vai ser quando crescer? Atriz, cantora ou dançarina?”. Para a artista Flaira Ferro, essa é uma pergunta que pode soar curiosa. Uma “brincante” pode ser a resposta, uma vez que todas essas formas de expressão artística agora encontram vazão em seu trabalho. Porém, é o lado cantora e compositora que desabrocha com mais firmeza neste momento e que vem a público de forma mais clara. A pergunta está na oitava faixa de Cordões umbilicais, seu primeiro disco solo. Flaira lança o álbum no Recife, nesta sexta (23), às 21h, no Teatro de Santa Isabel. O show faz parte da programação do Janeiro de Grandes Espetáculos e contará com diversas participações: Maestro Spok, Lucas dos Prazeres, Ylana Queiroga, Caio Lima, Isadora Melo e Allison Lima são os convidados da jovem artista.

Uma obra de afeto, feita por muitas mãos”. É assim que Flaira define Cordões umbilicais, no encarte do disco. Um trabalho onde ela se desnuda em canções confessionais, expõe questionamentos, dúvidas, defeitos, buscas, esperanças, gratidões… sem nenhum pudor. São 11 faixas que retratam o mais íntimo de suas verdades, mas que trazem, entranhadas nela, um pouco (ou um tanto) de cada pessoa que fez/faz parte de sua vida: família, amigos, amores, mestres… uma grande aldeia dentro de si. Esses “cordões umbilicais” que a ligam a várias pessoas através do afeto, e que a alimentam de vida e inspiração cotidiana, pra se debruçar sobre suas questões pessoais. “O disco leva meu nome porque as letras são minhas, porque foi um impulso que nasceu aqui, mas se não fosse cada uma dessas pessoas que caminharam comigo, com certeza, esse disco não teria saído, não teria existido, de jeito nenhum”. Dez faixas são assinadas por Flaira (solo ou em parceria). Já a última, a bonus track Filhos, é um poema do pai, que, numa brincadeira de improviso, se tornou música, gravada num celular, com as vozes dele e da sua mãe.

Silvia Machado/Divulgação

Cordões Umbilicais é, também, resultado de um reencontro consigo mesma, de algo que ela trazia cristalizado há anos. Conhecida pela sua trajetória como bailarina – em especial, de frevo –, Flaira sempre trouxe dentro de si um lado musical. Estudou violão e teclado quando criança, e sua primeira composição, “O dom”, foi feita quanto tinha apenas 8 anos. No entanto, foi a dança que lhe pegou de jeito e a fez consolidar uma trajetória bastante sólida, mergulhando no universo da cultura popular e das possibilidades de expressão do corpo a serviço dessa linguagem. No entanto, de uns tempos pra cá, ela foi recebendo alguns sinais de que era possível e interessante “soltar a voz”, apresentar ao mundo suas canções. Para isso, foi preciso, de fato, “várias mãos” que a impulsionassem nessa direção.

Um ex-namorado, músico, foi quem lhe deu a primeira dica, alertando-a para a qualidade das canções que compunha. Mas o “start” veio em 2012, quando foi morar em São Paulo, para integrar a Antonio Nóbrega CIA de Dança, de Antonio Nóbrega e Rosane Almeida. Lá, durante o processo de criação dos espetáculos Amado e Húmus, teve aulas de teatro, dança e música. E foi aí que ela sentiu que a música poderia ser mais um ambiente de expressão para a sua persona artística. Essa pulsão precisava, então, ganhar terreno.

No entanto, a decisão de cantar e gravar um disco lhe exigiu coragem. “O cantar veio de um lugar de autoconhecimento, pois eu sempre guardei muitos medos na minha garganta, a voz era um tabu pra mim, um lugar de muita exposição, que me desmascara”, confessa Flaira. Mas ela encarou o desafio e, junto aos músicos Leonardo Gorosito e Alencar Martins, resolveu desbravar a si mesma. Num trabalho totalmente independente, que durou cerca de dois anos – entre seleção de repertório, arranjo e gravação de disco –, eles foram maturando e gestando o que viria desaguar em Cordões umbilicais, sua estreia como cantora.

O álbum está disponível para download, na página de Flaira. Clique AQUI.

SHOW
Mas não era apenas gravar um disco. Seria necessário lançá-lo, fazê-lo chegar aos ouvidos e corações do público. Cordões umbilicais teve um pré-lançamento, em São Paulo, em outubro do ano passado, que resultou em dois vídeos, disponíveis no youtube. O lançamento oficial será, de fato, no show desta sexta. “Não tinha como não ser no Recife. Minha história foi toda construída aqui, muitas das pessoas que amo estão aqui, foi aqui que aprendi a fazer o que sei hoje”, conta Flaira. O fato de estrear no Teatro de Santa Isabel, templo das artes cênicas do Recife, faz emergir em Flaira um misto de ansiedade e, mais uma vez (como parece ser de sua natureza), coragem diante do desafios. “A minha ficha ainda está caindo (risos), mas eu sei que isso vai acontecer porque fui eu que quis, fui eu quem busquei, por querer muito viver esse momento. E é o que eu vou fazer”.

Em palco, a dimensão da sua voz, muito bem desenhada no disco, ganha contornos cênicos ainda mais interessantes, uma vez que se tornam extensão do que é dito em cada uma das letras. Gestos, olhares, movimentos corporais também tecem ainda mais sentidos a partir do que é dito nas canções, quando dialogam com o que sai através da sua voz. “Eu entendo a minha voz como um instrumento totalmente ligado ao meu corpo. É algo orgânico. Além disso, eu não sou escritora ou poeta. Eu escrevo, gosto de dançar e de cantar. O jeito que eu me expresso no palco tem muito a ver com minhas experiências, com o que eu busco, com meu olhar sobre as coisas. Em mim, tem um misto de muita raiva e muita gratidão, de muito caos e muita paz. E o palco é o lugar onde eu me permito viver isso, sem me reprimir, sem me tolher, onde dou vazão aos monstros e às coisas boas que no dia a dia procura-se ter mais cuidado”, revela.

Estarão presentes no repertório do show as onze faixas do disco, além de uma música instrumental. E para dar mais sentido a esse trabalho de cunho tão íntimo, mas volteado por diversas pessoas, Maestro Spok, Lucas dos Prazeres, Ylana Queiroga, Caio Lima, Isadora Melo e Allison Lima foram convidados e vão dividir o palco do Santa Isabel com Flaira.

SERVIÇO
Cordões umbilicais, com Flaira Ferro (show de lançamento do CD)
Sexta (23), às 21h
Teatro de Santa Isabel – Praça da República, s/n, Santo Antônio – Recife/PE
R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia entrada).

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