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ARTES CÊNICAS

‘Soledad’ comemora um ano nos palcos de Pernambuco

Peça que aborda trajetória de militante paraguaia faz apresentações nesta quarta e quinta, no Recife

Resultado da compreensão do papel da arte como instrumento de resistência e reinvenção humana, mas também diante da atual e conturbada conjuntura política do país, o Grupo Cria do Palco, responsável pela montagem do espetáculo Soledad – a terra é fogo sob nosso pés, decidiu comemorar o primeiro aniversário da obra no palco. A peça volta ao Teatro Hermilo Borba Filho, onde estreou e fez sua primeira temporada. Serão realizadas duas únicas apresentações, sempre às 20h, nos dias 31/08 e 01/09. No primeiro dia, após a encenação, ex-prisioneiros políticos, militantes da época e pessoas que contribuíram com o processo de montagem serão homenageadas. Na ocasião, também serão comemorados os 37 anos da anistia brasileira.

Rick Rodrigues/Divulgação

Rick Rodrigues/Divulgação

Ex-presos políticos e colaboradores do espetáculos serão homenageados após a apresentação

O enredo da peça aborda a história da militante paraguaia Soledad Barrett Viedma, que nasceu em 1945. Seus pais e irmãos mais velhos já eram militantes e dedicavam quase que integralmente suas vidas à luta. Sua história é desenhada em meio aos embates sócio/políticos de sua família. Os exílios políticos faziam parte da sua vida desde muito nova. Antes dos 12 anos foi do Paraguai à Argentina. Em seguida, voltou ao Paraguai e ainda criança começou a levar recados de sua mãe aos dirigentes comunistas. Posteriormente foi mais uma vez foi exilada, dessa vez para o Uruguai. Aos 17 anos, com toda a família finalmente reunida é sequestrada por um grupo de neonazistas, que gravam a suástica em suas pernas. Logo depois do episódio, segue para a Rússia, onde estudou teorias comunistas, e em 1967 vai para Cuba, treinar para a luta armada. É quando se casa com o ex-marinheiro brasileiro, José Maria Ferreira de Araújo, com quem teve uma filha, Nasaindy Barrett de Araújo. Em meados de 1970, José Maria retorna ao Brasil e no mesmo ano é entregue, preso e torturado até a morte. Cerca de dois anos depois, em meio a uma missão no Brasil, Soledad também foi entregue, junto a outros cinco militantes, pelo seu então “companheiro”, o infiltrado da Polícia, Cabo Anselmo. Ela estava grávida dele.

De acordo com Malú Bazan, diretora do espetáculo, “o trabalho partiu da inquietação e do desejo da atriz Hilda Torres em contar essa história”. Desde o inicio, “o projeto contou com a ajuda de muitas pessoas: ex-prisioneiros políticos, militantes da época que tiveram contato com Soledad, ou não, além de parentes e compatriotas paraguaios, também recebeu o apoio de militantes contemporâneos, que entenderam a relevância do projeto como contribuição importante para diversas lutas sociais, como as de gênero, direitos humanos e a do entendimento da arte como instrumento de formação e empoderamento sociopolítico e cultural”.

Para Hilda Torres, “falar sobre Soledad é traçar um caminho de poesia onde a dor e a alegria estão juntas, seguindo em marcha para erguer ideais libertadores”. A atriz complementa: “falar sobre ‘Sol’ é falar de um pedaço de todos nós, que nos impulsiona diariamente a enfrentar, resistir, sem nunca abrir mão do brilho nos olhos ao imaginar um mundo melhor, com direitos iguais para todos e todas, na compreensão das nossas diferenças”.

SERVIÇO:

Soledad – A terra é fogo sob nossos pés | Apresentações comemorativas
Quando: Dias 31/08 e 01/09 (sempre às 20h)
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho – Cais Apolo, s/n , Bairro do Recife
Contato: (81) 3355.3321
Quanto: R$ 30,00 e R$15,00
Duração: 1h10
Classificação: 14 anos

FICHA TÉCNICA:

Dramaturgia: Hilda Torres e Malú Bazán
Atuação: Hilda Torres
Direção: Malú Bazán
Cenário e figurino: Malú Bazán
Desenho de luz: Eron Villar
Direção musical: Lucas Notaro
Produção geral: Márcio Santos
Produção executiva: Renato Barros
Realização: Cria do Palco
Fotografias: Rick de Eça

 

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