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ARTES CÊNICAS

Teatro Fernando Santa Cruz no Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa em Olinda

A noite de reabertura, nesta terça-feira (22), às 19h30, será marcada ainda pelo lançamento do Edital de Ocupação do Teatro e anúncio do Festival Fernando Santa Cruz de Artes Cênicas para setembro de 2020, mês que marca a lei da anistia

Rick Rodrigues/Divulgação

Rick Rodrigues/Divulgação

O espetáculo Soledad, estrelado por Hilda Torres, marca a reabertura oficial do equipamento cultural

O Governo do Estado de Pernambuco reabre o Teatro Fernando Santa Cruz nesta terça-feira, às 19h30, no Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa, porta de entrada do Sítio Histórico de Olinda. A noite marca ainda o lançamento do primeiro Edital de Ocupação do Teatro – para a programação até o mês de janeiro – e o lançamento do Festival Fernando Santa Cruz de Artes Cênicas, que terá sua primeira edição em setembro do próximo ano (em 2020), em referência a lei da anistia no Brasil.

No palco, cinco espetáculos pernambucanos que permeiam e recontam a história do período da ditadura militar no Brasil; além de lembrar os 40 anos da anistia discutindo política, liberdade e a importância da democracia. O teatro recebeu o nome em homenagem a Fernando Santa Cruz, desaparecido político pelo regime nos anos 70. E que, apenas recentemente, em 29 de julho de 2019, reconhecido morto pelo Estado sob o regime militar.

ABERTURA – Marcando a reabertura do teatro, o monólogo Soledad, de Hilda Torres, sob a direção de Malú Bázan. O espetáculo, que terá sua apresentação no dia 22 de outubro, às 19h30, conta a história de vida da militante paraguaia Soledad Barret, assassinada em Pernambuco durante o regime militar. É a primeira vez que será encenado com novo figurino, assinado por Malu Bázan e a execução de Lana Lacet e Marta Canuto. Soledad faz um paralelo entre a luta política na ditadura e o atual retrato da política do País. O monólogo venceu a categoria Espetáculo Solo do 1º Prêmio Roberto de França (Pernalonga) de Teatro da Secult/ Fundarpe, que aconteceu em 2018.

A programação de espetáculos segue nos finais de semana 1ºe 2; e 8 e 9 de novembro, sempre às 20h. No dia 1º, o teatro recebe a estreia de Antes que Desapareça, espetáculo de dança do Grupo Experimental, dirigido por Monica Lira.

Dia 2, será a vez de Retratos de Chumbo, com texto e encenação de Oséas Borba Neto, Grupo de Teatro João Teimoso. O roteiro é baseado na pesquisa de histórias de mulheres que lutaram, foram torturadas e mortas no período da ditadura militar. Relatos de dores, medos, angústias, cicatrizes e revoltas pela insensatez de comandantes e comandados nos anos de chumbo.

Para fechar a programação, o coletivo Grão Comum com duas peças que fazem parte do projeto trilogia vermelha: pa(IDEIA) e pro(FÉ)ta serão apresentados nos dias 8 e 9 de novembro, às 20h.

O primeiro trata sobre a prisão e o interrogatório do professor Paulo Freire, em 1964, sobre o Brasil de hoje e as contradições da velha educação como temas centrais da obra. Política, dialética e amor para atingir a libertação através das ideias. O espectador será permanentemente colocado a ocupar/desocupar, agir/reagir, silenciar/falar a cada novo avanço da História.

O espetáculo estreou em 2016 e foi indicado para seis prêmios, ganhando o troféu APACEPE/2017 nas categorias Iluminação, Trilha Sonora e Ator Coadjuvante. No festival Abril para o Teatro ganhou os prêmios de Melhor Espetáculo, Direção e Ator Coadjuvante.

Já no espetáculo pro(FÉ)ta, a encenação começa com a notícia do sequestro e assassinato do padre Henrique em 1969, recordando o martírio dos corpos mortos pela Ditadura. A peça mobiliza um cortejo, conduzindo os espectadores rumo ao sepultamento do santo corpo, denunciando a violência que nos aflige ainda hoje, que é ferida aberta, injusta e desumana. O padre D. Helder, incansável defensor dos direitos humanos, faz soar fortemente o sino das igrejas velhas de Pernambuco, perguntando: quem tem medo da História?

O Teatro Fernando Santa Cruz faz parte do Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa, equipamento localizado no Sítio Histórico Olinda, é gerido pela Diretoria de Promoção do Artesanato e da Economia Criativa; da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper), ligada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Governo do Estado.

“Para que não se esqueça. Para que nunca mais aconteça. Essa frase diz muito do nosso sentimento em reabrir um teatro que leva o nome de Fernando Santo Cruz, um pernambucano que simboliza a resistência contra a ditadura no nosso País. Estamos celebrando 40 anos da anistia. E esse espaço é um importante reforço para que a história não se repita. A iniciativa do Governo do Estado reforça a importância que damos e entendemos da cultura como ferramenta indispensável para o desenvolvimento econômico e social do estado. A abertura desse espaço, dentro de um equipamento público, é uma forma de resistência e manutenção dessa cultura que é marca pernambucana; além de ser um espaço importante para a tradição artística de Olinda”, afirma Márcia Souto, diretora de Promoção do Artesanato e da Economia Criativa da AD Diper, gestora do equipamento.

“É muito importante ter mais uma casa de teatro para o estado de Pernambuco. Sobretudo na cidade de Olinda, que é uma cidade que já nos alimenta tanto com seu berço cultural. Dessa forma a gente já garante a força para a produção artística da região“, diz a atriz Hilda Torres, responsável pelo monólogo de abertura, Soledad.

“A inauguração do novo teatro Fernando Santa Cruz é de grande importância para o desenvolvimento da atividade cultural e para o resgate da memória, verdade e justiça de quem empresta seu nome, preso político assassinado sob torturas pela ditadura civil militar em 23/02/1974”, diz Marcelo Santa Cruz, irmão de Fernando, ex. vereador de Olinda, membro da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife, Vice Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/PÉ e da Coordenação do Comitê Memória, Verdade e Justiça de Pernambuco.

Programação
22 de outubro (terça-feira), às 19h30
Espetáculo de Abertura
Soledad – Hilda Torres
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA – 14 ANOS

1º de novembro (sexta-feira), às 20h
Antes que Desapareça – Grupo experimental – direção de Mônica Lira
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA – 18 ANOS

2 de novembro (sábado), às 20h
Retratos de Chumbo – Grupo de Teatro João Teimoso
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA – 18 ANOS

8 de novembro (sexta-feira), às 20h
Pa(IDEIA) – Coletivo Grão Comum
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA – LIVRE

9 de novembro (sábado), às 20h
Pro(FÉ)ta – Coletivo Grão Comum
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA – 16 ANOS

FERNANDO SANTA CRUZ - Filho de Lincoln Santa Cruz e Elzita Santos de Santa Cruz Oliveira, Fernando Augusto de Oliveira Santa Cruz nasceu no dia 20 de fevereiro de 1948 em Pernambuco. Aos 16, vendo a ditadura se instalar no País, torna-se atuante dos movimentos populares e membro da ação popular.

Aos 26 anos, e com um filho de dois anos, é sequestrado. A busca de sua família ganhou força, e ele se tornou um dos símbolos de resistência contra a ditadura e da busca pela verdade. Seu caso ganhou comoção social, e foi investigado por dezenas de anos pela Comissão da Verdade. Apenas em julho deste ano, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, vinculada ao governo brasileiro, emitiu uma retificação do seu atestado de óbito e reconheceu o falecimento “em razão de morte não natural, violenta, causada pelo Estado Brasileiro”. Fernando Santa Cruz foi reconhecido como desaparecido político no ato de publicação da Lei 9.140, de 04 de dezembro de 1995, em seu Anexo I.”.

Com a divulgação do relatório, realizado pela comissão da verdade, o arquivo nacional contém atualmente mais de 330 registros de documentos que citam o nome do militante. Entre os arquivos de pedidos de justiça e respostas feitos pela sua mãe, dezenas de arquivos sigilosos produzidos por órgãos brasileiros no período ditatorial.

Um dos registros oficiais, feito 4 anos após o desaparecimento de Fernando, data sua prisão no dia 22 de Fevereiro de 1974, no Rio de Janeiro. O registro foi escrito após o militante entrar para a lista de desaparecidos elaborada pelo comitê da anistia.

Após sua história de luta, Fernando seguiu sendo homenageado por meio da luta popular. No dia 23 de fevereiro de 1984 a Câmara Municipal de Olinda aprovou a alteração do Teatro do Mercado Popular do Varadouro (atual Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa) para Teatro Fernando Santa Cruz, o espaço também foi palco para o ato público de passagem dos 15 anos do seu desaparecimento.

MERCADO EUFRÁSIO BARBOSA - De propriedade da Prefeitura de Olinda, e sob a gestão do Governo Estadual é gerido pela Diretoria de Promoção do Artesanato e da Economia Criativa da AD Diper, o Mercado Eufrásio Barbosa é um espaço multicultural composto por espaços para exposições, salas de oficinas e formação, Museu do Mamulengo, Teatro com capacidade para mais de 100 pessoas, livraria da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), loja do Centro de Artesanato de Pernambuco, Jardim e 22 boxes.

Desde sua reabertura, o Mercado Eufrásio Barbosa já recebeu 4 exposições: Pinturas – de Tânia Carneiro Leão, Exposição Bajado a Exposição Olhares Pioneiros e Olinda a Cidade dos Artistas que está em exibição atualmente.

Além disso, o Centro Cultural também se tornou um espaço de formação, recebendo o curso de maquiagem e cabelo afro, realizado pelo “Fortalece Talentos” da Secretaria de Emprego, Trabalho e Qualificação do Governo do Estado e se preparando para inaugurar a sala de artes visuais, que terá O Artista Plástico Antônio Mendes ministrando a “Oficina de Arte: Desenho de Observação” gratuitamente para 20 interessados.

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