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Artes Visuais e Fotografia

Exposição “Retrato: substantivo feminino” comemora aniversário do decreto da Lei Maria da Penha

A exposição reúne fotos de 25 mulheres de diferentes tradições populares

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Há sete anos, no dia 7/8, foi decretada a lei que aumenta o rigor das punições às agressões contra a mulher ocorridas no âmbito doméstico. Para comemorar a data, a exposição “Retrato: substantivo feminino” será aberta nesta quarta (7/8), às 17h, e seguirá até 7 de outubro na Galeria de Arte do Centro de Artesanato de Pernambuco, no Bairro do Recife.

A mostra realizada pela Secult-PE/Fundarpe, Ministério Público de Pernambuco e Terreiro Produções reúne fotos de 25 mulheres, de 12 a 95 anos, ligadas às tradições do cavalo marinho (PE), do reinado (MG) e do btuque de umbigada (SP).

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O projeto, idealizado pelas artistas visuais Laura Tamiana e Tatiana Devos Gentile foi feito a partir de três residências artísticas junto às mulheres ligadas às tradições culturais. “O ponto de partida do trabalho é o encontro, um encontro de olhares, de histórias, de percepções, de tempos. O retrato é proposto como processo lento e cuidadoso de fabricação de um olhar, de uma subjetividade. Retrato como forma de contar uma história”, explica Tatiana.

A primeira residência foi realizada em 2009 em Condado, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, com mulheres do entorno do Cavalo Marinho, tradição característica da região e predominantemente masculina. A segunda residência aconteceu em 2010 no bairro Concórdia, em Belo Horizonte, com mulheres do Reinado, integrantes da Guarda de Congo e Moçambique de Nossa Senhora do Rosário Treze de Maio e da Guarda de Congo de Nossa Senhora do Rosário São Jorge. A terceira residência aconteceu este ano, nas cidades de Piracicaba e Capivari, em São Paulo, com mulheres do Batuque de Umbigada.

As artistas propuseram que as mulheres realizassem os retratos em foto e vídeo a partir da ideia de uma “caixinha pessoal”, aquela caixinha onde se guardam as coisas mais preciosas, um objeto da infância, uma carta, um retrato. Durante as residências artísticas, por meio de motes como “1 amor em 3 imagens” e “3 partes do corpo”, cada integrante foi compondo sua “caixinha”, feita daquilo que é mais precioso para si, só que na forma de fotos e vídeos.

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Interessou à Laura e Tatiana descobrir e revelar como mulheres de diferentes universos e de diferentes gerações se ligam por fios comuns, costurados cuidadosamente a partir de possíveis encontros.“A partir do encontro no coletivo – que é também a base das tradições populares –, a feitura dos retratos propõe olhares, recortes sobre as individualidades. E é a partir das individualidades reveladas que se pode chegar novamente ao coletivo, pelo fio que desenha um possível substantivo ‘feminino’,” diz Laura Tamiana. As tradições foram a porta de entrada, mas o projeto tem como foco principal as histórias de vida dessas mulheres. Permitir que cada uma delas possa, a partir do encontro com as demais, revelar sua própria história é um dos diferenciais do trabalho.

Para a realização de cada residência, Tatiana e Laura se deslocaram de suas localidades (Rio e Recife, respectivamente) e residiram durante três meses onde estava o grupo de cerca de 10 mulheres convidadas a participarem do projeto; ao final do período, o material produzido naquela residência foí exibido na localidade em forma de intervenção urbana. Além disso, as artistas também propuseram uma troca de correspondência em vídeo entre as mulheres de uma e de outra localidade. Este material, incluindo as fotos das exibições, compõe o acervo do projeto, que vem sendo exibido pelas artistas nos formatos de intervenção urbana e exposição.

A exposição que estará por dois meses na cidade é composta por uma seleção mais ampla do acervo do projeto, trazendo fotografias em diferentes suportes (monóculos, tecido, impressões); vídeo-retratos de cada integrante, exibidos em um dispositivo em forma de “caixinha”, para visualização individual; correspondências em vídeo trocadas pelas integrantes de um local a outro do país; e intervenções sonoras criadas pelo músico pernambucano Helder Vasconcelos, a partir dos sons gravados durante as residências.

A programação desta quarta (7/8) começa às 15h30, em solenidade com participação da Procuradoria Geral de Justiça, Roberta Jardim, Juíza de Direito com atuação nas I e II Varas de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher da Comarca da Capital e das artistas Laura Tamiana e Tatiana Devos Gentile, que apresentarão o projeto “Retrato: substantivo feminino”. A abertura da exposição será às 17h e contará com a presença de quatro integrantes do grupo de Condado e com apresentação musical de Alessandra Leão, Hélder Vasconcelos e Nice Teles (de Condado).

Serviço:
Exposição “Retrato: substantivo feminino”
Onde: Galeria de Arte – Centro de Artesanato de Pernambuco (Avenida Alfredo Lisboa, Armazém 11, Bairro do Recife)
Quando: Segundas, das 14h às 20h | Terça a Domingo, das 11h às 19h
Abertura quarta-feira, 7 de agosto, às 17h
Informações: 3184-3090
Entrada franca

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