Pular a navegação e ir direto para o conteúdo

O que você procura?
Newsletter

Artes Visuais e Fotografia

Mostra “João Câmara: trajetória e obra de um artista brasileiro” entra em cartaz no MEPE

A exposição sera inaugurada nesta quinta-feira (18), às 19h30

Andréa Rêgo Barro/Divulgação

Andréa Rêgo Barro/Divulgação

O projeto expográfico apresenta um conjunto representativo das obras do artista

O Museu do Estado de Pernambuco (MEPE) inaugura nesta quinta-feira (18), às 19h30, a exposição “João Câmara: trajetória e obra de um artista brasileiro”. A mostra, que fica em cartaz até o dia 29 de setembro no equipamento cultural, oferece ao público o contato com um conjunto representativo das pesquisas visuais desenvolvidas pelo artista por meio de um vigoroso conjunto de pinturas em grande formato.

Fomentador e articulador do circuito artístico nordestino, Câmara tinha apenas 18 anos quando realizou sua primeira exposição individual no XI Salão do Estado de Pernambuco (1962), em Recife. O artista frequentou o curso livre da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Pernambuco (1960). Em 1962, o jovem artista montou seu primeiro ateliê juntamente com Hélio Feijó. Um ano depois, cursou xilogravura com o Henrique Oswald, sob orientação de Emanoel Araujo na Escola de Belas Artes de Salvador. É também no ano de 1963 que participou da exposição Artistas do Nordeste, com curadoria de Lina Bo Bardi. João Câmara teve uma participação importante na reinstalação da Sociedade de Arte Moderna de Recife (SAMR) e ainda na instalação da Galeria de Arte e do Atelier Coletivo do Mercado da Ribeira (1964) e do Atelier 10 (1966), também em Olinda, além da Oficina Guaianases de Gravura, em Recife (1974).

A presença de Câmara dentro do circuito nordestino também se deu por meio da crítica de arte, escrevendo para dois jornais consagrados: na coluna “Arte e outras”, entre o período de 1966 a 1969, e no Diário de Pernambuco e de 1966 a 1967, onde manteve uma coluna no Jornal do Commércio de Pernambuco. Em 1965, durante a ditadura, teve uma de suas obras confiscadas pela polícia política, sob alegação de “ofensa à Religião, aos costumes, à Revolução e às entidades democráticas”. Na década de 1970 realizou diversas exposições individuais em galerias do Rio de Janeiro tais como Bonino, Ipanema e Degrau.

A trajetória do artista se destaca desde suas primeiras participações, onde foi agraciado com o 1º prêmio de pintura e o 2º de desenho, no Salão Universitário de Belo Horizonte e ainda o 1º prêmio de pintura, no Salão de Pernambuco (ambos em 1962). Câmara teve uma sala Especial na I Bienal da Bahia, Salvador, obtendo prêmio de aquisição (1966). Recebeu a comenda da Ordem do Rio Branco – Grau de Oficial (1987). Foi agraciado com a Ordem do Mérito Cultural da Presidência da República do Brasil, Grau de Comendador (1991).

Além do Prêmio Clarival do Prado Valladares (2004). O conjunto de sua obra inclui três séries temáticas: Cenas da Vida Brasileira (10 pinturas e 100 litografias), Dez Casos de Amor e uma Pintura de Câmara (diversas litografias, um tríptico, 10 pinturas, 70 gravuras, 22 montagens e 3 objetos) e Duas Cidades (38 pinturas e 18 objetos). Para além das três séries, compõe, desde os anos 60, um grande repertório de obras não seriadas.

A obra de João Câmara tem suscitado ensaios críticos em diversos momentos de sua trajetória. Para Almerinda da Silva Lopes, “O artista coloca-se como narradorreinventor de fatos e situações vividos, sentidos, conhecidos e imaginados. Com total liberdade, transita por diferentes meandros da história política, da arte e da mitologia, revitalizando referências e imagens que pareciam soterradas nos porões de nossa memória. Submete-os e transforma-os pela ação de sua imaginação, experiência e intenção, em novos códigos visuais e em linguagem artística. Ao transformar imagens e acontecimentos, procura inseri-los numa outra realidade, onde espaço e tempo cronológico, passado e presente, verdade e invenção não se colocam como opostos, mas são fundidos ou passam a significar grandezas de uma mesma ordem. Assim, uma das práticas mais comuns detectadas na ação camariana é a de recorrer ao passado para dialogar e questionar o presente, rompendo com a ideia de tempo.” É sem dúvida uma arte densa e desestabilizadora a que surge a partir da gestualidade de João Câmara, e essa arte será exposta em sua grandiosidade.

O projeto João Câmara: Trajetória e Obra de um artista brasileiro prevê como desdobramentos, a produção de um catálogo que incluirá, também, registros da exposição e um encontro com o artista moderado por um crítico de arte, aberto ao público em geral. Esse encontro acontecerá em São Paulo e no Recife, no período de cada uma das exposições. Para mediar os conteúdos expositivos junto aos visitantes, a equipe de educadores do Museu Afro Brasil construirá roteiros específicos, adequados aos diferentes segmentos de público e faixas de idade e, no Museu do Estado de Pernambuco uma equipe de educadores será especialmente contratada, para a mesma finalidade.

Serviço
Exposição João Câmara: trajetória e obra de um artista brasileiro
Quando: quinta-feira (18), às 19h30.
Onde: Museu do Estado de Pernambuco – MEPE  (Av. Rui Barbosa, 960 – Graças, Recife)
Visitação: A mostra fica em cartaz até o dia 29 de setembro, de terça a sexta-feira, das 9h às 17h; sábados e domingos, das 14h às 17h.

< voltar para home