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Artes Visuais e Fotografia

Mostra reúne obras de 11 mulheres na Amparo 60

Exposição "A noite não adormecerá" ficará em cartaz na galeria Amparo 60 até o dia 21 de abril. Sob a curadoria de Julya Vasconcelos, a mostra conta com obras de Juliana Lapa, Amanda Melo da Mota, Alice Vinagre, Gio Simões, Clara Moreira, Regina Parra, Virgínia de Medeiros, Marie Carangi, Regina Galindo, Juliana Notari e Maré de Matos.

Reprodução

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“Resignação”, de Gio Simões, é um dos quadros que integram a exposição “A noite não adormecerá”.

Camila Estephania

Fruto de um grande processo colaborativo entre mulheres, a exposição “A noite não adormecerá” abre na galeria Amparo 60, nesta quinta-feira, às 18h, e fica em cartaz até o dia 21 de abril para evidenciar o trabalho feminino no cenário artístico pernambucano. Sob a curadoria da jornalista Julya Vasconcelos, a mostra reúne 15 obras de 11 artistas mulheres que exploram diferentes temas e usam técnicas e suportes distintos para se expressar, como o grafite, pintura, vídeo-arte e instalação. A abertura também contará com uma performance inédita de Marie Carangi, às 19h.

Com obras de Juliana Lapa, Amanda Melo da Mota, Alice Vinagre, Gio Simões, Clara Moreira, Regina Parra, Virgínia de Medeiros, Marie Carangi, Regina Galindo, Juliana Notari e Maré de Matos, engana-se quem pensa que se trata de uma exposição sobre o feminino. “Eu vejo a exposição como o jorrar de um discurso de corpos, territórios e subjetividades reduzidas e subjugadas por séculos. Existe uma certa imposição, por parte das artistas, de uma fala que parte de um lugar de potência e não da domesticação do feminino”, explica Julya, sobre a ideia de sedimentar e ampliar os espaços de atuação da mulher. A proposta busca responder a pergunta da galerista Lúcia Costa Santos que, ao observar a discreta presença feminina nos vernissages da Amparo 60, se indagou: “onde estão nossas artistas mulheres?”

Ao entrar em contato com algumas das artistas, a galerista recebeu como indicação o nome de Julya para a curadoria. “Foi um grande privilégio poder começar dentro de um grupo exclusivamente de mulheres e podendo debater todas as questões que a gente tentou levantar na construção dessa exposição. Além disso, também houve um processo dialógico riquíssimo para mim que resultou numa sensação de colaboratividade permanente. A gente estava sempre em diálogo e isso foi vital para a construção dessa exposição”, comenta Julya, que tem mestrado em História das Artes Visuais, sobre sua primeira experiência como curadora.

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A mostra conta com obras que exploram diferentes técnicas e suportes, como a instalação “Manter-se aterrorizada” de Regina Parra.

O nome que dá título à mostra, também surgiu através das conversas entre Julya e as artistas, que extraíram o nome do poema “A noite não adormece nos olhos das mulheres”, de Conceição Evaristo, reforçando a ideia de emergência de se falar dessa produção que, apesar atravessar assuntos diferentes, também guarda semelhanças entre si. “Acho que todas as obras selecionadas para essa exposição tem como característica certa aspereza de um discurso. É como ela se abrisse na marra um espaço de fala e como se falasse com muito consciência de um lugar resguardado para elas”, observa Julya, sobre os trabalhos que transitam pela violência, anarquia, crítica política e pelos mergulhos subjetivos.

“A construção de um grupo jovem não foi algo deliberado, mas acho que representa em alguma medida um processo geracional. Tem a ver com essa urgência de um crescimento mais massivo do movimento feminista e de como as artistas mais jovens vem se conectando cada vez mais cedo com a desconstrução dos papeis de gênero, escapando do que é compulsório. Falando de uma forma mais quantitativa, porque também temos artistas mulheres importantíssimas de outras gerações que colocam isso na mesa de forma incrível, como Alice Vinagre, que também está na mostra, é da geração de 1980 e já passou por várias fases, mas o trabalho que ela apresenta hoje é super forte nesse sentido também”, lembra ela.

Apesar do grupo contar majoritariamente com artistas pernambucanas, também foram convidadas mulheres de fora do Estado, como Regina Parra (SP) e Virgínia de Medeiros (BA), e de fora do País, como Regina Galindo, da Guatemala. “Era importante colocar estes trabalhos em diálogo com produções de artistas que partem de outras geografias”, comentou a curadora, alertando para uma emergência que vai além dos nossos limites territoriais.

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