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AUDIOVISUAL

Bate-papo reúne Magdale Alves e realizadores de “Amor, plástico e barulho”

Por: Leo Vila Nova

Costa Neto

Teve início, nesta terça (5), a série de bate-papos com realizadores e convidados, no 7º Festival de Cinema de Triunfo. A proposta é reunir, todas as manhãs, até o próximo sábado (9), aqueles que participaram das mostras no dia anterior. Neste primeiro encontro, participaram a homenageada do festival, a atriz Magdale Alves, além de Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira, roteiristas e ela também diretora do longa “Amor, plástico e barulho”.

Magdale abriu a conversa, contando um pouco da sua relação com o cinema e de sua inserção no universo fílmico, quando, em 1988, pelas mãos de Paulo Caldas, participou do curta “O chá”, interpretando a mítica monga (uma personagem de circo, a mulher que se transforma em macaco). Daí, 10 anos depois, veio “Conceição!, de Heitor Dália, também um curta. “O cinema sempre me encantou muito, sempre quis fazer filmes”, contou a pernambucana. Magdale também falou sobre as diferenças de se trabalhar em teatro, cinema e TV. “Todas três têm em comum o fato de trabalharem a arte da interpretação, mas elas são distintas entre si. Transitar por essas três vertentes exige muita disciplina, amor e muita ralação”, afirmou a atriz, que começou no teatro, em 1980, e, de lá pra cá, já participou de mais 30 espetáculos, dezenas de filmes (pernambucanos, nacionais e um longa estrangeiro, ainda a ser lançado), duas minisséries de TV e uma telenovela.

Na sequência, Renata Pinheiro (diretora e roteirista) e Sérgio Oliveira (roteirista), ambos de “Amor, plástico e barulho” contaram sobre como foi o processo de feitura do filme, que foi exibido ontem, na noite de abertura do 7º Festival de Cinema de Triunfo, dentro da Mostra competitiva de longa-metragem. Renata destacou “Esse filme tem um olhar muito forte para os personagens, que são pessoas que sonham e desejam sair do anonimato. Eu quis fazer um filme que humanizasse o máximo possível esses personagens”. Para isso, não somente as falas foram priorizadas ao longo do filme, mas toda a estrutura visual e cênica, como as letras das músicas, as danças, os elementos que remetem à cidade do Recife e a realidade em que estão inseridas estas personagens. “Há momentos em que a mise-èn-scene acaba construindo a narrativa do filme”.

Além disso, o aspecto político e ideológico do filme, que traz o movimento brega à tona como a realidade cultural de uma determinada parcela da sociedade, que quer ser reconhecida. “Muitas vezes não sabemos o que se passa no shows business desse universo, e temos uma visão estereotipada. No filme há um olhar sobre a atualidade. Por mais que não se goste de brega, é a realidade dessa população, e como o capitalismo selvagem ganha com tudo isso”, explicou. Sérgio Oliveira, também roteirista do filme, comparou o brega ao punk. “O brega é também muito subversivo e punk, no sentido ‘do it yourself”, do cara compor sua música, gravar no mesmo dia, num buraco qualquer, no outro dia já estar vendendo os discos nas carrocinhas”, lembrou. Chegando à conclusão de que o brega é “acessível a todos os públicos”, a dupla fez compreender o alcance de “Amor, plástico e barulho” como um retrato da atualidade do Recife, com todos os seus sonhos e melancolias.

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