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AUDIOVISUAL

Cinema São Luiz exibe sessão especial do filme “VOLTA, eu te amo!”

O filme será exibido gratuitamente nesta segunda-feira (18), às 19h30

Fernando Cunha Jr./Divulgação

Fernando Cunha Jr./Divulgação

No filme, história de Daniel e Amanda se mistura aos de outros casais que enfrentam o mesmo dilema de um relacionamento à distância

Bruno Souza

Finalista do Festival Internacional do Audiovisual 2016,  o  filme VOLTA, eu te amo! será exibido numa sessão especial no Cinema São Luiz, na próxima segunda-feira (18), às 19h30. Com acesso gratuito e aberta ao público, a sessão contará com a presença dos produtores Aguinaldo Flor, Taciana Sherlock e Fernando Cunha, responsáveis pela película, que conta a história do casal Daniel (Daniel Dias da Silva), um fotógrafo pernambucano, e Amanda (Marília Davascio), uma fotógrafa carioca, que se encontram em um dilema: levar ou não um relacionamento à distância. “A história dos dois protagonistas é contada em meio a histórias reais, documentadas por pessoas que vivem ou viveram dilemas semelhantes e com finais emocionantes”, adianta o diretor Aguinado Flor em entrevista exclusiva ao Portal Cultura.PE. Confira abaixo o texto na íntegra:

Dinho Faber/Divulgação

Dinho Faber/Divulgação

O diretor Aguinaldo Flor

1- O filme é um misto de documentário e ficção? Como surgiu a ideia de rodá-lo?
Isso mesmo. Trata-se de um doc-ficção que conta com nove histórias reais de casais que vivem ou viveram relacionamentos à distância. A ideia de produzi-lo surgiu após um curso de formação em documentário, que fiz no Rio de Janeiro. Como trabalho de conclusão, rodamos um documentário com a direção-geral de Ana Rieper e direção coletiva dos alunos, na Cruzada São Sebastião, uma comunidade no Leblon (RJ). Depois desta produção, senti a necessidade de produzir algum documentário independente. Numa noite, sonhei que estava produzindo uma ficção contando a história de um casal de fotógrafos que moravam em cidades diferentes. Uni, então, a ideia de produzir um documentário com o sonho, e roteirizei um doc-ficção, tendo como tema central as relações à distância. Falei desse sonho para o meu sócio, Fernando Cunha Jr., que topou a missão de produzir o ‘VOLTA’, junto com a minha colega de turma de curso, Taciana Sherlock. Formamos uma parceria e, a partir dessa comunhão, o filme foi produzido. Ah, esse mesmo sonho se tornou a primeira cena do ‘VOLTA’.

2- Fala um pouco sobre os protagonistas do filme, Daniel e Amanda, interpretados pelos atores Daniel Dias da Silva (CE) e Marília Davascio (PR). Além deles, você comentou anteriormente que há histórias reais de pessoas que enfrentam os mesmos dilemas de um amor longínquo. Como você chegou a essas histórias e como elas se misturam ao enredo?
Daniel, pernambucano, e Amanda, carioca, formam um casal de fotógrafos que se conheceram em um congresso no Rio de Janeiro. Um ano depois de namoro à distância, Daniel pede Amanda em casamento e resolve morar no Rio de Janeiro. Porém, após um período morando juntos, ele consegue um edital em Pernambuco para realizar um projeto de foto-documentário, que sempre quis realizar e nunca teve recursos financeiros para executá-lo. Com seus projetos acadêmicos na capital carioca, ela não pode mudar de cidade, então, ambos decidem morar em cidades separadas. Nesse período de afastamento compulsório, Amanda visita o marido no Recife e deixa de presente um álbum de fotografias com recordações de um dia especial para o casal. E é aí, a partir dessas imagens, que entram os relatos de outros casais. A ideia original era ter no máximo quatro histórias reais para montar um curta-metragem, mas ao fazermos uma postagem no Facebook, sem grandes pretensões, obtivemos um retorno grande, ao ponto de dobrarmos o número de histórias e dizer para outros casais que, em outro momento, o projeto iria retornar para fazer uma segunda temporada de entrevistas.

Como disse antes, na parte documental, tem nove histórias reais contadas por 15 pessoas que, durante as filmagens, um não assistia o depoimento do seu respectivo parceiro. Dessa forma, temos histórias iguais contadas por pessoas diferentes. Em relação à trama, a estrutura do filme é montada como se fossem atos, cada personagem conta um pedacinho de sua história, como se fosse um capítulo de sua vida: como se conheceram, as dificuldades de se viver à distância, a decisão de casar, de separar, etc. Assim temos uma “história” construída por várias outras.

3- Mesmo em tempos de relações líquidas, como diria o Zygmunt Bauman, o amor (ou a distância que o permeia) é a mola propulsora da película. Vale ainda investir em histórias românticas no cinema?
Costumo dizer que os grandes conflitos no mundo são ocasionados por não priorizarmos o amor ao próximo. Isso pode soar clichê, mas, mesmo vivendo em clãs, grupos, sociedades, quando não se tem a presença do amor em sua rotina, o indivíduo não se sente completo. ‘VOLTA, eu te amo!’, como documentário, cumpre com seu papel social de mostrar que toda forma de amor vale a pena. São 40 minutos de cenas de carinho, de dor, de ansiedade, de momentos engraçadinhos… Durante as exibições do filme, ficamos extremamente satisfeitos com a reação das pessoas perguntando se o projeto iria continuar, pois queriam dar seus depoimentos também. Isto é, a nossa experiência comprova que, seja no cinema ou na vida real, vale a pena amar. 

4- O filme conta com algum edital de incentivo? Quais são os desafios de realizar uma produção independente em nosso país?
O filme é totalmente independente, não conta com edital incentivo ou financiamento coletivo. Todo o recurso financeiro necessário para a produção saiu do bolso dos três produtores do filme (eu, Aguinaldo Flor, Taciana Sherlock e Fernando Cunha). Realizar uma produção independente no Brasil, por si só, é um grande desafio, pois, por mais que você encontre uma equipe que aposte em seu projeto, a produção cinematográfica tem toda uma pós-produção, que necessita de uma dedicação especial para finalizar o filme. Costumo dizer que ser um realizador que não tem uma pegada tão comercial torna tudo ainda mais difícil, mas acredito no cinema de guerrilha.

5- Esse é seu primeiro filme? Conta um pouco da sua trajetória no mercado audiovisual.
É o meu primeiro filme independente. Após o ‘VOLTA’, roteirizei e codirigi o curta ‘O Som do Surto’, durante o Festival 72Horas Rio, além de roteirizar e dirigir o curta ‘As Cores das Estações’. Atualmente, tenho desenvolvido uma pesquisa audiovisual relacionada ao processo criativo no teatro. Em 2016, criei a produtora pernambucana zero8onze, com foco em produção audiovisual e fotografia. Fora isso, estou cheio de projetos: coproduzindo, junto à Ponto de Equilíbrio, um documentário sobre a história do ator Paulo César Pereio; produzindo um documentário histórico-religioso; e na fase de pré-produção de um piloto para uma série original, que prefiro manter em segredo por enquanto.

6- Como tem sido a receptividade do público com o filme? Há pretensão de inscrevê-lo em festivais?
Nós o exibimos no Festival Internacional do Audiovisual 2016 e fizemos um lançamento no Rio de Janeiro, e o feedback dos espectadores é bastante positivo. Estamos com uma fila de espera de casais aguardando uma nova temporada de entrevistas. A nossa ideia é criarmos uma série do ‘VOLTA’, pois as nove histórias são narrativas redondas e cheias de nuances que, junto aos novos depoimentos que temos em mente para captar, rendem uma segunda temporada. Após, o lançamento no Cinema São Luiz, iremos focar nossos esforços em inscrever nos festivais nacionais e internacionais.

Assista o teaser do VOLTA, eu te amo!:

Serviço
Sessão especial do filme “VOLTA, eu te amo!”
Quando: segunda-feira (18), às 19h30
Onde: Cinema São Luiz (Rua da Aurora 175, Boa Vista, Recife – PE)
Quanto: Acesso gratuito

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