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AUDIOVISUAL

Fortalecer o cineclubismo é pauta prioritária do 18º FestCine

Encontro estadual reúne ativistas de diversos municípios até o sábado (3/12)

Jan Ribeiro/Fundarpe

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4º Encontro de Cineclubes de Pernambuco durante o 18º FestCine

Começou nesta sexta-feira (2) e segue até o sábado (3) um encontro essencial para o fortalecimento da cadeia do audiovisual. O 4º Encontro de Cineclubes de Pernambuco é uma realização do FestCine em parceria com a Federação Pernambucana de Cineclubes e está envolvendo agentes de diversos municípios do estado em debates sobre temas importantes, como difusão audiovisual, acessibilidade e direito humano à comunicação.

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Amanda Ramos e Rogério Bezerra da FEPEC, deram as boas-vindas aos participantes

Coube aos dirigentes da FEPEC dar as boas-vindas aos participantes, ressaltando “a alegria pela realização do rico momento de trocas e diálogos frutíferos, que fortalecem o movimento cineclubista no estado, marcado pela resistência”, como expressou Amanda Ramos. A primeira mesa de discussões reuniu gestores públicos, programadores, cineclubistas, pesquisadores e produtores culturais em um debate marcado pelo compartilhamento de informações acerca do funcionamento atual de alguns cineclubes e também pela apresentação do Grupo de Trabalho Cinema de Rua. O momento foi mediado por Geraldo Pinho, programador do Cinema São Luiz: “o cineclubismo é resistência, foi por meio dele que adquiri cultura cinematográfica, foi minha base de formação”, contou.

Jan Ribeiro/Fundarpe

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Geraldo Pinho mediou o debate de abertura

A pesquisadora Kate Saraiva, do Grupo Cine Rua PE, trouxe dados históricos sobre os cinemas de rua no Recife, objeto de sua pesquisa na graduação que virou recentemente uma publicação incentivada pelo Funcultura. “O livro e momentos como este têm contribuído para trazer à tona um debate que ficou por muito tempo esquecido, nesse processo de perda desses espaços públicos ou de uso público, a cidade tem perdido bastante”, afirmou, em alusão à transformação dos antigos cinemas em lojas, igrejas e supermercados. Apontando para a necessária aproximação entre os cineclubistas e as salas que ainda resistem, William Tenório (Cineclube Alternativo São José/Afogados da Ingazeira) e Elaine Una (Cineclube Casa Farol / Ocupe Cine Olinda) conversaram sobre o trabalho que desenvolvem e os desafios atuais para manutenção das atividades.

Jan Ribeiro/Fundarpe

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Elaine Una falou sobre as atividades do Cineclube Casa Farol, em Olinda

“Há três anos temos atuado no Amaro Branco na perspectiva da transformação comunitária a partir de um eixo central de identificação, que é a questão étnico- racial, trabalhada de maneira transversal. Na perspectiva da comunidade se identificar com as ações, a gente tem realizado sessões antes da Sambada do Pneu, que sempre acontece no último sábado do mês, então, criamos esse gancho para estimular o diálogo entre o cineclube e o espaço de cultura já reconhecido”, explicou Eliane. Assim como outros coletivos e realizadores audiovisuais, o Cineclube Casa Farol também se faz presente na ocupação do Cine Olinda. “Dentro da pedagogia do cineclubismo, temos exibido filmes independentes, estimulado conversas com os realizadores, mantendo o cinema aberto e em funcionamento. Queremos que as pessoas que moram no Amaro Branco, por exemplo, não apenas frequentem, mas se vejam na tela do Cine Olinda”, complementou Elaine.

Jan Ribeiro/Fundarpe

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A produtora Mariana Jacob, da Inquieta Cine

O gargalo da distribuição dos filmes para iniciativas de formação em audiovisual também foi debatido no encontro, a partir da intervenção da produtora Mariana Jacob, da Inquieta Cine: “É uma luta permanente que travamos para ampliar a visibilidade das obras, contribuir para a formação de plateia, que é algo fundamental. Alguns produtores buscam a Inquieta como opção de distribuição acessível e de diálogo, mas também há aqueles filmes com os quais a gente se envolve por interesse com a temática, que é algo que importa muito nesse circuito alternativo”.

GT Cinema de Rua

Como estratégia para traçar caminhos e dar respostas às muitas demandas de fomento, difusão e formação em audiovisual no estado, foi criado em abril de 2016 o Grupo de Trabalho Cinema de Rua. Os objetivos e os trabalhos até aqui realizados pela instância que reúne gestores públicos, programadores e representantes da Secult-PE, do SESC, do Movimento Cine Rua, da Fundarpe, do Conselho Consultivo do Audiovisual e da Fundaj foram apresentados pela Secretária Executiva Estadual de Cultura, Silvana Meireles. “Nosso horizonte é estruturar e instituir uma rede de cinemas de rua de Pernambuco, retomando esses espaços como locais de reflexão, formação, cidadania e encontro entre as pessoas”, destacou Silvana, que também trouxe dados sobre o atual cenário do parque exibidor no estado. “De acordo com um boletim da Ancine de 2015, Pernambuco tem hoje 88 salas de exibição, a grande maioria em shoppings e alinhada aos ditames da indústria cinematográfica”, apontou.

Jan Ribeiro/Fundarpe

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A Secretária Executiva Estadual de Cultura Silvana Meireles apresentou dados e o trabalho do GT Cinema de Rua

Entre os objetivos do GT Cinema de Rua, destaque para a revitalização, digitalização e oferta de suporte técnico aos cinemas de rua públicos de Pernambuco, assim como a criação de linhas de financiamento específicas para fomentar o uso das salas. “Nesse sentido, a aliança com os cineclubes é estratégica, essencial, precisamos pensar um modelo de gestão desses equipamentos que agregue práticas de formação, sem as quais não conseguiremos consolidar um circuito de rua”, destacou a secretária.

Apesar do pouco tempo de funcionamento, o GT já colhe alguns bons resultados, como o mapeamento de cinemas de rua do estado; encontro com gestores municipais de cinemas de rua e masterclass com o arquiteto especialista em salas de cinema Osvaldo Emery; visitas técnicas aos cines Apolo, Olinda e Samuel Campelo (Jaboatão); além da elaboração do projeto de digitalização das salas. Na lista dos próximos passos, está fortalecer ainda mais o canal de interlocução com cineclubes; criar associações dos amigos dos cinemas de rua; implementar capacitações para gestores e programadores dos equipamentos; estabelecer parcerias com novas instituições e dar seguimento às visitas técnicas.

Programação

O 4º Encontro de Cineclubes é aberto a todos os interessados e segue neste sábado com a programação abaixo. Participe!

Local: Hotel Barramares (Orla de Piedade/Jaboatão dos Guararapes)

9h -10h30: Mesa 04: Cineclubismo, Educação e Democratização do Acesso
Participantes: Yanara Galvão (Fepec/ Diretoria de Formação do Conselho Nacional de Cineclubes), Mariana Porto (Escola Engenho/ Inventar com A diferença), Alexandre Soares (Cineclube Taquary / Curta Taquary / Criancine) e Fabiana Maria (coordenadora pedagógica do Cineclube Bamako).
Mediação: Socorro Lacerda (Secult/PE)

10h30 – 12h:  Mesa 05: Cineclubes e sustentabilidade -  As Políticas Públicas para o setor e ações de financiamento colaborativo
Participantes: Milena Evangelista (Secult/PE), Walter Andrade (Cineclube Avalovara), Gabriel Muniz (Diretoria Fepec / Cineclube Bamako)
Mediação: Taciana Portela (Secult/PE)

14h-18h: Assembleia Geral da FEPEC

Jan Ribeiro/Fundarpe

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Debates abertos ao público continuam no sábado (3/12)

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