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AUDIOVISUAL

Hilton Lacerda dá aula de cinema em Triunfo

Em meio às atribuições de jurado e aos preparativos de seu novo trabalho, que será filmado na cidade, o cineasta ministrou a primeira master class da história do festival

Por Tiago Montenegro

Roteirista de diversos filmes pernambucanos, como Baile Perfumado, Árido Movie e Febre do Rato, e ainda diretor dos premiados Cartola – Música para os Olhos e o mais recente Tatuagem, o cineasta Hilton Lacerda compartilhou experiências e conversou sobre seu processo criativo com o público do 8º Festival de Cinema de Triunfo.

A primeira master class da história do festival aconteceu na sexta-feira, 7 de agosto, e atraiu para o Cine Theatro Guarany os habituais espectadores do evento e, ainda, realizadores de diversos estados brasileiros participantes das mostras competitivas.

Costa Neto/Secult-PE

Costa Neto/Secult-PE

Cineasta conversou com realizadores e o público do festival

Informal, próximo do público e ilustrando sua fala com trechos de filmes, Hilton foi narrando sua trajetória e destacando aspectos pertinentes à sua produção artística “para o outro” e também “para o próprio olhar”. Lembrando a atuação como roteirista em filmes dirigidos por Lírio Ferreira ou Cláudio Assis, Hilton falou da “importância de construir uma relação de cumplicidade com o diretor”, já que sua escrita necessita de um nível de “invasão” muito grande. “Sempre precisei ver o que estava escrevendo, daí acabo entrando em um grau até exagerado de detalhismo, de ângulo, de giro de câmeras… não é ordem para o diretor, é uma cumplicidade mesmo que se dá a partir dos roteiros”, explicou.

Generoso, Hilton não relutou em dividir detalhes de sua formação cinematográfica, aspectos e pensamento muito caros à força criativa que empreende em cada novo trabalho: “Penso: que linguagem cinematográfica está sendo feita? Que política do olhar? Quando me chamam para escrever um roteiro, a sinopse e o argumento não me seduzem de imediato, preciso problematizar a narrativa. Preciso entender onde tô colocando aquela história… que texturas, cores, que cheiros existem ali?”.

Essa pulsão criativa levou Hilton ao encontro de seu Tatuagem. O filme, já visto por mais de 50 mil pessoas no Brasil e que contabiliza dezenas de prêmios em festivais nacionais e internacionais, parte das muitas inquietações e convicções cinematográficas, estéticas e políticas de Hilton. “Tatuagem começava com uma provocação, um inconformismo que precisava caber dentro de um filme. Fui articulando, tentando achar onde aquela angústia cabia, localizar que história daria conta do que queria falar ao fazer cinema e de que forma as minhas experiências entrariam na narrativa”.

Costa Neto/Secult-PE

Costa Neto/Secult-PE

Master Class aconteceu no Cine Theatro Guarany

A paixão pelos personagens que cria, “não pelo caráter deles”; e um exercício de “corrupção do olhar”, que dê conta de ambientes à margem da sociedade, como enredos ambientados na periferia das cidades, também foram apresentados como importantes aspectos do processo criativo do cineasta.

Preocupado com a ainda pouca visibilidade para este tipo de cinema, Hilton sugeriu “um segundo passo no processo de corrupção no olhar dos realizadores, que tem a ver com um trabalho de guerrilha para que os filmes sejam vistos, gerem reflexão. Precisamos dar uma resposta, as portas dos cinemas não vão se abrir pra gente, algo mais eficiente precisa ser feito, que amplie a formação do público, o provoque para recebermos algo de volta”, finalizou.

Mergulho em Triunfo

A master class de Hilton foi uma das muitas ‘tarefas’ que o cineasta assumiu durante o período do 8º Festival de Cinema de Triunfo. Além de integrar o júri oficial de longa-metragem e participar ativamente de diversos bate-papos com os realizadores concorrentes, Hilton ainda encontrou tempo para avançar nos preparativos de seu novo trabalho, a série para a TV Conto que Vejo, que será filmada na cidade. “Triunfo reúne características interessantes para esta produção, tanto geograficamente, como pela infraestrutura que já existe”, destacou Hilton. “A ambição desse momento é ocupar um espaço na cidade tão grande como o que o festival de cinema criou, queremos que a gravação cause um impacto na cidade, nas pessoas, fortaleça a opinião crítica. Abriu-se uma janela aqui em Triunfo que precisamos manter aberta, então, essa escolha de filmar aqui também é parte dessa estratégia”.

As filmagens de Conto Que Vejo devem começar já no fim do mês de setembro. Desenvolvido pela REC Produtores, a série televisiva conta com o incentivo do Funcultura e parte de quatro contos criados pelos escritores nordestinos Sidney Rocha, Ronaldo Correia de Brito, Hermilo Borba Filho e José Carlos Viana; e ainda um último, escrito pelo próprio Hilton, intitulado ‘Fim do Mundo’, espécie de amarração entre os episódios.

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