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AUDIOVISUAL

O amor que consome todos nós

Costa Neto

Costa Neto

Da esquerda para a direita, Gatto Larsen e Rubens Barbot, amigos há 40 anos, representaram o filme na segunda noite do festival.

Dirigido por Allan Ribeiro, o filme “Esse amor que nos consome” é uma história magistralmente real, com algumas pitadas de ficção, que colorem a noite desta terça-feira (6/8) no Festival de Cinema de Triunfo. Atores interpretando a si mesmos, Gatto Larsen e Rubens Barbot dão um show de vida e se superam a cada cena. Difícil é não se envolver.

A ideia do carioca Allan Ribeiro era colocar nas telonas uma história que ouviu do amigo Gatto Larsen e viu acontecer diante dos seus próprios olhos. O roteiro, escrito por ambos, é o relato de como Gatto e Rubens conseguem se virar depois que a sede de sua companhia de dança fica completamente destruída por um incêndio, em 2010.

Depois da tragédia, os amigos conseguiram um prédio emprestado por um empresário, que esperava vender o imóvel, mas que ainda não tinha nenhum contrato fechado. Antes de aceitar o empréstimo, Gatto procura sua Mãe de Santo para que ela lhe dê orientações, e ela assegura que aquele espaço fará muito bem a eles. Se os amigos vão conseguir ficar com o prédio de três andares no centro do Rio, isso só vendo o filme para saber.

Hospedados no casarão, Gatto e Rubens fazem do primeiro andar um espaço para ensaiar e coreografar a “Companhia Rubens Barbot”, que tinha projetos em andamento quando o incêndio aconteceu. As cenas de dança, aliada à relação que os personagens possuem com seus orixás, cria os espaços cênicos, delimitando o rumo que as coisas vão tomando. Como um espetáculo que vai evoluindo, o filme toma ritmo com a música e movimentos dos bailarinos. Há também uma relação metafórica com a costura feita por Rubens, que vai tecendo uma colcha de retalhos da vida real.

Uma das questões centrais do filme “Esse amor que nos consome” é o segredo do sucesso de uma amizade que já dura mais de 40 anos. A relação entre os dois é nitidamente íntima, onde um e outro têm passe livre para dar suas opiniões e tomar decisões sobre a vida do outro, sem ressalvas.

Outro aspecto que deve ser ressaltado, é um dos mais importantes, se não o mais: a questão negra. Tirando o argentino Gatto, que não é brasileiro por mero acaso da natureza, todos os outros atores são negros. A religião de matriz africana, representada por orixás, compõe o quadro de valorização étnica pungente. É nesse religião que eles tomam força para seguir adiante. E seguem, com muito amor.

Gatto Larsen – Em 1974, o argentino Jorge Anibal chegava ao Brasil com uma câmera fotográfica debaixo do braço e muita vontade de ficar por aqui. Formado em direção de cinema em Buenos Aires aos 21 anos, Gatto nunca havia feito um filme até ser chamado por Allan. Passou a fotografar dança para sobreviver e acabou se envolvendo com o teatro também. Dirigiu e encenou espetáculos, fazendo as ideias e a arte virarem realidade, se materializarem através dos olhos de todos.

É com a maior humildade do mundo que Jorge Anibal afirma: o Gatto não existiria se não fosse pelo Rubens. É dele também a máxima de que eles não conseguem dividir o que é arte do que é vida, e morar dentro do local de trabalho é a maior prova disto. O argentino explica ainda o filme é todo realista, incluindo os diálogos, mas que as situações em que eles aconteceram nem sempre foram reproduzidas fielmente.

Perguntado sobre a expectativa para o Festival de Cinema de Triunfo, Gatto afirma categoricamente: eu vim para participar, vim de plexo aberto, vim para viver. Para ele, estar entre os cinco longas em mostra competitiva já é um grande prêmio. “Tudo aqui está me surpreendendo”, afirma.

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