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AUDIOVISUAL

Realizadores debatem processos criativos e distribuição dos filmes

Encontros são abertos ao público e acontecem sempre às 10h, no hotel Alpes, em Triunfo.

Por: Tiago Montenegro

O Festival de Cinema de Triunfo segue incentivando diálogos sobre a cadeia produtiva do audiovisual brasileiro. Nesta quarta-feira (5/8), realizadores participantes das mostras competitivas de curta e longa-metragem, que tiveram seus filmes exibidos no dia anterior, se encontraram para um bate-papo também aberto ao público do festival.

Costa Neto/Secult-PE

Costa Neto/Secult-PE

Diretor do longa “Mais do que eu possa me reconhecer” participou do bate-papo

O carioca Allan Ribeiro, diretor do longa Mais do que eu possa me reconhecer, conversou sobre o processo de produção do filme, escolhido pelo júri da crítica em Tiradentes 2015 como melhor filme da Mostra Aurora. O documentário, premiado na ocasião pela originalidade com que ficou registrada a amizade entre o cineasta e artista plástico/videoartista Darel Valença Lins, também concorre nesta oitava edição do Festival em Triunfo. “O que me estimulou a finalizar esse filme foi a possibilidade de contar esse encontro com ele (Darel), não apenas o que aconteceu dentro da casa e os diálogos que tivemos, mas juntar as filmagens que fiz com as dele. Nosso encontro se deu na montagem”.

A distribuição de Mais do que eu possa me reconhecer em diversos estados do Brasil vai ser tocada pelo Filmes Livres, fundada por Carla Osório, também presente no bate-papo. “O filme de Allan tem esse componente forte de filme de arte, então, num cenário dominado pelo mercado, temos que buscar espaços diferentes para exibição, nem todo filme tem que ir pro shopping, o desafio é encontrar outras janelas de exibição, como museus, galerias”, destacou.

Também participante do debate, Thiago Mendonça é paulista e diretor do curta O Canto da Lona, terceiro filme do cineasta que traz à luz histórias e personagens da cultura popular marginal brasileira. “Quis trabalhar a memória como uma atividade política, como forma de afirmar a identidade de um grupo. Fazer uma história sobre esse universo do circo, reunir cinco artistas em cinco dias, em um cenário de circo e ver o que acontecia nesse reencontro entre eles. Tivemos uma primeira conversa em que sugeri que cada um escolhesse um número pra fazer e o restante foi o processo, eles mesmos foram apresentando demandas e colaborando com o filme”, comentou Thiago.

Maurício Baggio, do Paraná, dirigiu Tereza, também concorrente na mostra de curtas-metragens do festival. “A ideia do filme surgiu em 2007, mas só filmamos no ano passado. Após mais de 10 anos atuando como diretor de fotografia, brinco que esta foi minha graduação em cinema, procurei fazer muita coisa, sair da parte técnica da fotografia e conhecer outros setores, como elaboração do roteiro, montagem, produção”. O cineasta comentou também sobre a cena contemporânea do cinema paranaense: “O pessoal tá dando murro em ponta de faca, o estado tá quebrado financeiramente, talvez este seja um dos piores momentos no sentido de financiamento cultural, mas o pessoal tem se esforçado e dado bons resultados”, avaliou.

Costa Neto / Secult-PE

Costa Neto / Secult-PE

Cineastas participantes de mostras competitivas trocaram ideias com outros realizadores presentes

De Juazeiro do Norte, Ythallo Rodrigues trouxe o seu Onde Vivem Os Monstros para o festival. No debate, destacou que o trabalho é decorrente de uma pesquisa que o cineasta já realiza em torno da relação do cinema de horror com o cotidiano: “É um filme-reação sobre algumas coisas que estão acontecendo. Fiz inteiro sozinho, então não tive nenhum problema como os que foram colocados aqui, de produção etc. Apesar de ser um filme ‘solitário’ tô muito feliz que o filme tá passando em outros lugares, como aqui em Triunfo”. Ythallo optou pelo caminho “do cineasta assumindo o trabalho”, como pontuou a presença do diretor à frente da câmera e também discorreu sobre “alterações de traços em imagens fixas”, aspectos relevantes para sua produção.

Finalizando as participações dos realizadores, o carioca Marão conversou sobre o intenso processo criativo que resultou na animação Até a China. O filme, já premiado como melhor curta-metragem no CINE PE 2015, também foi exibido na terça-feira (4), no Cine Theatro Guarany. “É fruto de uma viagem mesmo à China, como participante de um festival de cinema infantil, que me deixou muito impressionado. Não precisei de pesquisa de cenários para os desenhos, todos foram feitos a partir das fotos que bati, dos locais que visitei… O filme conta essa experiência particular que tive”. A conversa com o cineasta evoluiu para questões como o aumento no número de obras brasileiras de animação e da ainda maior dificuldade que os cineastas desta categoria percebem em relação à distribuição de suas produções.

O gargalo que ainda persiste na distribuição dos filmes brasileiros foi tema recorrente na conversa entre os realizadores, que iniciaram um debate tem tudo para ser aprofundado na quinta-feira (6), durante o Seminário Kinepolitks – Cinema Político e Políticas para Cinema, ação especial do festival em parceria com a ABD/PE. A atividade é aberta ao público e está marcada para as 17h, na Câmara de Vereadores de Triunfo.

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