Pular a navegação e ir direto para o conteúdo

O que você procura?
Newsletter

AUDIOVISUAL

Um diretor com sangue nos olhos e cinema no coração

Confira uma entrevista exclusiva com Halder Gomes, diretor do longa Cine Holliúdy, que abre o festival

Divulgação

Divulgação

“Tenho sangue nos olhos e cinema no coração, e isto me guia”, diz Halder Gomes.

Na abertura do 6º Festival de Cinema de Triunfo, o longa cearense “Cine Holliúdy” (2012), dirigido por Halder Gomes, faz sua primeira apresentação em Pernambuco. Ao mesmo tempo, o filme que já passou por festivais nacionais e internacionais, faz sua pré-estreia no Ceará, se preparando para entrar no circuito nacional de distribuição ao público.

Antes de “Cine Holliúdy”, Halder coproduziu o filme “Bezerra de Menezes – O Diário de um Espírito” (2008), produziu “Área Q” (2011) e dirigiu “The Morgue” (2008) e “As Mães de Chico Xavier” (2011). A história dele aborda a infiltração da televisão nas pequenas cidades e como os cinemas do interior sofreram o impacto e o consequente esvaziamento.

Sobre o filme e sobre o cenário da produção audiovisual no Brasil, nós conversamos com Halder e resultado você confere agora!

Festival de Cinema de Triunfo – Apesar de já ter passado por alguns festivais, o filme “Cine Holliúdy” ainda não estreou para o grande público, isso está previsto para 9/8. Vocês estão encarando a apresentação no Festival de Cinema de Triunfo como uma pré-estreia? Qual a sua expectativa para esse festival?

Halder Gomes – Coincidentemente, a exibição do Cine Holliúdy em Triunfo é no mesmo dia da pré-estreia oficial do filme no Ceará. O que de certa forma é um luxo, dois exibições de gala na mesma noite!

É sempre um prazer exibir em Pernambuco, que sempre acolhe com muito carinho os filmes cearenses. Tenho uma grande expectativa, pois o filme acontece no interior, e fala de exibições de cinema nas pequenas cidades. Pelas fotos que vi do cinema de Triunfo, é como se o tempo não tivesse causado os efeitos danosos que aconteceu com a maioria dos cinemas do interior. Então é como se fosse uma viagem no tempo, na inocência e no charme destas exibições. Acredito que vai ser um belo encontro do “Cine Holliúdy” com o lindo cinema de Triunfo e seu público.

Festival de Cinema de Triunfo – Qual o cenário existente hoje no Brasil para incentivo às produções cinematográficas regionais?

Halder Gomes – O Brasil é muito grande e de enorme diversidade cultural, e nosso cinema não pode mais fugir desta realidade. A regionalização e nichos de mercado serão as portas de entrada para os conteúdos independentes em condições de igualdade com os blockbusters estrangeiros, como o que está acontecendo com o “Cine Holliúdy”, no Ceará, onde todos os exibidores querem o filme. O filme e sua proposta criaram seu público, seu mercado, e os exibidores não podem fugir disso. Tem que atender à demanda. O filme escreve esta página no cinema nacional e abre todos os precedentes. Daqui pra frente, os investimentos regionais tem que acompanhar esta nova janela de mercado. Não sei como funciona nos outros estados no nordeste, mas no Ceará os investimentos são quase nulos.

Festival de Cinema de Triunfo – Atualmente, é difícil entrar no grande circuito de distribuição de filmes nacionais?

Halder Gomes – Sempre é difícil, e sempre será. Mas existem modelos alternativos de conquistar este espaço, e o “Cine Holliúdy” está provando que isto é possível. Estamos no grande circuito, mas de forma pensada, gradual e trabalhando um nicho de mercado específico no primeiro momento.

Festival de Cinema de Triunfo – Na sua opinião, falta verba para a produção cinematográfica ou ela não é bem distribuída?

Halder Gomes – Existe muita verba de produção no mercado. A distribuição peca um pouco na sua centralização de verbas em certas regiões. Mas o grande problema é que no Brasil não existe produtores suficientes para captar esta oferta de recursos. Os realizadores sozinhos não conseguem absorver este trabalho todo de somar estas funções.

Festival de Cinema de Triunfo – Você concorda que as pessoas em geral não têm acesso a produção nacional de filmes no Brasil, ficando reféns dos selos do tipo Globo Filmes e dos blockbusters estrangeiros?

Halder Gomes – Não gosto de ficar culpando os outros para justificar algo, nem ficar esperando o universo fazer sua parte. Além disso, não podemos esquecer que a maioria das pessoas vai ao cinema em busca de entretenimento. Temos que respeitar isso. A Globo Filmes faz seus filmes e os leva ao seu público, os blockbusters também, e eu tento fazer a minha parte como realizador independente. Vou pra luta em busca da minha plateia! Todos meus filmes foram distribuídos e tiveram público. Sou um realizador cearense, residente no Ceará e mais independente, impossível. Teria todas as desculpas para me acomodar e colocar a culpa no modelo de mercado atual. Mas por outro lado, quem sou eu pra mudar este modelo? O que posso fazer é tentar encará-lo na “guerrilha”. “Cine Holliúdy” tá aí pra provar isso – distribuição Downtown Filmes/Paris Filmes/Rio Filme – como o filme mais aguardado do ano no Ceará, palavra dos gerentes dos cinemas. Vamos estrear em todos os cinemas do Ceará e a demanda dos exibidores não pára de crescer em outros estados. Fazer um filme requer uma entrega de vida ao projeto. Depois de tanto esforço, não vou medir forças para levá-lo ao público. Tenho sangue nos olhos e cinema no coração, e isto me guia.

Festival de Cinema de Triunfo – Qual a importância de festivais de cinema como esse, que acontecem longe das grandes capitais do país, para a divulgação da produção cinematográfica no país?

Halder Gomes - Muito importante! É uma forma de levar a nossa produção aos lugares esquecidos do grande circuito, lugares carentes de cinema. E os festivais tem tudo a ver com o que eu disse na pergunta anterior. Os festivais são inconformados com este modelo, e fazem sua parte para levar a produção independente de encontro ao público.

 

 

< voltar para home