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AUDIOVISUAL

Uma estrada luminosa para o Cinema Pernambucano

Apenas este ano, projeto estadual de circulação de filmes já atingiu mais de 4 mil pessoas, de 25 municípios do estado

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Exibição em Tacaratu atraiu um bom número de crianças

Tiago Montenegro

Desde o último mês de julho, uma movimentação extraordinária, incomum mesmo, já tomou praças e outros espaços de convivência de 25 cidades pernambucanas. Sempre por volta das quatro horas da tarde – quando o sol começa a se despedir -, um pequeno caminhão estaciona, dois homens saem de dentro dele e iniciam a montagem de uma estrutura que, aos poucos, vai se revelando uma “sala” de cinema a céu aberto. É quando um tipo de encantamento preenche o lugar, ganha as rodas de conversa pelas calçadas, vira brilho no olho das crianças, dos adultos também.

Filmes pernambucanos para todas as idades. Mais que uma frase projetada no telão acoplado à lateral da caminhonete, o mote publicitário foi ganhando, ao longo dos muitos quilômetros percorridos, força de marca e vocação do Cinema na Estrada. A temporada 2016 do projeto, realizado pelo Governo de Pernambuco, por meio da Secult-PE e da Fundarpe, encerrou um ciclo pelo sertão no sábado, 19 de novembro, após os olhares atentos e os aplausos de mais de 4 mil moradores de todas as regiões do estado.

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Estrutura montada da Aldeia Pankararu, em Tacaratu

A última sessão começou às 19h30, na Aldeia Central do Território Indígena Pankararu (Tacaratu) e não poderia ter sido mais especial. Além dos curtas que compuseram a programação itinerante deste ano, quatro produções de realizadores indígenas também ganharam a tela e enriqueceram o debate ao final da exibição. “Estamos passando por um processo de fortalecimento do cinema indígena em todo o país, então, não é apenas uma honra, mas um sonho também aproveitar esse espaço e exibir nossas produções”, contou Alexandre Pankararu, diretor dos filmes Nenhum Direito a Menos e Território Sagrado Pankararu. Alexandre e Graciela Guarani dirigiram também Terra Nua. Já o Voz das Mulheres Indígenas teve direção de Glicélia Tupinambá e Cristiane Pankararu.

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Alexandre Pankararu apresentou três produções indígenas. A produtora Amanda Ramos coordenou a itinerância do projeto.

Referência em projetos audiovisuais protagonizados por indígenas no país, Xandão trabalha com filmagem e direção desde 2009 e também é um dos responsáveis por oficinas e exibições de filmes em escolas da região. “A maior parte das produções é de filmes institucionais, prestação de serviços para a FUNAI, SESAI, ONU, mas temos roteiros próprios também e uma imensidão de assuntos nossos que precisamos ter mais tempo para realizar”, explica.

A própria história de luta e a cultura dos pankararus é um desses temas, como lembrou o líder Sarapó Pankararu, durante a conversa que encerrou a atividade no sábado. “Assim como estamos conhecendo melhor agora a história do Mestre Salustiano (em referência ao filme Salu e o Cavalo Marinho), também nós precisamos retratar a história das nossas lideranças, valorizar aqueles que há muito tempo vêm lutando pela nossa cultura, pelo território”, orientou.

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Saropá Pankararu destacou o cinema como ferramenta para a memória do povo

Um depoimento que ilustra bem as muitas possibilidades de um projeto como o Cinema na Estrada. “Nunca será apenas sobre difundir a rica produção de filmes pernambucanos – que ainda enfrentam o gargalo da distribuição e a histórica ausência de espaços para exibição – será também sobre promover pertencimento, gerar reflexões sobre formas de preservação da nossa cultura e da nossa identidade”, comenta Milena Evangelista, coordenadora de Audiovisual da Secult-PE.

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O curta ‘João Heleno dos Brito’, de Neco Tabosa , também integrou a caravana

“Para mim, é maravilhoso, muito gratificante ver que o filme tá circulando e chegando a cidades fora do circuito de festivais. No caso do meu filme, é sinal de que mais pessoas estão conhecendo a história do mestre Salustiano e do cavalo-marinho”, comenta Cecília da Fonte, diretora de Salu e o Cavalo-marinho, animação que circulou com o projeto.

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O filme ‘Voz das Mulheres’ traz depoimentos de diversas lideranças femininas

O cineasta Marlom Meirelles também falou da alegria de ver seu curta na programação: “A gente faz filmes para serem vistos, ‘Olhos de Botão’ foi gravado numa pequena cidade pernambucana (Bezerros), que não tem tradição cinematográfica, então, é fantástico saber que ele chega a tantas cidades, que as pessoas se reconhecem no sotaque, na paisagem do interior pernambucano”.

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‘A Promessa’, realizado pelo povo Truká, também foi exibido no Território Pankararu

HISTÓRICO
Itinerante, a Mostra Cinema na Estrada começou a percorrer o estado em 2010. O projeto já atingiu mais de 100 cidades e distritos pernambucanos, ampliando a visibilidade das nossas recentes produções audiovisuais e também contribuindo para a formação de novos olhares sobre o cinema. A ação é sempre potencializada por oficinas ou debates com os moradores. Este ano, o projeto foi realizado com recursos na ordem de 180 mil reais direcionados à política cultural de Pernambuco via emenda parlamentar do deputado estadual Aloísio Lessa.

PROGRAMAÇÃO – 2016

Programa 1
Salu e o Cavalo Marinho (Animação, 2014, 14 minutos, PE), de Cecília da Fonte
A Clave dos Pregões (Documentário, 15 minutos, 2015), de Pablo Nóbrega
Olhos de Botão (Ficção, 18 minutos, 2015) de Marlom Meirelles
Psiu! (Documentário, 20 minutos, 2014), de Antônio Carrilho e Juliana Lima
João Heleno dos Brito (Ficção, 20 minutos, 2014), de Neco Tabosa

Programa 2
Sexta Série (Ficção, Digital, 18 minutos, 2014), de Cecília da Fonte
Exília (documentário, 24 minutos, 2015), Renata Claus
Papo amarelo – o primeiro tiro (ficção, 15 minutos, 2015), de Anildomá Willans de Souza
Lua (Ficção, 17 minutos, 2013) de Paulo Caldas
A promessa (Ficção, 13 minutos, 2013), de Marcos Carvalho e Alisson Souza

CRONOGRAMA

Agreste Meridional
27 a 30 de julho (04 Comunidades tradicionais, durante o FIG 2016)

Mata Sul

29/08 – Primavera
30/08 – Ribeirão
31/08 – Palmares
01/09 – Catende
02/09 – Jaqueira
03/09 – Água Preta
04/09 – Tamandaré

Mata Norte
13/09 – Itambé
14/09 – Condado
15/09 – Nazaré da Mata
16/09 – Vicência
17/09 – Paudalho

Agreste Setentrional
23/09 – Limoeiro
24/09 – Bom Jardim

Agreste Central
19/10 – Bezerros
20/10 – Lagoa dos Gatos
21/10 – Belo Jardim
22/10 – São Bento do Una

RMR e Mata Norte
31/10 – Camaragibe
01/11 – Itapissuma
02/11 – Itamaracá (Pilar)
03/11 – Itamaracá (F. Orange)
04/11 – Goiana (Centro)
05/11 – Goiana (Tejucupapo)

Agreste Meridional
16/11 – Saloá
17/11 – Caetés

Sertão Itaparica
18/11 – Tacaratu (Centro)
19/11 – Tacaratu (Território Pankararu)

 

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