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Carnaval 2018

Agremiações tradicionais do Bairro de São José acertam o passo para o Carnaval

Bloco Pierrot de São José e a Troça Verdureiras de São José, grupos que passaram pela programação do Carnaval da Casa da Cultura, saem mais um ano na folia de Momo

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Fundado pela carnavalesca Sevi Caminha, o Bloco Pierrot de São José completa 40 anos em 2018

Marcus Iglesias

A tradição do Carnaval do Recife em alguns bairros, como o de São José, foi construída através da união dos moradores que caíam na folia inspirados por personalidades respeitadíssimas, a exemplo de Mãe Badia, e de grupos familiares da região. Um deles, a família Carminha, cuja matriarca é a carnavalesca Sevi Caminha, hoje é responsável pela manutenção e fôlego de duas importantes agremiações do Centro do Recife: o Bloco Pierrot de São José, que completa 40 anos em 2018, e a Troça Verdureiras de São José, fundada em 1884 e considerada uma das mais antigas de Pernambuco.

As duas atrações passaram pela programação do Carnaval da Casa da Cultura, realizado pela Secretaria Estadual de Cultura e Fundarpe, com a participação de diversas agremiações de Pernambuco. Segundo Graciene Caminha, filha de Sevi e uma das responsáveis pelo Bloco Pierrot de São José, foi sua mãe “quem iniciou toda essa loucura aos nove anos de idade, quando veio de São Caetano para o Recife, se erradicando no Bairro de São José, de onde nunca mais saiu. Ela costurou para vários blocos e agremiações, e em 1978 decidiu fundar o Pierrot de São José, porque queria um bloco só dela”, relembra.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

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A Troça Verdureiras de São José foi fundada pelos verdureiros do Mercado de São José em 1884e retirada do Museu da Federação Carnavalesca de Pernambuco em 1983, por Sevi Caminha

“Na época eu era uma criança de doze anos, e a vida da gente se transformou com esse bloco, porque a missão de todas nós hoje, das filhas e das netas de Sevi Caminha, é tomar conta do Pierrot de São José, do qual mamãe é presidenta eterna, e da Troça Carnavalesca Verdureiras de São José, que é presidida pela minha irmã Graciete Caminha. Os dois são altamente familiares, não tem diretoria. Não temos sede e nosso dinheiro vem das subvenções que a gente consegue durante as apresentações no Carnaval”, revela Graciene Caminha.

A Troça Verdureiras de São José foi fundada pelos verdureiros do Mercado de São José, mas depois de alguns anos a agremiação foi parar no Museu da Federação Carnavalesca de Pernambuco por falta de atividade. “Badia é minha madrinha e foi ela quem ficou na cabeça de mamãe para que ela tirasse a Verdureiras de São José do museu. E em 1983 mamãe foi na onda, até porque ela não desobedecia Badia, por uma questão de respeito e hierarquia. Antigamente, muitos trabalhadores e trabalhadoras do Mercado de São José participavam dessa troça, mas com o tempo as pessoas foram deixando de ir, e a gente sente e fica muito triste com isso. No entanto, independente de qualquer coisa, as Verdureiras estão aqui, firmes e fortes”, conta Graciene.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

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As duas agremiações se apresentaram no Carnaval da Casa da Cultura no dia 27 de janeiro passado

De acordo com Graciene, dona Sevi Caminha não anda há quinze anos por conta de um reumatismo crônico, e há quatro anos foi diagnosticada com problemas circulatórios, por causa da diabetes. “Nessa circunstância, eu cheguei pra ela e disse: ‘mãe, vamos viver, vamos cuidar da senhora, vamos acabar com essas agremiações’. E ela humildemente me pediu: ‘filha, me deixe morrer para fazer isso’. Então estamos aqui, mais um ano, para cumprir mais um Carnaval”.

Antigamente, a família Caminha também era responsável por outros grupos, conta Graciene, lembrando-se da La Ursa Branca do Bairro de São José e do Boi do Zé do Ribamar, entre outras agremiações. “Mas fomos convencendo mamãe a ir dando fim aos brinquedos porque era muito cansativo lidar com tudo. Eu e minhas irmãs, por exemplo, até hoje não sabemos o que é o Carnaval de Olinda, porque vivemos intensamente essa história no bairro de São José”.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Além do Pierrot de São José, a família Caminha também era responsável por outros grupos, como a La Ursa Branca do Bairro de São José e o Boi do Zé do Ribamar, entre outras agremiações

Por outro lado, a responsável pelo Bloco Pierrot de São José falou da emoção que foi se apresentar no Carnaval da Casa da Cultura este ano, espaço que, segundo ela, virou seu point de passeio quando deixou de ser uma casa de detenção para se tornar um equipamento cultural. “É por isso que a gente fica muito feliz quando vem pra cá. Eu acho que o certo era a gente vir todo ano, porque somos de casa. Mas graças a Deus está tudo certo, a gente ama o Carnaval”.

No dia da apresentação das agremiações na Casa da Cultura, realizada no dia 27 de janeiro passado, foram levadas duas orquestras e dois grupos diferentes, porque tem foliões que não saem na Verdureiras por preferirem sair apenas no Bloco Pierrot de São José. “Mas há as mais loucas, como Nilda e Totonha, que saem nos dois e em outros blocos do São José, como o Gigante e o Bola de Ouro. Temos também outros exemplos bonitos, como Dona Creusa, de 93 anos, que adora sair no Pierrot de São José e todo ano está aqui com a gente”, disse Graciene, que por fim deixou claro sua intimidade com o bairro de São José e com o carnaval da região.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

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Quando se apresentaram na Casa da Cultura, a família Caminha levou duas orquestras e dois grupos diferentes para cada agremiação

“Nós somos da Rua do Ramos, saindo da Casa da Cultura ela fica bem pertinho. E nós realizamos nossos ensaios e encontros lá. É uma rua bem pequenininha e aconchegante, e compramos duas casas nela. A família inteira mora lá. A casa de número 60, que é a de mamãe, tem três andares, e você não consegue andar direito lá dentro com tanta fantasia pelos corredores. A do lado, número 58, que era pra ser a sede das Verdureiras, no momento está demolida. Mas arranjamos um dinheiro e levantamos umas colunas para dar início à construção da sede, e eu quero que mamãe esteja viva pra vê-la pronta”.

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