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Carnaval 2019

Homenageada do Carnaval do Recife, Gerlane Lops honra o samba

A cantora pernambucana se apresentará no Baile Municipal, neste sábado (23); na abertura do Carnaval do Recife, no dia 1 de março, no Marco Zero; e no Galo da Madrugada.

Jan Ribeiro

Jan Ribeiro

Gerlane Lops já soma mais de 20 anos de carreira.

Por Camila Estephania

Berço do frevo, o Recife sempre foi terreno fértil para a cultura popular. O Carnaval da Cidade é conhecido também pelas apresentações de maracatus, caboclinhos, afoxés, dentre outros gêneros. Neste ano, o samba ganha destaque especial na festa da capital pernambucana, que elegeu como homenageados de 2019 os sambistas Belo Xis e Gerlane Lops. A cantora fará a abertura do Marco Zero na sexta-feira (1/3) para celebrar não só os 27 anos de carreira, mas também o reconhecimento da produção pernambucana no ritmo.

Quero contribuir artisticamente com qualquer gênero que precisa ter essa notoriedade aqui dentro de Pernambuco. O samba estava merecendo esse olhar delicado dos gestores e que bom que veio da Prefeitura do Recife, dando suporte para que a gente possa fazer espetáculos de verdade. Precisamos mostrar que aqui dentro existem sambistas sim, que criam suas famílias pelo samba. Isso é digno de respeito. Faz-se samba de qualidade aqui, não se copia somente. A gente vai para o Marco Zero cantando sambas autorais, é preciso ter coragem para isso, mas caso contrário as pessoas não saberão que se fazem sambas novos aqui”, observa ela, que compôs o sucesso “Da Branca” ao lado de Siri do Cavaco.

Considerada um divisor de águas na sua carreira, a canção motivou Gerlane a investir na composição de sambas. “Há uns oito anos, quando eu estava fazendo ela com Siri, Diogo Nogueira passou por aqui e disse: ‘poxa, Gerlane, esse é o seu primeiro samba?’, eu respondi que sim e ele comentou para fazer mais, que parecia com os sambas do pai dele”, lembra ela, que contará com a participação do coautor no show, além de outros nomes que considera importantes na sua trajetória, como  Gustavo Travassos, Rodrigo Leite, Serginho Meriti, Marcelinho Moreira, Péricles e Mariene de Castro.

Jan Ribeiro

Jan Ribeiro

A cantora tem ensaios diários para se preparar para três shows diferentes que serão apresentados durante o Carnaval.

CARNAVAL

Considerado o puxador oficial do Galo da Madrugada, Gustavo Travassos foi o primeiro artista a convidar Gerlane para subir em cima do trio que ele comanda no bloco. Nos dois anos seguintes, a cantora ainda participou do trio do Maestro Spok, na última vez para substituir Daniela Mercury. “Os arranjos estavam todos prontos para ela e acho que essa coragem que tive de topar o desafio fez com que eu ganhasse o meu próprio trio”, diz ela, que, desde 2013, tem um carro seu no Galo.

Além das apresentações no Marco Zero e no Galo da Madrugada, a artista também se apresentará no Baile Municipal, que acontecerá neste sábado (23), no Classic Hall, com a Orquestra Recife de Bambas, que tem a proposta de trazer novos artistas do Estado. Cada um dos shows tem repertórios diferentes: no Marco Zero, Gerlane irá reprisar sua carreira; no Galo da Madrugada, fará um show com canções de ritmos mais tradicionais da folia pernambucana; e no Baile Municipal, as músicas serão escolhidas por convidados, como MC Bruninho.

A Orquestra que vai para o Baile ainda é formada por Karynna Spinelli, Luísa Pérola, Wellington do Pandeiro e Nego Thor. “A gente prepara arranjos específicos para cada um e eu deixo o repertório a vontade. Dou minha opinião por conhecer o perfil do Baile e por fazer a direção artística do show”, explica ela, que costuma apresentar o projeto na noite do samba do Marco Zero, mas, neste ano, foi transferido para o Baile Municipal.

TRAJETÓRIA

Apesar de ter se consagrado no samba, o início da carreira de Gerlane, aos 17 anos de idade, está ligado ao frevo. “Com quatro anos, eu já acompanhava minha irmã quando ela participava do coral Catavento, que era na TV Jornal. Eu ia atrás dela para não ficar sozinha em casa e acho que comecei a tomar gosto pela música aí. Com 10 anos, fui tocar em banda marcial e de lá fui pra orquestra de frevo. Com uns 18 anos, essa orquestra já foi se transformando em banda de baile. Um dia a cantora do grupo falto e eu assumi os vocais, aí não parei mais”, lembra ela, que se dedicava a percussão, que toca até hoje, e passou a estudar canto, tendo concluído o curso de Música na UFPE.

Divulgação

Divulgação

A cantora iniciou a carreira como percussionista de banda marcial e de orquestra de frevo.

Em 1996, aos 21 anos, Gerlane montou seu primeiro show solo no Teatro Barreto Jr. para explorar outros gêneros. “Eu curtia cantar outras coisas que não colavam na banda de baile, como MPB”, justifica. No mesmo ano, a cantora foi convidada para participar do Festival Canta Nordeste, no qual ficou em primeiro lugar na eliminatória de Pernambuco e em terceiro lugar na classificação geral. Seu canto ganhou CD pela primeira vez através do registro do espetáculo “Lorca – Canções de Lua”, de 1998, em que musicou poemas do espanhol Frederico Garcia Lorca, no ano de seu centenário. O primeiro disco de carreira mesmo veio com o homônimo de 2004, quando gravou músicas de sua autoria, como “Alma de poeta”, “Primeira viagem” e “Ritmos”, e de compositores pernambucanos como “Piaba de ouro”, de Lula Queiroga e Erasto Vasconcelos.

Apesar de não lançar disco desde 2008, quando fez CD e DVD ao vivo “Da Branca, a cantora não parou de fazer músicas novas e preparar novos projetos. Prova disso são os singles “O Samba Chegou”, lançado no final de 2018, e o afoxé “Obá Obá”, previsto para sair antes do Carnaval deste ano. Entre seus projetos mais férteis está o Recife Samba de PE, que acontece mensalmente na sede do Galo da Madrugada reunindo convidados de vários segmentos para tocar, especialmente, samba. Entre as personalidades que já participaram estão Spok, Cezzinha, Selma do Samba, Mart’nália e Zélia Duncan.

Nasci no subúrbio, em Olinda, fui adotada e tive a sorte de ter pais que sempre me apoiaram. Nunca admiraram a artista, mas a filha que saia para trabalhar e esse trabalho era a música. Eles sempre respeitaram isso e foi muito importante, porque já tive vontade de desistir várias vezes. Tive essa vontade até no ano passado, porque não é fácil, mas é muito prazeroso também. Escolhi fazer carreira aqui, porque queria criar meus pais com dignidade e depois que eles morreram, pensei que havia cumprido minha missão. Depois percebi que minha missão era não só essa, mas também transformar essa música que se faz aqui”, conclui Gerlane, que encara como ofício ver a música feita no Estado ser valorizada pelo próprio povo pernambucano.

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