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Carnaval 2020

Protagonismo feminino é celebrado e fortalecido no Marco Zero

O Sábado de Zé Pereira, no palco do Marco Zero, foi marcado por apresentações de grandes artistas mulheres

Mandy Oliver/PCR

Mandy Oliver/PCR

A cantora Elza Soares foi uma das atrações da noite e apresentou ao público do Marco Zero o repertório do seu novo disco, “Planeta Fome”

*Com informações do Carnaval Recife

Pela primeira vez na história do Carnaval do Recife, o sábado de Zé Pereira foi protagonizado pelas mulheres no palco do Marco Zero. Uma homenagem que promove mais equidade de gênero na programação da maior folia de rua do Brasil. Desde as anfitriãs da noite, Fabiana Pirro e Gicely Rafaela, a força criativa feminina imperou no palco com instrumentistas, maestrinas e dançarinas, que deram ao público uma mostra do talento de artistas pernambucanas com trabalhos autorais.

Brenda Alcântara/PCR

Brenda Alcântara/PCR

Dita Curva reúne artistas pernambucanas de diferentes linguagens

A primeira grande atração do palco foi o espetáculo “A Dita Curva”, idealizado pela multiartista Flaira Ferro, que reúne nomes como Aishá Lourenço, Aninha Martins, Isaar, Isadora Melo, Laís de Assis, Luna Vitrolira, Paula Bujes, Sofia Freire e Ylana Queiroga. Cantoras, poetas e instrumentistas fizeram uma apresentação que mesclou poesia, dança, performance e música para refletir sobre o feminino. A autonomia do corpo feminino foi enfocada ao longo da apresentação que incluiu músicas autorais. O tom de reivindicação também é marca do espetáculo que reivindicou o fim da violência contra a mulher e pediu respeito para todas.

“Esse espetáculo é a demonstração de união de forças para construir um Carnaval, um ano novo e uma nova década mais feminina”, comentou a cantora Isaar, que completou: “É obrigação das mulheres e dos homens lutar contra a violência de gênero. A luta é de todo mundo, não só nossa”. Flaira Ferro teve a ideia do espetáculo há dois anos e comemorou o fato de poder comunicar a mensagem para um público tão expressivo. “A concepção e o conceito foram criados coletivamente e têm relação com o desejo de mudança. A música precisa de mais mulheres, mas não só a música, todos os espaços de lugar de fala e de poder de transformar as coisas”, pontuou Flaira.

No palco, as artistas apresentaram um show composto por elementos cênicos, recital de poesia, dança, solo percussivo e uma energia que contagiou e emocionou o público.

Frevo Mulher - Com um time de convidadas especiais, a cantora Nena Queiroga apresentou, pela primeira vez no Carnaval do Recife, o projeto “Frevo Mulher” em parceria com a Orquestra 100% Mulher e o Coral Edgar Moraes. A apresentação surpreendeu o público ao levar para o palco do Marco Zero artistas que já são ícones do Estado, como Michele Melo. A cantora cantou sucessos como “Topo do Prazer” em ritmo de frevo e comemorou o fato de o brega ser destaque na programação do principal palco do Carnaval.

Brenda Alcântara/PCR

Brenda Alcântara/PCR

Michele Melo e Nena Queiroga juntas no palco do Marco Zero, durante o show “Frevo Mulher”

“Quando um artista do brega sobe em um palco como esse, a vitória é de todos que fazem o movimento no Estado”, disse Michele Melo, recebida com muitos aplausos. Além dela, Nena também convidou um outro grande nome da cultura popular, a mestra de coco olindense Aurinha, que acaba de recuperar de um problema de saúde e cantou um dos hinos de sua carreira, “Seu grito”. O samba também teve uma representante: Gabi do Carmo, que interpretou o clássico “Frevo e Ciranda”, de Capiba, acompanhada pelos afoxés Omim Sabá e Oxum Pandá. Bia Marinho e Gabi da Pele Preta foram outras convidadas que abrilhantaram o projeto Frevo Mulher, além das passistas de frevo da Cia por Dança.

“Trazer esse espetáculo para o público do Marco Zero representa muito porque é o grande cartão postal do Carnaval e conseguimos levar uma mensagem importante para o público. Quando mais espaço para as mulheres, mais reforçamos pautas importantes como a violência de gênero que precisa ser combatida diariamente”, ressaltou Nena Queiroga.

Planeta Fome - A cantora Elza Soares protagonizou um dos pontos mais altos da segunda noite de programação do principal palco do carnaval pernambucano com um show histórico. A artista, ícone de uma geração que exalta o empoderamento negro como caminho para a promoção de igualdade, fez um apresentação emocionante e a ainda se declarou: “Eu amo o povo de Pernambuco. Eu amo esse povo maravilhoso”. E dedicou o show às mulheres, na noite em que elas protagonizaram a programação do principal palco da folia.

Mandy Oliver/PCR

Mandy Oliver/PCR

Durante o show, Elza Soares falou da sua relação com a folia pernambucana e dedicou-o às mulheres presentes

O show do 34º disco da carreira da cantora, “Planeta Fome”, foi apresentado num formato que tem Elza no centro e no alto do palco. Tal qual uma rainha, ela cantou e direcionou o público a refletir sobre questões de gênero, raça e classe, além de fazer críticas sobre a atual conjuntura política brasileira. “Brasil: “Brasil, Brasil! Chama que é para ver se alguém escuta”, falou em tom de sarcasmo, uma das suas marcas.

Sucessos de outros discos também foram lembrados no repertório da cantora como a clássica “A carne”, que foi ressignificada: “A carne mais barata do mercado NÃO é mais a carne negra”. A afirmação causou grande levante no público que lotou o Marco Zero para acompanhar o show. Elza Soares fez um apelo para que as mulheres não se calem diante de casos de violência e denunciem seus agressores. “Falar de mulher é muito importante pra mim. Minha música colabora muito para que mais mulheres tenham coragem para tomar uma atitude diante da violência”. No final do show, a cantora foi ovacionada ao interpretar um dos seus grandes sucessos recentes, “Mulher do fim do mundo”.

Conga la Gonga - Gretchen fez uma participação especial e cantou clássicos de sua carreira como “Conga la conga” e “Melô do piripipi”, além de interpretações de músicas como “Amor de quenga”, de Pabllo Vittar. Logo após, foi a vez de uma das queridinhas do público pernambucano fazer um show vibrante no Carnaval do Recife. “Eu não cantei em nenhum outro lugar do mundo o show que eu trouxe pra cá. É um show especial”, garantiu Gaby Amarantos.

Mandy Oliver/PCR

Mandy Oliver/PCR

Gretchen fez uma participação para lá de especial no palco do Marco Zero

Lara Valença/PCR

Lara Valença/PCR

A cantora paraense Gaby Amarantos cantou os grandes sucessos da sua carreira

A artista também elogiou a iniciativa da Prefeitura do Recife de reservar uma noite para uma programação composta apenas por atrações femininas. “Extremamente necessário. Queremos ver representatividade feminina em todos os espaços não só no Carnaval, mas durante o ano todo”, comentou ela, que não deixou de fora do repertório hits como “Ex My Love” e “Treme treme”. A cantora surpreendeu o público ao chamar para o palco o primeiro maracatu rural composto apenas por mulheres, Coração Nazareno. E homenageou o movimento Mangue, interpretando músicas como “Maracatu Atômico”. O bregafunk também foi homenageado: Gaby provocou o levante do público cantando um dos maiores hits de Shevchenko e Elloco, “Chapuleitei”.

Para quem não viu as apresentações ao vivo, ainda dá tempo de conferir a transmissão que a TVPE fez neste sábado (22) dos shows do Marco Zero. É só apertar o play abaixo:

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