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Conselho de Preservação

Conselho de Preservação realiza tombamento do acervo do Mestre Vitalino

Processo de tombamento envolve 232 peças do Mestre Vitalino, considerado um dos maiores artistas da história da arte do barro no Brasil

Aramis Macêdo/Divulgação

Aramis Macêdo/Divulgação

Participaram da reunião diversos conselheiros do CEPPC, além da mesa-diretora, formada pela presidente Márcia Souto e o vice-presidente Aramis Macêdo, e os relatores Elinildo Marinho de Lima e Claudio Brandão de Oliveira

Por Marcus Iglesias

Por unanimidade, os membros do Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC) aprovaram, nesta quinta-feira (28), o tombamento do acervo do Mestre Vitalino, considerado um dos maiores artistas da história da arte do barro no Brasil. O processo inclui 232 peças do mestre que fazem parte do acervo de quatro instituições públicas: O Museu do Barro de Caruaru (Mubac), o Centro Cultural Benfica, o Museu de Arte Popular do Recife (MAP) e o Museu do Homem do Nordeste.

Participaram da reunião diversos conselheiros do CEPPC, além da mesa-diretora, formada pela presidente Márcia Souto e o vice-presidente Aramis Macêdo, e os relatores Elinildo Marinho de Lima e Claudio Brandão de Oliveira. Para Márcia Souto, que também é presidente da Fundarpe, a aprovação por unanimidade “ressalta a importância de discutirmos políticas públicas para área de cultura a partir dessa perspectiva patrimonial, uma vez que ela nos permite não só preservar, mas enaltecer e valorizar o riquíssimo patrimônio cultural pernambucano”.

Reprodução/Internet

Reprodução/Internet

Ao todo, 232 obras do Mestre Vitalino, espalhadas em quatro centros culturais, fazem parte do pedido de tombamento

De acordo com Elinildo Marinho de Lima, suplente da categoria Antropologia, Sociologia e Turismo, o parecer foi favorável diante da significação memorialística, artística e cultural da obra do Mestre Vitalino. “A importância deste mestre e de sua obra é imensamente significativa para a cultura pernambucana, nordestina e brasileira. Sua arte traduziu de forma impar e singular sua terra, sua gente, e sua cultura. Por meio do barro, este homem, único e simples, desenvolveu de forma brilhante, extremamente particular, uma forma de tocar, sensibilizar, e fazer sentir e refletir sobre a vida comum e a vida cultural”, opinou o relator do processo.

Ainda segundo Elinildo Marinho de Lima, o pedido foi feito em 1995, pelo então presidente da Fundarpe, o escritor Raimundo Carrero, encaminhado para o então secretário de Cultura, Ariano Suassuna. O processo teve como base uma análise técnica da Gerência de Preservação do Patrimônio Cultural da Fundarpe, realizada no dia 1º de outubro de 2014, que deu parecer conclusivo.

Agora o processo retorna à Secult-PE e Fundarpe, que o encaminhará para o governador do Estado, responsável pela assinatura do decreto de tombamento. Depois de publicado, o decreto é despachado ao CEPPC, que inscreve os imóveis no seu livro de tombo.

Chico Santana/Secult-PE

Chico Santana/Secult-PE

O Museu do Barro de Caruaru (Mubac), um dos equipamentos culturais da SecultPE e Fundarpe, conta com 67 peça do Mestre Vitalino em exposição

As obras do Mestre Vitalino que fazem parte deste pedido de tombamento estão divididas da seguinte forma: Museu do Barro de Caruaru (MUBAC), com 67 peças; Centro Cultural Benfica, ligado à Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da UFPE, com 73 peças; Museu de Arte Popular do Recife (MAP), com 31 peças; e Museu do Homem do Nordeste, com 61 peças.

Histórico do Mestre Vitalino - Vitalino Pereira dos Santos (1909-1963), conhecido como Mestre Vitalino, nasceu na cidade de Caruaru, Pernambuco, no dia 10 de julho de 1909. Filho de um lavrador e de uma artesã que fazia panelas de barro para vender na feira, desde seis anos de idade já fazia transparecer seu talento moldando pequenos animais com as sobras do barro.

O barro tirado do Rio Ipojuca, em cujas margens, Vitalino brincava na infância, foi desde cedo a matéria-prima que sem imaginar, mais tarde daria forma a sua arte e o tornaria famoso, produzindo uma arte simples que encantou o mundo, e que os especialistas decidiram batizar como arte figurativa.

O caminho para sair do anonimato foi longo. Do Alto do Moura, onde o artista viveu e contava com a ajuda dos filhos, produzia as peças para vender na feira de Caruaru. Só a partir de 1947 a vida começou a melhorar, com o convite do artista plástico Augusto Rodrigues para uma exposição no Rio de Janeiro, passando a apresentar suas peças na Exposição de Cerâmica Popular Pernambucana.

Em janeiro de 1949, a fama do Mestre Vitalino foi se ampliando com uma exposição no MASP, e em 1955 fez parte de uma exposição de Arte Primitiva e Moderna, em Neuchâtel, na Suíça. Suas obras passaram a ser valorizadas no Sudeste, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Sua arte está exposta não só em grandes museus brasileiros, mas também no Museu de Arte Popular de Viena, na Áustria e no Museu do Louvre, em Paris. No Brasil, grande parte de seu trabalho está nos museus Casa do Pontal e na Chácara do Céu, no Rio de Janeiro, no Acervo Museológico da Universidade Federal de Pernambuco, no Recife, e no Alto do Moura, em Caruaru, onde o artista viveu.

Mestre Vitalino deu vida a sua arte de barro, como “os bois”, “as vacas”, “os cangaceiros”, “a ciranda”, “a banda de pífanos”, “o violeiro”, “o zabumba”, “o cavalo-marinho”, “a casa de farinha”, “os noivos a cavalo”, “Lampião”, “Maria Bonita”, “a vaquejada”, entre outros. Sua produção artística passou a ser iconográfica, influenciando a formação de novas gerações de artistas, principalmente no Alto do Moura. A casa onde o artista viveu foi transformada no Museu Vitalino, e seu entorno é ocupado por oficinas de artesãos.

Mestre Vitalino faleceu em Caruaru, no dia 20 de janeiro de 1963.

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