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Conselho de Preservação

Igreja Matriz de Santa Isabel, em Paulista, é tombada pelo CEPPC

O tombamento foi deferido nesta quinta-feira (20), na sede do Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC)

O Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC) deferiu, nesta quinta-feira (5), o tombamento da Igreja Matriz de Santa Isabel, localizada no cento de Paulista. O pedido de tombamento foi apresentado em 2010, pelo Movimento Pró-Museu, e tinha como objetivo “valorizar a importância que a edificação representa para os moradores e a vida religiosa local”, conforme indicou o presidente do Movimento Pró-Museu, Ricardo Andrade, à época.

Relator do processo no CEPPC, o conselheiro Marcos Prado destacou em seu parecer técnico que “a igreja Matriz de Santa Isabel reúne um conjunto de motivos para o seu tombamento, inclusive, pelo seu estado de conservação”. “A igreja, de 1946, tal como as chaminés das antigas fábricas, ainda existentes no entorno, assistiu à cidade crescer e a se desenvolver a seu redor. O templo é, para muitos ainda hoje, o orgulho e o coração de Paulista, tornando-se símbolo maior do município, que foi, no passado, berço representativo da indústria nordestina de tecidos”, disse Prado.

Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe

Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe

Marcos Prado foi o relator do processo no Conselho de Preservação

O conselheiro lembrou ainda que o “templo foi edificado em estilo eclético, com a utilização de traços romanos, neoclássicos e neogóticos, totalmente construído com tijolos avermelhados aparentes, apropriando-se, lateralmente, de um passado arquitetônico, ainda hoje, digno de nossa admiração”. “Em arquitetura, o ecletismo, que tanta visibilidade alcançou em Pernambuco, designa a atitude dos arquitetos do século XIX, que utilizaram elementos escolhidos na história com a intenção de conceber uma nova forma de construir e edificar. O eclético começou a vigorar no Brasil, principalmente, após a semana de 22, que também abriu caminho para o modernismo e suas vertentes atuais, porém, atualmente, este tipo de estilo ainda tem sido adotado em grandes edificações, expressando poderosos monumentos no ambiente das nossas cidades”, frisou.

Marcos Prado/Divulgação

Marcos Prado/Divulgação

O templo religioso está localizado no coração da cidade

HISTÓRICO - A cidade do Paulista dista cerca de 20 km da capital pernambucana e sua nomenclatura remete para o final do século XV, quando Manuel Álvares de Moraes Navarro, natural da capitania de São Paulo comprou de João Fernandes Vieira as glebas das freguesias de Paratibe e Maranguape. As terras por ele adquiridas ficaram conhecidas como Engenho do Paulista (o natural de São Paulo), derivando daí o nome do município.

Paulista ao longo do tempo teve um considerável desenvolvimento político e econômico e já no final do século XIX, possuía uma pequena empresa de tecidos, a Companhia de Tecidos Paulista (CTP) que foi adquirida em 1904, por Herman Theodor Lundgren, um sueco naturalizado brasileiro. Herman e seus familiares descendentes, tornou-se seu maior acionista, expandindo o processo de industrialização têxtil no estado, influenciando profundamente a vida dos habitantes do Paulista, e comercializando seus produtos Brasil a fora por meio das Lojas Pernambucanas.

Herman Lundgren e seus descendentes deixaram na cidade do Paulista edificações que testemunham a época áurea que proporcionaram ao lugar, e que constituem ainda hoje o maior legado histórico e arquitetônico da cidade. Estão legalmente protegidas pelo instrumento do tombamento estadual, a Casa e Jardim do Coronel, as 03 chaminés da antiga Fábrica Aurora, a chaminé, casa da administração e cruzeiro da Fábrica Arthur e, em processo, o tombamento da Igreja de Santa Isabel.

Para homenagear a matriarca da família, D. Elizabeth Lundgren, os filhos, entre os anos de 1946 e 1950, os filhos de Herman fizeram construir uma igreja que se chamaria Santa Elisabeth Regina. Por não conhecerem à época a santa católica com o nome de Elizabeth que viveu no Sec. III na Atual Eslováquia, o templo foi dedicado a Santa Isabel – Rainha de Portugal.

A 13 de janeiro de 1946 foi lançada a pedra fundamental da Igreja com a presença do Arcebispo D. Miguel de Lima Valverde. Quatro anos e cinco meses levou a construção, inaugurada em 29 de junho de 1950, com procissão e missa concelebrada pelo bispo arquidiocesano.

Depois de construída os Lundgren doaram a igreja para a Arquidiocese de Olinda e Recife, mas esse documento de doação desapareceu e, até hoje, a igreja é de propriedade da CTP (ANDRADE, 2010, p. 2), embora de acordo com o Livro de Tombo da Igreja, junto com à pedra fundamental foi colocada uma urna e nela, um documento que “prova a promessa e o fato da doação da Igreja ao povo católico do Paulista” (ALCÂNTARA, p. 95). Segundo o mesmo ANDRADE, para legalizar esta situação o Padre Valdemir José entrou com um processo na justiça com um pedido de usucapião por parte da igreja.

Construído com muito esmero, o templo tem 60m de altura, e constitui um raro exemplar em Pernambuco do estilo eclético (romano, neoclássico, neogótico) tendo sido todo edificado em tijolo aparente. É uma construção simétrica com três portas frontais, encimadas, nas laterais, por janelas com fechamento em vitral e no eixo, por um óculo e uma abertura em formato de cruz finalizada por uma torre sineira única onde está localizado o campanário, protegido por venezianas. A nave única com arcos plenos e janelas em vitrais apresenta o transepto de onde se tem acesso a duas tribunas ou púlpito. Seu altar-mor é simples, ladeado por duas capelas laterais, do Evangelho e da Epístola. A pintura de fundo dos altares é do artista plástico Hildebrando Eugênio, que também é autor da bandeira da cidade do Paulista. No alto do arco-cruzeiro se lê a inscrição: “Santa Elisabeth Regina”, que reafirma a homenagem prestada à Dona Elizabeth Lundgren.

Ainda em memória da família Lundgren, cuja história é confundida com a história do próprio município, estão sepultados no ossuário daquele templo, os despojos do patriarca da família, Herman Theodor Lundgren, sua esposa Anna Elizabeth, e outros membros da família.

O acesso ao templo é feito pelo nártex de entrada, sobre ele, um coro, dois nichos laterais, um de acesso ao coro e à torre sineira, e o outro, onde estão sepultados os despojos do mártir da Revolução Pernambucana de 1817, Padre João Ribeiro.

O crânio do padre João Ribeiro esteve guardado no Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico de Pernambuco, onde ficou exposto ao público até 2001. O IAHGP junto com o governo de Pernambuco, a Arquidiocese de Olinda e Recife, o vigário da Igreja de Santa Isabel, o prefeito e o secretário de turismo do Paulista decidiram enterrá-lo com merecido respeito, em 29 de outubro de 2001, o crânio do padre João Ribeiro foi sepultado num túmulo construído especialmente para ele dentro da Igreja de Santa Isabel, após quase dois séculos de seu falecimento.

Toda a edificação está quase que totalmente preservada, apenas as janelas, originalmente em vitrais, foram restauradas, em 1988, pelo Pe. Geraldo Leite, S.C.J. e substituídas por basculantes.

Por sua história intrinsecamente ligada ao desenvolvimento do município, sua expressão e evidente relação com a memória e identidade da gente de Paulista, e por constituir exemplar arquitetônico de grande valor, a Igreja de Santa Isabel hoje é considerada Imóvel Especial de Preservação e patrimônio dos paulistenses, tendo sido escolhida, em 2008, como o principal cartão-postal da cidade.

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