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Cultura popular e artesanato

Baile do Menino Deus toma conta do Marco Zero no final de semana de Natal

Espetáculo reforça elementos da cultura popular nordestina e incentiva a tolerância religiosa

Gianny Melo

Gianny Melo

Nos dias 23, 24 e 25 deste mês, o Marco Zero deve receber milhares de espectadores para o Baile do Menino Deus

Por Camila Estephania

Criado há 34 anos pelos autores Ronaldo Correia de Brito e Francisco Assis Lima, o Baile do Menino Deus se consolida cada vez mais entre as tradições natalinas do Recife sem perder o frescor de novidade. Há 14 anos, o espetáculo, que tem patrocínio do Ministério da Cultura, Prefeitura do Recife, Governo de Pernambuco e Rede, é encenado para milhares de pessoas no Marco Zero sempre trazendo adaptações no seu texto para somar temas atuais a sua história base. Neste ano, a apresentação chega ao Bairro do Recife nos dias 23, 24 e 25 de dezembro inserindo novos discursos sobre respeito, humanidade e igualdade entre os povos na habitual releitura da história do Natal de acordo com a cultura popular nordestina.

“Desde que o Baile veio para o Marco Zero, ele assumiu o formato de cantata cênica e virou uma obra aberta. Isso quer dizer que a gente mantém a sua estrutura básica, mas também acrescenta coisas em função do que está acontecendo no momento. Há três anos, a gente incorporou um poema novo que fala de portas, no sentido de fronteiras, como um apelo por um mundo sem portas. Depois a gente quis trabalhar a questão da mulher no lar, por isso José aparece como alguém que ajuda Maria em casa e está sempre com o Menino no braço”, exemplifica Ronaldo Correia de Brito, sobre a forma como o espetáculo se adapta a novos contextos.

Para 2017, o entremeio chamado Caboclinho teve alterações na sua música e no seu texto, que dará ênfase à questão indígena ao refletir sobre posse de terra e sua exploração por empresas. Em outro momento, uma personagem também terá um texto sobre empoderamento negro. “Todo o texto do Baile é poético e lírico, mas nós já valorizamos o negro a partir do momento que o colocamos em um lugar de destaque e a maioria dos artistas do espetáculo são negros, não por serem negros, mas pelo talento. A ênfase que damos é que, na verdade, somos um povo mestiço de índio, negro e branco e nenhuma etnia deve prevalecer sob a outra, todos são importantes na nossa formação”, defende o autor, que neste ano também incluiu uma passagem com Ogum que, nas religiões de matriz africana, é tido como o Orixá guerreiro.

Hans Von Manteufell/Divulgação

Hans Von Manteufell

Espetáculo faz uma releitura da história do Natal usando elementos da cultura nordestina

“No Baile, sempre existiram os rituais das religiões afro, como o próprio Maracatu, mas na primeira encenação a gente tinha um momento com Xangô, mudamos porque o texto poético é inspirado em uma das orações a Ogum e escolhemos esse texto porque ele abre os caminhos no coração das pessoas contra a repressão, a pobreza, o preconceito. Ele afirma uma força positiva”, explica ele, sobre a alteração que busca trabalhar o sincretismo e a tolerância religiosa. Esse objetivo da apresentar a nossa mistura, inclusive, também já é evidente pelo uso de personagens da cultura popular como o Mateus, o Bumba Meu Boi, o Jaraguá, além de explorar ritmos nordestinos na trilha sonora assinada por Antônio Madureira e executada pela orquestra regida pelo maestro José Renato Accioly.

Apesar de destacar principalmente as expressões culturais do Nordeste, o Baile do Menino Deus é amplamente apresentado em todo o Brasil, contando com encenações em mais de 50 cidades. “Acho que o melhor para um autor é ele ver que uma obra sua virou domínio público ainda vivo. Para mim, isso é a máxima alegria, mas o mais importante é as pessoas terem se apropriado dessa obra. O Baile não é meu, é do público”, comemora Ronaldo o sucesso ao longo dos anos.

ACESSIBILIDADE

A preocupação para que qualquer espectador possa assistir ao Baile do Menino Deus acrescentou mais uma novidade ao espetáculo deste ano. Além de tradução em libras para surdos e mudos, pela primeira vez, a apresentação também contará com audiodescrição para cegos. “A gente já queria fazer isso há um tempo, mas não é fácil de realizar, por isso, só conseguimos incorporar agora”, explica o autor, sobre o recurso que veio para atender a muitos pedidos.

SERVIÇO
Baile do Menino Deus 2017
Dias 23, 24 2 25 de dezembro | Sempre às 20h
Acesso gratuito

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