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Cultura popular e artesanato

Cerimônia oficializa entrega de títulos de patrimônio ao Maracatu de Baque Solto e ao Cavalo Marinho

A entrega dos diplomas ao representantes das manifestações culturais ocorrerá neste domingo (24/05), no Engenho Cumbe, em Nazaré da Mata

Chico Ludemir

Caboclo de lança do Maracatu Cambinda Brasileira, Nazaré da Mata (2010). Crédito da foto: Chico Ludemir

Os Maracatus de Baque Solto e Cavalos Marinhos tornaram-se Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, através do reconhecimento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN em dezembro de 2014. Isso representou para os mestres e brincantes dessas expressões culturais a valorização dos saberes e práticas sociais que existem em cada grupo e que contribuem para a manutenção desses bens tão significativos ao Estado. A entrega dos diplomas deste título ocorrerá neste domingo (24/05), às 18h, no Engenho Cumbe, em Nazaré da Mata, como parte de uma vasta programação do 5º Encontro de Culturas Populares da Mata Norte, uma ação do Pernambuco Nação Cultural, romovida pela Secretaria de Cultura e Fundarpe, em parceria com a Associação de Maracatus de Baque Solto de Pernambuco.

Este processo de reconhecimento se insere no conjunto de ações de salvaguarda dos bens culturais imateriais de Pernambuco promovidos pela Secult, Fundarpe e Iphan. Entre estas ações, destaca-se a realização dos inventários de seis manifestações culturais em Pernambuco entre os anos de 2011 e 2014 – Maracatu de Baque Solto, Maracatu de Baque Virado, Caboclinhos, Cavalos Marinhos, Ciranda e Reisado.

“Celebrar a titulação dos maracatus de Baque Solto e dos Cavalos Marinhos de Pernambuco na cidade de Nazaré da Mata, durante o 5º Encontro de Culturas Populares da Mata Norte, faz parte do processo de reconhecimento dessas manifestações culturais nos seus territórios de existência e atuação, haja vista a presença majoritária dos maracatus e cavalos marinhos na Mata Norte de Pernambuco”, diz a presidente da Fundarpe Márcia Souto. Soma-se a esta ação o acompanhamento da Secretaria de Cultura de Pernambuco e Fundarpe frente às demandas dos Maracatus e Cavalos Marinhos de Pernambuco, na promoção de estratégias de valorização, reconhecimento e fomento a estes bens por meio da mediação para o acesso às políticas públicas de preservação do patrimônio cultural imaterial (a exemplo do Programa Nacional de Patrimônio Imaterial – PNPI).

Foto: Costa Neto

Costa Neto / Secult-PE

Cavalo Marinho Boi Pintado do Mestre Grimário, de Aliança. Crédito da foto: Costa Neto / Secult-PE

AÇÃO CONTINUADA – Para promover as ações de salvaguarda propostas pelos detentores destas manifestações, a Fundarpe voltará mais vezes à Mata Norte para realização de oficinas e Educação Patrimonial em escolas estaduais e municipais na região de abrangência desses bens culturais. Já estão previstas a realização, nos municípios da Mata Norte, das edições dos programas Diálogos Patrimoniais e da aplicação do Jogo do Patrimônio 2.0 (promovidos pela Gerência Geral de Preservação Cultural) em escolas estaduais e nos bairros e comunidades ligadas aos bens culturais imateriais registrados e aos Patrimônios Vivos de Pernambuco na região, a exemplo do Maracatu de Baque Solto Estrela de Ouro de Aliança.

Como ação de difusão dos Inventários para registro de bens culturais de natureza imaterial no estado de Pernambuco, também acontecerá no dia 27 de maio, às 14h, na Caixa Cultural do Recife, o seminário O Processo de Reconhecimento do Patrimônio Imaterial de Pernambuco: inventários do Maracatu Nação, Maracatu de Baque Solto e Cavalo-Marinho, que terá a presença dos coordenadores e pesquisadores dos inventários desses bens culturais, dos técnicos da Fundarpe e do Iphan de Pernambuco. Para este ano, objetiva-se ainda realizar nova edição do seminário na Mata Norte de Pernambuco.

Portanto, titular os Maracatus de Baque Solto e Cavalos Marinhos como Patrimônios Culturais Imateriais do Brasil é, antes de tudo, reconhecer a multiplicidade de estratégias, resistência e valorização que mestres e brincantes encontram para manter vivas as tradições desses bens culturais no estado de Pernambuco.

HISTÓRICO – O desenvolvimento dos Inventários para registro de bens culturais de natureza imaterial no estado de Pernambuco tornou possível conhecer e diagnosticar as condições de existência de grupos e mestres dessas expressões culturais por meio da escuta direta aos detentores culturais, da qual resultaram as Recomendações para Salvaguarda para cada um dos bens inventariados, transcritos nos seus respectivos dossiês de registro. Ainda por meio da realização dos INRC, chegaram-se às anuências dos detentores dos bens culturais para os pedidos de abertura de processos de registro no Iphan, pronunciados pelo então governador Eduardo Campos, em 13 de agosto de 2013, numa solenidade que aconteceu na sede provisória do Governo (Centro de Convenções – Olinda) e que contou com a presença de diversos maracatuzeiros e brincantes do Cavalo Marinho.

Maracatu de baque solto é transmitido entre gerações.

UM BREVE HISTÓRICO DAS MANIFESTAÇÕES:
Maracatu Baque Solto

O Maracatu de Baque Solto é visualmente reconhecido no país pelo caboclo de lança, personagem viril que, empunhando lança pontiaguda, movimenta-se com ruidosos chocalhos nas costas, flutuante cabeleira e vistoso figurino multicolorido. O emblemático caboclo de lança é, seguramente, a figura que mais se destaca. De outro personagem, o caboclo de pena, resvala semelhante aura de magnetismo. O cortejo real e os demais elementos que integram o folguedo formam com ambos – caboclos de lança e caboclos de pena – um conjunto vistoso, de apreciável plasticidade, cuja beleza não requer, a priori, explicação, exige fruição. Nesse espírito festivo do exibir-se por diversão e devoção, a brincadeira revela peculiaridades, detalhes da vestimenta, um olhar, uma cor, a expressividade dos rostos, o visual deslumbrante, o espetáculo minuciosamente preparado, a dança vigorosa, o frenesi dos instrumentos de sopro e percussão, os versos improvisados do mestre do apito. São fragmentos de complexa festa, da qual uma viagem antropológica capta flagrantes, sem a pretensão de dar conta de todo o reino do maracatu.

Costa Neto / Secult-PE

Encontro de Cavalo Marinho em Condado. Crédito da foto: Costa Neto / Secult. 2014.

Cavalo-Marinho

De forma sucinta, a brincadeira do Cavalo-Marinho é uma forma de expressão tradicionalmente realizada pelos trabalhadores rurais da região da Zona da Mata Norte de Pernambuco e sul da Paraíba durante o ciclo natalino. Trata-se de uma espécie de teatro popular que representa o cotidiano (presente e passado), real e imaginário, deste grupo social brasileiro por meio da poesia, da música, dos rituais e de seus movimentos corporais. Contém personagens com máscaras (figuras), variados tipos de danças, um rico repertório musical, a louvação ao Divino Santo Rei do Oriente, momentos de culto à Jurema Sagrada e a presença de animais ou bichos, como o Cavalo e o Boi. A brincadeira, que é comandada pelo Capitão, realiza-se num terreiro em formato de semicírculo, em lugares planos e, normalmente, ao ar livre. Antigamente, era praticado nos engenhos e usinas de açúcar. O brinquedo tem suas raízes consolidadas nas senzalas como cultura produzida pelos negros escravizados oriundos da África.

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