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Cultura popular e artesanato

Comunidades ciganas e poder público discutem políticas de Estado

Atividade foi realizada pela Associação dos Ciganos de Pernambuco (ACIPE), com apoio da Secretaria de Cultura e Fundarpe

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Mesa de abertura

Por: Roberto Moraes Filho

Promovendo o diálogo entre representantes de povos ciganos, instituições públicas e lideranças religiosas, o 1º Seminário sobre a Cultura Cigana em Pernambuco foi realizado nesta terça-feira (15), no Teatro Arraial Ariano Suassuna. As observações dos participantes sobre políticas públicas destinadas às comunidades ciganas nas áreas de saúde, educação e cultura vão embasar a formação de um Comitê de Preservação da Cultura Cigana no Estado.

O seminário, promovido pela Associação dos Ciganos de Pernambuco (ACIPE), contou a representante do Ministério Público de Pernambuco e Minstério Público Federal, promotora Bernadete Figueiroa; Enildo Kalon, presidente da ACIPE; Pe. Roberto de Andrade, da Igreja Ortodoxa da Europa na América Latina; Samuel da Luz Barros, gestor de Política de Promoção da Igualdade Racial do Recife; Francisco de Assis, articulador regional de Povos Tradicionais e Populações Rurais da Secult-PE; entre representantes da sociedade civil e de comunidades ciganas.

Para a promotora do MPPE, Bernadete Figueiroa, persiste o desafio de garantir em lei políticas públicas que preservem e ampliem direitos dessas comunidades tradicionais.

“É preciso que, a partir de um projeto que contemple as demandas levantadas, classifiquemos todas as comunidades ciganas existentes no Estado, indicando suas tradições e objetivando que a cultura cigana também seja mais conhecida pela sociedade, através de suas principais datas e ações comemorativas”, exemplificou Bernadete.

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Para o gestor de Política de Promoção da Igualdade Racial do Recife, Samuel da Luz Barros, “é importante envolver a sociedade, as universidades, num esforço para que as culturas ciganas possam ser inseridas nas políticas de educação e preservação de suas tradições. Nada se faz apenas com leis. Se o Estado é racista em termos de não inserir a cultura cigana, as leis não irão conseguir avançar neste processo de construção”, avaliou.

Francisco de Assis, articulador regional de Povos Tradicionais e Populações Rurais da Secult-PE, destacou as ações que vêm sendo realizadas em prol das culturas das comunidades ciganas. “Nós, da Secult-PE e Fundarpe, conseguimos inventariar até o momento, durante 8 anos de gestão, o total de 10 comunidades ciganas. Com isso, conseguimos desmistificar muitos pontos desconhecidos da sociedade sobre estas culturas, além de promover ciclos de capacitações dos editais públicos oferecidos pelo Governo do Estado. Entre outras demandas atendidas, partimos para a inserção de ações culturais nestas comunidades, através de programações realizadas durante o Festival de Inverno de Garanhuns e Festival de Cinema de Triunfo, mas ainda é preciso entender que as situações dos povos ciganos, especialmente no interior do Estado, ainda necessitam de um olhar mais próximo, para que de fato estas demandas sejam inseridas com maior densidade”, ressaltou Francisco.

Entre outros pontos de discussão levantados, destaque para a Lei estadual dos Povos Tradicionais, que tem como marco de conquista a Caminhada dos Terreiros de Pernambuco, que abre oficialmente as comemorações em torno do mês da consciência negra no Estado, além das festividades de Santa Sara Kali, padroeira dos ciganos. “Em 2016, que será um ano marcado por conferências, uma das ações culturais que irão favorecer os povos ciganos, será a realização da Missa Campal e Festa de Santa Sara, que está prevista para ser celebrada em maio, na Praça de San MartiN”, adiantou o Pe. Roberto de Andrade.

No decorrer do seminário, outros temas surgiram, como a importância da preservação da identidade cultural cigana, promoção de direitos e cidadania, além da garantia de documentos, saúde e educação nas comunidades ciganas. A atividade contou com apoio do Governo de Pernambuco, através da Secult-PE e Fundarpe.

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