Pular a navegação e ir direto para o conteúdo

O que você procura?
Newsletter

Cultura popular e artesanato

Kleber Araújo lança no Recife o CD ‘Cinema Novo’

Lançamento acontece no sábado (28), durante a tradicional confraternização dos arcoverdenses na capital pernambucana. O álbum traz parcerias com o Coco Raízes de Arcoverde, Lídio Vaz e Tonino Arcoverde.

Foto: divulgação

Por: Roberto Moraes Filho

O cantor e compositor arcoverdense Kleber Araújo, estará lançando no próximo sábado (28), no Recife, o seu terceiro trabalho musical. Intitulado de ‘Cinema Novo’, o álbum evoca a tradição cultural do Sertão do Moxotó, agregando composições em parceria com o Coco Raízes de Arcoverde e com os músicos Lídio Vaz e Tonino Arcoverde. O lançamento do CD acontece durante o evento Confraternização dos Arcoverdenses, a partir das 12h, no Restaurante Pai D’égua, localizado no bairro da Cidade Universitária, onde também serão realziadas as apresentações dos músicos Paulinho Leite e Mazinho de Arcoverde.

Em entrevista ao Portal Cultura PE, o músico falou um pouco sobre o novo trabalho musical, a carreira artística, e a atuação como integrante do Coletivo Cultural de Arcoverde (Cocar), que há 6 anos possibilita no município sertanejo a valorização de artistas populares e a luta por incentivo para que as produções culturais realizadas na região, possuam reconhecimento e maior visibilidade no cenário pernambucano.

O próximo projeto musical que Kleber também está a frente, irá proporcionar uma homenagem ao mestre sanfoneiro João Silva, falecido em 2013. O CD ‘João Silva para sempre’, que se encontra em fase de finalização, conta com incentivo do Governo de Pernambuco, por meio do Funcultura, e está previsto para ser lançado no próximo ano.

Sobre o CD ‘Cinema Novo’, seu terceiro trabalho musical, quais os critérios utilizados para compor o repertório? E quais parcerias foram importantes nesta realização?

Kleber Araújo - Além das músicas de nossa autoria, nós incluímos seis canções de compositores arcoverdenses, que tivessem alguma vinculação com a ideia central do trabalho, que é a temática do povo sertanejo cantada pelos seus poetas.
Este CD é feito de parcerias. Primeiro com os compositores que concordaram em ceder suas músicas, sem ao menos conhecer os arranjos, foi na base da confiança mesmo.
Depois tivemos participações luxuosíssimas. O Coco Raízes de Arcoverde, na faixa “A Sergipana” (Assis Calixto), a poetiza Edilza Vasconcelos, declamando o poema “Minha Cidade” (Jane Sousa), a cantora Renata Cordeiro na canção “Xote do Sabiá” (Tonino Arcoverde) e o repentista Lídio Vaz, fazendo a vinheta de abertura na faixa “Viola Nordestina” (Kleber Araújo).
Outras pessoas que tiveram participações diretas no CD Cinema Novo foram a poetiza Jane Sousa, com o belo poema Minha Cidade e Amannda Oliveira, que cedeu a foto dos tamancos do Samba de Coco, que está no encarte.
Não poderia deixar de mencionar, os músicos que participaram das gravações, em especial Sérgio Coringa, que fez os arranjos, executou as sanfonas e dirigiu os trabalhos de estúdio. Foi um dos grandes incentivadores do projeto.
Aproveito a oportunidade para convidar a todos para o lançamento desse trabalho em Recife, que acontecerá na Confraternização dos Arcoverdenses em Recife, sábado (dia 28/11), no Restaurante Pai D´Égua, na Cidade Universitária. Lá teremos um momento cultural marcante com o lançamento do Livro Coração de Nego, da arcoverdense Verônica Brayner, sendo que a parte musical fica por conta de Kleber Araújo, Tonino Arcoverde, Marzinho, Paulinho Leite, Alfredo Júnior e da Super OARA.

Desde o início de sua carreira musical até hoje, cada álbum possuiu algum tipo de prioridade para ser apresentado ao público ou o processo de criação foi surgindo naturalmente?
 
Kleber Araújo - O disco “Frevo, Amor e Confete”, gravado em 2007, teve como foco fazer um registro de composições próprias e de músicas pouco conhecidas de outros compositores, em uma homenagem ao Centenário do Frevo. Nesse disco a preocupação maior foi deixar uma marca naquele momento histórico para a música pernambucana.
Em 2011, fizemos o CD “Dois no Frevo”, cujo objeto era colocar em evidência a maravilhosa parceria que tive com o saudoso Maestro Josias Lima e ao mesmo tempo reverenciar o Frevo, ritmo que representa tão bem a nossa identidade cultural, mas que é tão pouco executado. A vontade de fazer o disco surgiu quando compus em parceria com Josias o Frevo-Canção “Frevo das Rosas”, o qual teve excelente classificação no concurso promovido pela Fundação de Cultura da Cidade do Recife, sendo interpretada por Josildo Sá.
O “Cinema Novo”, como já falei, tem como gênero predominante o forró tradicional e teve como inspiração a vida do nordestino decantada por seus artistas. As composições de nossa autoria foram pinçadas do caderno de composições, que começou a ser escrito há mais de 15 anos, e as demais músicas foram escolhidas de forma a dar uma unidade ao projeto.

Em relação ao cantor e compositor João Silva, o que ficou de mais gratificante do seu convívio com ele e das aprendizagens musicais adquiridas?
 
Kleber Araújo - O rápido convívio com o Mestre João Silva, pois só o conheci depois que ele veio morar em Recife por volta de 2011, deixou como principal ensinamento a capacidade de cantar as coisas da sua terra de uma forma simples, porém com muito lirismo e beleza. A facilidade com que João, sem ser simplório, conseguia retratar em suas canções a natureza, o amor e coisas do cotidiano do homem comum me deixaram e deixam até hoje muito impressionado.
Outra qualidade que deve ser louvada no Mestre das Caraíbas é a sua disciplina no trabalho. Mesmo sendo um compositor com grande reconhecimento já numa idade avançada, João Silva compunha quase que diariamente e sempre tinha pérolas musicais guardadas no seu baú.
Uma curiosidade nessa aproximação foi o fato de ter me tornado parceiro de João Silva e Luiz Gonzaga. Isso se deu quando João permitiu que eu colocasse a letra num frevo instrumental da dupla. Surgiu então “Sol de Olinda”, gravado no CD Dois no Frevo.

O que o público pode aguardar do álbum ‘João Silva para sempre’? E qual a previsão para o mesmo ser lançado?
 
Kleber Araújo - O álbum terá 18 músicas, quase todas inéditas, fato que demonstra o grande vigor produtivo de João Silva nos últimos meses de sua vida. Essas músicas receberam belos arranjos do Sanfoneiro Mestrinho e serão interpretados por grandes nomes da música brasileira, a exemplo de Maciel Melo, Gilberto Gil, Elba Ramalho, além de outros artistas que tiveram vinculação com João, seja em parcerias musicais ou interpretando suas músicas. O próprio João Silva fará uma participação póstuma na primeira e última faixas, que já haviam sido gravadas pouco antes de sua partida.
Tive a felicidade de ter meu nome lembrado neste projeto, onde vou interpretar “Porteira do Sertão”, mais uma homenagem que João Silva fez a nossa terra, Arcoverde.
Segundo informações do produtor do CD, José Maria Marques, que também é o biógrafo de João Silva, o lançamento ocorrerá até o São João de 2016.

De poesia popular, cordéis, coco, literatura, até o ciclo junino da cidade de Arcoverde, o que você como músico e integrante de um coletivo comprometido em valorizar os artistas e produções locais, considera fundamental para o crescimento do segmento de cultura no município?
 
Kleber Araújo - Nós, desde a fundação do Coletivo Cultural de Arcoverde – COCAR, em 2009, temos lutado pela criação do Sistema Municipal Cultura, principalmente com a implementação de um Conselho de Políticas Culturais, onde as pessoas que fazem cultura possam expressar seus desejos, suas prioridades, enfim, possam participar das decisões sobre política cultural em Arcoverde. Isso é fundamental.

Na sua opinião, quais medidas ainda precisam ser adotadas para que as políticas públicas culturais voltadas para o Sertão do Moxotó sejam mais estruturadas?
 
Kleber Araújo - Precisamos de mais incentivo para os artistas, principalmente no sentido de que eles tenham meios para manter suas atividades culturais, falo de oportunidade para apresentar seus trabalhos e gerar renda que permita tirar o seu sustento do ofício artístico.
Os entes públicos e empresas privadas bem que poderiam promover e patrocinar mais ações voltadas à divulgação dos nossos valores culturais na mídia, nas praças, nas escolas, enfim em todos os lugares onde a cultura local não precisasse ficar de cabeça baixa, frente à força da indústria do entretenimento.

Em meio ao cenário que a cidade enfrenta atualmente, o que motiva você a lutar através do Coletivo Cultural de Arcoverde (Cocar), para que músicos, poetas, escritores e artistas populares, possam ter maior visibilidade de suas produções culturais?

Kleber Araújo - O que nos move é saber que, em meio a tantas dificuldades, há muita gente boa disposta a produzir sua arte, e que essas pessoas na sua grande maioria permanecem invisíveis para a população de sua terra. São artistas valorosos que em muitos casos almejam tão somente o reconhecimento pela contribuição que deixam para a cultura de nossa região.
É a estas pessoas que o COCAR tem dedicado todo o seu esforço, de modo possibilitar que venham a receber a atenção que merecem.

< voltar para home