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Cultura popular e artesanato

Mestres da cultura popular animam o FIG 2014

Costa Neto

Por: Roberto Moraes Filho

A programação do Palco Cultura Popular realizada no sábado, 19 de junho, demonstrou que mesmo sob chuva e o grande frio da temporada em Garanhuns, é possível oferecer ao público um momento rico de vivência das nossas tradições culturais.

Grupos como o Bacamarteiro Mandacaru, o Maracatu Carneiro Manso, o Afoxé Ogben Obá, a Troça Carnavalesca Mista A Bela da Tarde, entre outros que integraram o primeiro dia do polo, deram o tom especial da dança e da música popular, para que visitantes e moradores admirassem um espetáculo originalmente convidativo e abrangente na diversidade cultural.

Entre as atrações mais aguardadas, o Maracatu Estrela Brilhante de Igarassu, Patrimônio Vivo da cultura pernambucana, encantou o público com uma apresentação marcada pelas fortes batidas de suas alfaias, sob o comando de Gilmar de Santana Batista, mestre dos batuqueiros e presidente do grupo. “É uma satisfação muito grande estar participando do FIG pela 3ª vez. Fizemos nossa apresentação hoje como realmente manda a tradição, preparados com o que está no sangue”, comentou o mestre.

Costa Neto

Originado dos movimentos de baque virado da Ilha de Itamaracá, a tradição do Estrela Brilhante de Igarassu vem sendo mantida pelo repasse de suas funções de geração em geração. Um dos exemplos é o pequeno Artur Miguel, que com apenas 5 anos já integra o grupo de batuqueiros. Bisneto de Dona Olga, matriarca do grupo que faleceu em agosto do ano passado, Artur disse que estava muito feliz em participar pela primeira vez do festival como batuqueiro, ao lado de familiares que, em sua maioria, também possuem funções no maracatu.

Para a garanhuense Cristiane Araújo, 35 anos, que acompanhava algumas apresentações do polo, a beleza em assistir o maracatu também está nos detalhes dos figurinos de personagens como a dama do passo, o porta-estandarte, o rei e a rainha. “É possível se contagiar com o ritmo da batucada e também observar confecções de uma cultura que se torna mais presente em eventos como este”, ressaltou.

Finalizando o polo deste sábado, a popular rainha do coco, Dona Selma, acompanhada de suas netas Jaqueline, Gabriela, Adriana, Sabrina e Taeni, subiu ao palco sendo entoada pelo público com “Agora o coco me chama”. Muito satisfeita por estar em Garanhuns, Selma do Coco saudou a todos e sua única reclamação durante o show foi: “Que frio é esse? Afê Maria!”, provocando a gargalha de muitos. Cocos como “Meu Sabiá”, proporcionaram muita dança no palco e na plateia, em uma percussão composta por pandeiros, batuques e bombos. Ao final da apresentação, o público pediu e Dona Selma atendeu, cantando a composição de coco mais conhecida de sua carreira: “A Rolinha”.

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Jaqueline, vocalista do conjunto que acompanha Dona Selma, disse ao final do show que “Ela continua muito bem no palco. Mas nós, suas netas, já estamos preparadas para darmos continuidade à sua carreira”. Selma, que também é patrimônio vivo da cultura pernambucana, encerrou nossa conversa contando que sua única atividade nos palcos é cantar o que vier a mente envolvendo o coco, cantando o que sabe e da maneira que gosta de fazer.

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