Pular a navegação e ir direto para o conteúdo

O que você procura?
Newsletter

Cultura popular e artesanato

Mulheres patrimônios vivos tiveram semana de encontro no Cais do Sertão

PH Reinaux / Secult PE – Fundarpe

PH Reinaux / Secult PE – Fundarpe

Semana da Mulher no Cais reuniu patrimônios vivos para rodas de diálogo

Histórias, desafios e perspectiva das mulheres Patrimônios Vivos de Pernambuco foram o destaque do evento organizado para marcar a semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher. Por três dias, artistas e pessoas ligadas ao mercado e ao suporte às produtoras e detentoras da cultura popular participaram da roda de conversa no Centro Cultural Cais do Sertão. A Semana da Mulher no Cais foi realizado pela Fundarpe em parceria com a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper). Os encontros aconteceram entre quarta-feira (11) e sexta-feira (13), sempre à tarde, na Sala Todo Gonzaga. Completando a homenagem a entrada no museu é gratuita para mulheres até o domingo (15).

Cada dia teve um tema como norte do debate. Na primeira tarde, a conversa tratou da atividade de partejar, mantida há mais de 60 anos por Maria dos Prazeres de Souza, a Dona Prazeres, 82 anos. Com mais de cinco mil partos no currículo, ela participou da conversa com a parteira Dani Siqueira e a psicóloga Dan Gayoso, que atua na preparação e assistência ao parto como educadora perinatal e doula. A mediação é da antropóloga Elaine Müller (UFPE).

Para Michelle Assumpção, jornalista da Secult-PE/Fundarpe, que mediou a roda de conversa do segundo encontro, o conteúdo está todo concentrado nessas mulheres. “Não adianta que a gente tente contar essas histórias, porque são muitas e é tudo muito rico. Quando a gente dá o microfone para que elas próprias narrem suas vidas, aí sim estamos fazendo a verdadeira comunicação”, afirmou.

PH Reinaux / Secult PE – Fundarpe

PH Reinaux / Secult PE – Fundarpe

Índia emocionou a todos com seu relato de resistência circense

E assim foi. Por mais de uma hora, a repentista Mocinha de Passira, a circense Índia Morena e a brincante Cristina Andrade presentearam os ouvintes com histórias de suas trajetórias pessoais e artísticas, muitas vezes emocionando a todos. Índia, por exemplo, lembrou que começou a vida no circo porque estava interessada no corte de tecido oferecido como prêmio em um concurso. Venceu, mas não parou por aí.  “Ganhei, mas nada naquele circo me fez querer ir embora”. Enfrentou preconceito, acidentes (chegou a ter o corpo quase todo imobilizado após uma queda em ação) e até violência doméstica para se manter firma no próposito da arte circense. “Eu não fui feliz na minha vida pessoal, não fui feliz na minha vida amorosa, mas fui feliz na minha vida artística”, concluiu a artista.

Em comum entre todos os relatos está sempre o machismo. “Havia resistência inclusive das mulheres, porque elas queriam cantar e não podiam”, lembra a repentista. Cristina Andrade, entre pastoril e ciranda, recorda de quando não era possível contar com o poder público para fazer a arte acontecer: “A gente não tinha dinheiro nem para comprar as lantejoulas, por exemplo. Minha mãe comprava papel laminado, cortava em bolinhas e colava na roupa”, detalhou. Programa do governo estadual previsto em lei desde 2002, o Patrimônio Vivo recebe apoio financeiro para manter e transmitir seu conhecimento cultural para a geração atual e as próximas.

Jan Ribeiro/ Secult PE - Fundarpe

Jan Ribeiro/ Secult PE - Fundarpe

O último dia foi dedicado ao artesanato e aos negócios, com presença de Neguinha

No último dia de evento, representantes do artesanato em Pernambuco falaram ao lado de pessoas envolvidas na missão de desenvolver mercado para que o fruto do trabalho dessas mulheres encontre consumidores. A mediadora foi a coordenadora de Artesanato da AD Diper, Maria do Socorro Leão, com participação da gestora do Museu do Barro de Caruaru (equipamento cultural gerenciado pela Secult-PE/Fundarpe), Maria Amélia Campello, e de Neguinha, artesã.

< voltar para home