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Cultura popular e artesanato

“Todo mundo pode ser neta de Selma”

Apresentação no Palco de Cultura Popular do FIG reuniu a família e aliviou a saudade de Dona Selma do Coco

Por: Marina Suassuna

Um dos polos mais movimentados do FIG, o Palco de Cultura Popular sempre cumpriu um papel importante de reverenciar os patrimônios vivos de Pernambuco. Um deles foi Selma do Coco, que costumava se apresentar com frequência no festival antes de falecer em 2015, aos 85 anos. Este ano, o FIG está sendo palco da perpetuação de seu legado pela sua família, que formou o grupo As Netas de Selma do Coco, que foram destaque da programação da última segunda-feira (25), no Palco de Cultura Popular.

Laís Domingues

Laís Domingues

De Olinda, o grupo ‘Netas de Selma’ pôs todo mundo pra dançar coco em Garanhuns

Com um público sempre cativo, o polo novamente ferveu de gente, que recebeu com muita animação o legado mantido pelo grupo. A vivência e a história deixadas por Selma são incorporadas pelo grupo no palco com muito orgulho.”Selma do Coco se apresentou pela última vez no FIG em 2014, mas ela deixou esse legado conosco e jamais vamos deixar o nome de Selma morrer. Sabe quando isso vai acabar? Nunca. Porque a cultura popular a gente traz na veia. É um dos segmentos mais bonitos que a gente tem aqui em Pernambuco. Eu morro, mas vai ficar minha filha, meu neto, e assim vão dando continuidade ao nosso segmento”, disse Jaqueline Leite, nora de Dona Selma, durante a apresentação.

O grupo nasceu há quatro anos, quando Selma ainda era viva. Atualmente, as Netas mantém o Instituto Cultural Mestres de Pernambuco em homenagem a Selma do Coco, no Amaro Branco, Olinda, onde se encontram para ensinar coco, ciranda e maracatu. “Seja no sol, na chuva, no calor, a gente sempre estava em cima do palco junto com ela. Viajávamos sempre em família. Atualmente, o grupo de Selma tem de 10 a 12 integrantes que somos nós, Poliana, Sabrina, Camila, Gabriela e Jaqueline mais as pessoas que vão chegando e que a gente vai agregando. Neto de Selma é todo mundo que gosta de coco de roda. Porque Selma foi quem botou o coco de roda na rua. Então eu sou neta de Selma, você também é. Todo mundo pode ser neta de Selma”.

Laís Domingues

Laís Domingues

Jaqueline Leite é nora de Selma e ajuda a perpeturar o legado da artista popular

Selma do Coco

Nascida em 1929, em Vitória de Santão, Selma do Coco chegou no Recife aos 15 anos. Por décadas, dedicou-se ao coco de roda. Com vários discos laçados, entre eles três coletâneas gravadas na Alemanha e uma na Bélgica, a coquista também já cantou no Lincoln Center Festival, em Nova Iorque e teve seu trabalho espalhado por vários cantos do Brasil e em países como França, Espanha, Suíça, Portugal. A rolinha e Morena do Dente de Ouro estão entre os seus grandes sucessos que reinaram quase absolutos. Selma foi considerada Patrimônio Vivo de Pernambuco, falecendo em 9 de maio de 2015. Como principal legado, deixou sua contribuição para a consolidação do coco como referência da nossa identidade.

Costa Neto

Costa Neto

Dona Selma durante sua última passagem pelo FIG, em 19 de julho de 2014

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