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Cultura Viva

Mais de 600 pessoas participaram das oficinas do FIG 2016

Por: Marina Suassuna

O resultado das ações formativas desenvolvidas ao longo do Festival de Inverno de Garanhuns pôde ser conferido pelo público na última sexta-feira (29), no Parque Euclides Dourado, onde aconteceu a culminância dos trabalhos desenvolvidos com mais de 600 participantes num total de 40 oficinas. Foram contempladas oficinas em 12 linguagens artísticas, entre elas circo, teatro, dança, literatura, patrimônio, cultura popular e artesanato. Dos 117 pontos de cultura de Pernambuco vinculados à Fundarpe e Secult-PE, 19 deles participaram das ações, incluindo apresentações artísticas e oficinas.

Rodrigo Ramos

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Euclides Dourado viveu tarde de apresentações culturais e mostra dos produtos realizados

De uma forma geral, as ações foram muito bem recebidas em todos os 7 polos: Aesga, Casarão dos Pontos de Cultura (escola Henrique Dias), CAIC, Caiquinho, CDL, Abrigo São Vicente de Paulo e no Quilombo de Castainho. Além das oficinas, os participantes também puderam participar de rodas de conversa. “Tivemos uma grande diversidade de interesses, possibilidades e oportunidades. Porque essas oficinas, para muitas pessoas, são uma porta de entrada para uma nova profissão. Para outras, é um processo de reciclagem e para outras significa um processo de descoberta de algo que gosta de fazer e que vai preencher uma curiosidade cultural e artística ou uma vontade de criar e fazer algo diferente. Então essas oficinas têm essa característica multifacetada e são também uma oportunidade de lazer mesmo”, avalia Tarciana Portella, gerente de Formação Cultural da Secult-PE.

Rodrigo Ramos

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A gerente de Formação Cultural da Secult, Tarciana Portella, comemorou o sucesso das ações

Esse ano, pela primeira vez, o festival realizou oficinas no CAIC e no Caiquinho, que são estruturas de educação integral, um para jovens e outro para crianças. Outra novidade foi uma ação voltada para um abrigo de idosos, que, segundo Tarciana, chegou como uma possibilidade de lazer e de integração. Uma das curiosidades este ano foi a participação de três jovens atendidos pela Funase, que participaram da oficina de Música Freeletrônica, ministrada pelo facilitador Clécio Rimas. Um deles, identificado pelas iniciais WLS, demonstrou bastante entusiasmo com a oportunidade. “Queria poder participar mais vezes dessas oficinas. Foi muito legal, principalmente por conta da educação do professor, pelo jeito como ele fala com a pessoa. É um negócio importante a gente estar fazendo isso, sair na rua e, quem sabe, talvez até fazer sucesso como o professor falou”, refletiu o adolescente.

Rodrigo Ramos

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Clécio Rimas ministrou a oficina de música eletrônica

A acessibilidade e a inclusão social foram garantidas em todas as atividades. Na oficina de bordado, por exemplo, houve duas alunas com deficiência auditiva que conseguiram acompanhar as aulas graças aos tradutores de libras. Ministrada pelo professor Lindolfo Amaral, de Aracaju, a oficina de teatro contou com a presença de uma aluna com deficiência visual, a estudante de pedagogia Rosana Alves. Neste caso, Lindolfo fez alterações na sua metodologia de ensino para incluir a aluna. “Pra mim, que sou deficiente visual, é muito difícil participar dessas coisas sem uma acompanhante. Inclusive, umas amigas minhas fizeram inscrição na oficina junto comigo, mas faltaram as aulas. Só foi uma delas e eu fui sozinha no primeiro dia. Se o professor não tivesse feito esse trabalho de inclusão comigo, eu não teria retornado ao restante das aulas. Tanto ele como a turma fizeram com que eu me sentisse muito à vontade. Tanto é que eu compareci às cinco aulas, não faltei nenhum porque eu queria mesmo estar lá”, declarou Rosana.

Rodrigo Ramos

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Rosana contou com apoio do professor e da turma

De acordo com Lindolfo, o plano de aula foi revisto não para incorporar Rosana, mas especialmente a turma na perspectiva de uma pessoa que não tem visão. “Nossa educação e nossa cultura foram todas construídas para a luminosidade. Não fomos educados para o escuro. Quando a gente entra num espaço escuro, perdemos a noção desse espaço e como eu sabia que Rosana não tinha essa noção, comecei a apresentar vários exercícios pra ela sobre a escuridão e como ela pode se deslocar num espaço onde ela não conhece. A turma foi muito aberta à mudança de proposta, que é também uma mudança de paradigma. Sempre que elaborava a aula pro dia seguinte, eu pensava em Rosana. Ela desenvolveu cenas fantásticas, infinitamente melhor do que alguns alunos com visão. Tivemos que trabalhar o tempo inteiro com descrição. Quando dizíamos que a personagem estava chateada, ela sabia dosar a voz, dosar como seria a voz de um personagem agressivo e de um personagem alegre. Ela foi desenvolvendo novas aptidões. Os colegas se envolveram e se adaptaram rapidamente”, avalia Lindolfo.

Facilitador da oficina de Fotografia Multimídia, Iezu Kaeru, que também apresentou seu trabalho na Casa Galeria Galpão com a exposição Tatá Raminho de Oxóssi – A Imagem da Resistência ressaltou o impacto das ações formativas dentro do Fig. “A cada ano vai se comprovando que as pessoas se interessam, tem público, tem contingente. Eles passam todos os dias com a gente desenvolvendo trabalhos autorais, vivenciando experiências que causam rupturas, que melhoram eles e elas como pessoas, e se emocionam. E fotografia é uma coisa que emociona. A equipe de produção é sempre disposta, pronta a ajudar o facilitador. Tudo isso gera um potencial de realização muito grande”.

Rodrigo Ramos

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Participantes tiveram a oportunidade de exibir seus trabalhos

Um dos impactos causados pelas ações formativas é a união e a troca entre pessoas de origens distintas. Foi assim com a oficina de Dança Teatro, ministrada pela facilitadora Marina Milito. “Minha oficina juntou dezenove participantes de cidades, formações e idades diferentes. No início, deu até um pouco de medo. Eu pensei: meu deus, o que a gente vai fazer? Mas acabou sendo um encontro muito rico, conseguimos a união do grupo. Eles conseguiram trabalhar a escuta, a consciência corporal, a criatividade, o trabalho coletivo e conseguimos um resultado bem positivo. Finalizamos com um gostinho de quero mais”, avaliou Marina.

Uma de suas alunas, Bárbara Espíndola, de 20 anos, esteve pela primeira vez no FIG e mergulhou de cabeça na oportunidade. “Foi uma experiência diferenciada pra mim porque eu faço licenciatura em teatro na UFPE e tudo que eu faço no curso é com pessoas da área. Ver os exercícios funcionando com gente que não é de teatro aqui no FIG foi fantástico, foi mágico. É muito importante vocês estarem disponibilizando isso pra outras pessoas, principalmente pra pessoas que não tem acesso”.

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