Pular a navegação e ir direto para o conteúdo

O que você procura?
Newsletter

Espaços culturais

Cinema São Luiz exibe “Terra em Transe”

O longa será exibido nesta segunda-feira (14), às 19h30

Divulgação

Divulgação

Em 2015, a Associação Brasileira de Críticos de Cinema elegeu o longa de Glauber Rocha como um dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos

O Cinema São Luiz exibe nesta segunda-feira (14), às 19h30, o filme Terra em Transe (1967), grande clássico do cinema novo, dirigido pelo diretor baiano Glauber Rocha. A exibição integra a programação da 3ª Mostra Ambiental do Recife (MARÉ), que desde a última segunda-feira (7) tem ocupado vários espaços da capital pernambucana, como Jardim Botânico, UFPE e a comunidade da Ilha de Deus, com filmes, saraus, oficinas, debates e atividades culturais.

Segundo o coordenador da mostra e produtor cultural Rafael Buda, neste ano a MARÉ pretende trazer à tona questões que, apesar de urgentes, não são debatidas com profundidade. “A 3ª MARÉ se consolida com um debate urgente sobre a cidade que temos e a cidade que queremos. Seus conflitos, a interação do homem com o meio ambiente e as lutas políticas atuais são fios condutores para uma reflexão que permeia toda a programação. Assim, como o fluxo da maré, apresentamos filmes que traduzem esse sentimento e escancaram nossas contradições”, afirmou.

Até a próxima quarta-feira (14), o Cinema São Luiz será a casa da MARÉ, numa programação com mesas de debate e filmes exibidos no padrão profissional DCP, com entrada ao preço único de R$ 5 (a bilheteria abre às 18h). Seis filmes serão exibidos, quatro deles inéditos no Recife: os curtas Em busca da terra sem males (RJ), de Anna Azevedo (lançado no último Festival de Berlim); Dia de pagamento (PE), de Fabiana Moraes; Nanã, de Rafael Amorim; e os longas O botão de pérola (El botón de nacár), de Patricio Guzmán (vencedor de dois prêmios no Festival de Berlim); Cidades Fantasmas, de Tyrell Spencer (vencedor do Festival É Tudo Verdade 2017); e a sessão comemorativa de 50 anos de Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha. Antes de cada sessão será formada uma mesa com debatedores que tratarão sobre os temas: “Terra em Transe – 50 anos depois num país em transe”; “A contradição do capital tem gênero, cor e orientação sexual”; e “O colapso ambiental e a segunda natureza”.

Confira aqui a programação completa da 3ª MARÉ.

Terra em Transe – Cinquenta anos após seu lançamento, o filme Terra em Transe, de Glauber Rocha, que refletia sobre a sociedade brasileira da década de 60, continua muito atual dentro da conjuntura política do país. Após ser restaurado em 2007 por Paloma Rocha, cineasta e filha do Diretor do filme, a obra voltou as salas de cinema nesse ano de 2017. A MARÉ será a responsável pela primeira exibição no Recife, no dia 14 de agosto, as 19h30. A sessão será precedida pelo debate: “Terra em Transe – 50 anos depois num país em transe”, que contará com a participação de Alexandre Figueiroa, que é professor e crítico de cinema, e com mediação de Luiz Joaquim, também professor e crítico de cinema.

Eixos temáticos - Nessa edição, a MARÉ não abordará uma única temática, como em edições anteriores. Três temas guiarão as sessões de exibição, assim como os debates e demais atividades. Os desafios da mobilidade urbana, a luta pelo direito à moradia, o desmonte dos espaços públicos coletivos e outros tópicos estarão reunidos no debate acerca das Cidades & Conflitos. Já o processo de homogeneização das tradições e culturas, provocadas pela globalização, serão refletidas no eixo Povos & Territórios, que discutirá a busca por um equilíbrio entre o desenvolvimento e a valorização da cultura popular, o respeito pelas diferentes etnias e a manutenção dos povos tradicionais.  E como não poderia deixar de ser em uma mostra ambiental, problemáticas atuais envolvendo Ecossistemas & Biodiversidade serão discutidas.

Atividades Formativas - A MARÉ será dividida em duas etapas. A primeira, de 07 a 11 de agosto, com a realização das oficinas de Sensibilização Ambiental (com Daniele Carvalho, bióloga, professora, educadora ambiental e coordenadora de formação da MARÉ) e Vídeo ambiental (com Lilian Alcântara, cineasta), na Escola Professor José da Costa Porto, localizada na Ilha de Joana Bezerra (comunidade do Coque) e na Escola Poeta Jonatas Braga, em Campo Grande. A segunda etapa acontece entre os dias 12 e 18 de agosto, com a apresentação da mostra audiovisual, debates e atividades culturais no Jardim Botânico do Recife, no Cinema São Luiz, na UFPE e na Ilha de Deus.

Jardim Botânico - Seis curtas-metragens abrem a MARÉ no Jardim Botânico do Recife: História Natural (PE), de Júlio Cavani; Retratos da Alma (DF), de Leo Bello; Ruínas (PE), do coletivo Jacaré Vídeo; Frequências (PE), de Adalberto Oliveira; Disforia Urbana (PE), de Lucas Simões; e Da margem do rio o mar (GO), de Rei Souza. Nesse dia, também será ofertada uma oficina de Sensibilização Ambiental. Já no segundo dia, a MARÉ continua no Jardim botânico e apresenta mais quatro curtas-metragens: a ficção paulista Animais (SP), de Guilherme Alvernaz; Exília (PE), de Renata Claus; Lá do alto (RJ), de Luciano Vidigal; e Em busca da terra sem males (RJ), de Anna Azevedo. O Sarau Poético Cordel Animado fecha a programação do Jardim Botânico.

Sessão guerrilha + debate na UFPE - Na quinta-feira (17) a MARÉ chega ao Centro de Artes e Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (CAC-UFPE), com o SLAM Poético do coletivo recifense “Controverso Urbano” e a Sessão Guerrilha, seguida do debate “A produção e o espaço de gentrificação da cidade”.

Encerramento - No último dia de atividades, a MARÉ chegará na comunidade da Ilha de Deus, que fica localizada no bairro da Imbiribeira. Os presentes participarão de uma visita guiada e ao chegar na comunidade, serão recepcionados pelo Sarau Poético “As Cumade”. Logo após, será formada uma mesa com o tema “Fissura no capital e o turismo de base comunitária” e serão exibidos, na sequência, cinco curtas: os pernambucanos Pequena área, de Tiago Martins Rêgo e Sebba Cavalcante; Fora Presídio, do Coletivo Ficcionalizar; Fotograma, de Luís Henrique Leal e Caio Zatti; Iluminadas, de Gabi Saegesser; e o baiano Latosolo, de Michel Santos.

Saraus – Nessa edição, a MARÉ contará com três saraus. No domingo (13) acontece o “Cordel Animado”, pensado para crianças e famílias se deleitarem nas rimas e sinas da autêntica Literatura de Cordel. O projeto é integrado pela escritora e contadora de histórias Mariane Bigio, e sua irmã, a musicista Milla Bigio. A dupla prepara um repertório de histórias autorais em Cordel, permeadas por música e sonoplastia, trazendo textos como “Uma Menina Vestida de Jardim”, que traduz o encantamento do encontro com a natureza, além de outros textos em cordel, como o sucesso da dupla: “Marmelo, o Jacaré Banguelo”, que se mantém como carro chefe do espetáculo, e ainda introduz a estética do Mamulengo à criançada.

Já na quinta-feira (17), acontece o SLAM da MARÉ, no Centro de Artes e Comunicação da UFPE. O SLAM será comandado pelo Coletivo recifense Controverso Urbano e consiste numa batalha poética em que pessoas leem ou recitam textos autorais. Estas apresentações são julgadas por jurados selecionados da plateia, e um ou mais vencedores são escolhidos ao final. O SLAM tem virado febre nas grandes cidades do Brasil, como espaço livre de expressão da cena artística alternativa e jovem, principalmente da periferia. Os poemas trazem temas polêmicos e as performances são contagiantes.

E, na sexta-feira (18), haverá o espetáculo “As Cumade”, formado pelas poetas Anaíra Mahin e Lu Rabelo, que desenvolvem um trabalho hibrido com poesia, teatro e música. Com apresentações performáticas e temáticas com grande viés político de conscientização, trazem à tona a relação com os saberes femininos obscurecidos pela hegemonia patriarcal e tecnicista.

< voltar para home