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Espaços culturais

Documentários inéditos sobre o Recife ganham a tela do São Luiz

Trabalhos são fruto do curso de formação em audiovisual promovido pelos Ateliers Varan, instituição francesa referência em produção cinematográfica

por Marcus Iglesias

Victor Jucá/Divulgação

Victor Jucá/Divulgação

À beira do Rio Capibaribe, Cinema São Luiz será palco do encerramento do H20 Cine Recife, curso audiovisual que teve como o tema ‘Água e Meio Ambiente’

Dez jovens do Recife, alguns sem qualquer experiência profissional prévia com a sétima arte, vão viver a emoção de exibir suas primeiras produções no Cinema São Luiz. O equipamento histórico, à beira do Rio Capibaribe, será palco do encerramento de uma edição do curso H20 Cine Recife. A iniciativa consistiu na produção de dez documentários sob o tema “Água e Meio Ambiente”, sob a orientação de diversos profissionais renomados. A exibição no São Luiz terá início às 8h30 do sábado (17) e a entrada é gratuita.

Ao todo, foram sete semanas de aulas teóricas e práticas com os documentaristas Adriana Komives (brasileira radicada na França), Catalina Villar (Colômbia), Daniele Ingalcaterra (Itália) e Mariana Otero (França). Como resultado, cada participante produziu um documentário que tem em comum o cenário do Recife e o tema escolhido.

Os Ateliers Varan, realizadores do projeto, são uma escola de documentário mantida e animada por cineastas documentaristas, montadores, engenheiros de sons e produtores. Já passou por cidades do mundo inteiro, e atualmente está também em locais como o Vietnã e Guadalupe. De acordo com Adriana Komives, que também é coordenadora do curso, a articulação para trazer este projeto ao Recife foi fruto de longos anos de trabalho e de contatos.

Inaldo Lins/Prefeitura do Recife

Inaldo Lins/Prefeitura do Recife

Ao todo, foram sete semanas de aulas teóricas e práticas com documentaristas renomados do mundo inteiro

“Era um sonho meu trazer para o Brasil um atelier desses e o Recife foi escolhido por uma questão de paixão mesmo pelo local, pela cidade, pelo espírito crítico que os habitantes têm. Foram anos de contato com a Fundaj, com a Secretaria de Cultura do Recife, e com a UFPE, até que conseguimos, em 2011, fazer por lá uma prévia com um atelier de duas semanas, com a ajuda do professor Camilo Soares”, explica.

Depois desse pequeno atelier, a batalha foi para conseguir patrocínio para que fosse viável trazer o mais longo, de sete semanas. “Conseguimos então financiamento lá na França, da Agência Francesa para Desenvolvimento. O Instituto Francês do Brasil também colaborou bastante para que pudéssemos vir, bem como a parceria decisiva do Portomídia, que com toda a sua infraestrutura e tecnologia nos acolheu”, comemora a coordenadora do curso.

A metodologia de aprendizagem, o Método Direto, prevê que o aluno aprenda fazendo o seu filme e dos companheiros de curso. “Ele é totalmente baseado na prática. Desde o primeiro dia os alunos já aprendem a usar a câmera e a usar o microfone, e saem pra fazerem seus primeiros exercícios. Essa fase dura duas semanas e nela são projetados filmes de referência, em que eles entendem o tipo de documentário que a gente trabalha”, revela Adriana.

Antônio Tenório/Divulgação

Antônio Tenório/Divulgação

“O contato que tive com estes professores é uma daquelas oportunidades que não sei se terei novamente”, avalia Daniel Medeiros, um dos alunos do curso

Ela continua explicando que, feitos os exercícios, os alunos voltam para os professores com os temas que querem discutir. “Depois de um debate sobre os temas, eles vão a campo para fazer a pesquisa e trazer depois o que encontraram, seja de personagens ou contexto. A partir da nossa orientação eles iniciam as filmagens. Essa fase dura três semanas e nela eles vão e filmam com os colegas participando da sonoplastia. Depois todos voltam para assistir coletivamente ao material”.

Para terminar, vem a fase da montagem, que aqui no Brasil foi feita com a colaboração de montadores do Recife. “Dois deles tinham trabalhado com a gente em 2011, na UFPE. O processo de finalização desses cursos é intenso, uma semana pra cada filme”, pontua Komives. Cada um dos documentários tem duração de até 30 minutos e serão exibidos em três blocos.

O aluno e fotógrafo Daniel Medeiros, de 27 anos, ficou sabendo deste curso quando ainda estava na faculdade, no semestre passado. Ele conta que esta foi uma das experiências mais desafiantes que já teve. “O curso é ótimo, abriu muito a minha mente em relação ao Cinema Direto. No começo tive dificuldade pra me adaptar, mas do meio do processo em diante peguei mais prática. O contato que tive com estes professores é uma daquelas oportunidades que não sei se terei novamente”.

Antônio Tenório/Divulgação

Antônio Tenório/Divulgação

“É interessante o método que coloca você e seus colegas a estarem juntos com a cara e a coragem na rua”, opina Isabelle Ribeiro

Outra aluna é Isabelle Ribeiro, 20 anos, que veio de Sergipe para estudar Cinema na UFPE esse ano. “Estou no segundo semestre agora e soube do curso pelos professores, que estimularam bastante os alunos a fazê-lo. É uma oportunidade que eu acho que não teria tão cedo na faculdade. Os equipamentos são bons, e é interessante o método que coloca você e seus colegas a estarem juntos com a cara e a coragem na rua”.

O H2O Cine Recife conta produção local da Proa Marketing Cultural e Projetos e com o  patrocínio da Région Île de France, da Prefeitura de Nantes e da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD). Apoiam a iniciativa a Prefeitura do Recife, por meio do Gabinete de Representação e Relações Internacionais, o Instituto Francês no Brasil – Recife, o Portomídia, o  Sesc, a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, a Fundarpe, e a Universidade Federal de Pernambuco.

Serviço
Exibição dos documentários da oficina H2O Cine Recife dos Ateliers Varan
Sábado (17) | 8h30
Cinema São Luiz (Rua da Aurora, 175 – Boa Vista)
Gratuito

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