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Espaços culturais

Espetáculo “Meia Noite” inicia temporada no Teatro Arraial

O espetáculo solo dialoga sobre a relação entre pai e filho, mestre e discípulo. As apresentações acontecem desta sexta-feira (31 de maio) a 06 de julho, sempre às sextas e aos sábados, às 20h

Pietra Amanda

Pietra Amanda

Filho do Mestre Meia-Noite, o Bailarino Orun Santana estrela o espetáculo

Selecionado através da convocatória púlbica de Ocupação de Pautas do Teatro Arraial Ariano Suassuno, o espetáculo “Meia Noite” estreia no equipamento cultural nesta sexta-feira (31) e fica em cartaz até o dia 6 de julho, com sessões toda sexta e todo sábado, sempre às 20h. O espetáculo solo passeia pela capoeira como elemento criador e motivador do movimento, sobretudo dos corpos do Mestre Meia-noite, nome artístico de Gilson Santana, e seu filho, o bailarino Orun Santana, que estrela a apresentação. Os ingressos custam R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia) e estarão à venda na bilheteria uma hora antes do início do espetáculo.

Ambos brincantes e artistas do Daruê Malungo, os dois construíram suas carreiras e sua relação dentro deste universo. A obra explora ainda a capoeira como procedimento de uso de imagens e memória do corpo do dançador como elemento criador, traço marcante na obra de Orun, como artista e pesquisador no assunto. O espetáculo solo dialoga dramaturgicamente sobre a relação entre pai e filho, entre mestre, discípulo e consequente relação com a ancestralidade pessoal, principalmente masculina, na busca de uma conexão com essas energias e possíveis curas e construção de uma nova masculinidade.

As histórias e memórias do imaginário afro-brasileiro atuam direta e indiretamente na construção de imagens na formação do corpo negro que dança. É um diálogo com o reconhecimento de identidade, ora individual, ora coletiva, entendido na relação das limitações (gerenciadas pelo poder hegemônico), com as tentativas de construção e reconhecimento do fazer artístico do artista negro no âmbito cultural brasileiro. Entendendo que o corpo, e suas escolhas, é marcado não só pela memória, mas também pela sua trajetória.

“É possível buscar na história do Brasil os locais em que esses corpos foram destinados a ocupar e, consequentemente, compreender que os mesmos foram e são lugares que fundamentaram e fundamentam alguns caminhos e escolhas, apontando para uma forma de percepção e de afeção particular na arte e na dança”, explica Orun.

Nas décadas de 1970 e 1980, eclodiram no Recife movimentos precursores no promover de práticas de ações afirmativas através da arte e cultura negra, principalmente em comunidades da periferia. Esses movimentos deram cria a uma nova geração de artistas muito ativos na construção de uma nova realidade partindo de referenciais afro-diaspóricos, dentre eles o Mestre Meia-noite. Esse último é um dos responsáveis por criar e manter o Centro de Educação e Cultura Daruê Malungo, no bairro de Chão de Estrelas, na Zona Norte do Recife. Uma casa que acolhe crianças e jovens para transmitir música, dança, cultura brasileira, fincadas nas raízes negras.

O espetáculo solo vem compartilhar com o publico questões e problemáticas de construção identitária através da relação de Orun Santana com a figura do mestre Meia-noite e sobre as relações entre esses corpos. Orun mergulha em seus processos formativos artísticos educacionais, abrindo questões sobre corpo e a memória, enquanto artista, educador, negro, periférico e em constante relação com as de seu pai.

A ideia para a criação do espetáculo “Meia Noite” surgiu como proposta de um “re-enactment” (re-performance) do solo de capoeira do Mestre Meia-noite no espetáculo “Nordeste”, do Balé Popular do Recife, e continuou como pesquisa posterior para a construção da apresentação. “A capoeira é explorada como elemento criador e motivador do movimento, construindo um procedimento de uso da memória corporal, dialogando dramaturgicamente na relação pai e filho, mestre e discípulo. São utilizadas dinâmicas que buscam construções de imagens e estados corporais como via de investigação em cena”, explica o artista.

Orun Santana é ainda responsável por um centro de cultura e vivência em Dança, chamado A CUMBE, onde tem convidado artistas e pesquisadores para se conectar em ações de fruição e exercício do corpo. O bailarino ressalta ser a maior obra de sua trajetória como educador popular e artista da dança. Para ele, “Meia Noite” fala da trajetória de um artista, da sua própria experiência como fazedor da arte, mas que o fazer da dança pode surgir em corpos que queiram falar, contar histórias, como corpos políticos, transformadores e inquietos. No fim, a obra e vida de Orun são parte também do que ele chama de “auto-protagonismo”, onde o artista vê e compreende a ele mesmo como alguém capaz de transformar o meio a partir das suas experiências, dores e vislumbres sobre o mundo que se movimenta.

Serviço:
Temporada do espetáculo “Meia noite”, de Orun Santana

Quando: De 31 de maio a 6 de julho (sextas e sábados), sempre às 20h
Onde: Teatro Arraial Ariano Suassuna (Rua da Aurora, 457, Boa Vista – Recife)
Ingressos: R$20(inteira) e R$10 (meia)
Classificação Indicativa: 10 anos

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