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Espaços culturais

Espetáculo “Retomada” estreia no Teatro Arraial Ariano Suassuna

A montagem ficará em cartaz no equipamento cultural de 28/4 a 27/5, às sexta-feiras e aos sábados, às 20h

Fernando Figueroa/Divulgação

Fernando Figuerôa/Divulgação

“Retomada” enaltece a energia feminina, a fertilidade da terra, da força desta natureza vital, de acolhimento e regeneração

O Teatro Arraial Ariano Suassuna será palco neste fim de semana da mais nova temporada do espetáculo de dança Retomada. A montagem, do Grupo Totem, estreia nesta sexta-feira (28) e fica em cartaz até o dia 27/5 (sábado), sempre às 20h. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e 10 (meia-entrada).

Fruto da pesquisa Rito Ancestral Corpo Contemporâneo vivenciada pela companhia em 2015/2016, com o incentivo do Fundo Pernambucano de Incentivo a Cultura (Funcultura), o espetáculo se debruça sobre os rituais do Povo Pankararu, Xukuru e Kapinawá, partilhando de seus ritos, saberes e visão de mundo.

Reconhecendo a afirmação da identidade indígena e manutenção de suas culturas, a perseverança na luta pela terra originária e pela garantia das terras retomadas, bem como identificando a inter-relação existente entre o mundo material e o espiritual e a comunicação desse com seus “encantados”, Retomada volta às raízes do teatro, que se conecta com o ritual. “Além das visitas aos povos indígenas pernambucanos, o grupo realizou estudos de performance e antropologia, a partir de autores como Richard Schechner e Cassiano Sydow Quilici, com laboratórios rituais que exploraram pinturas corporais, conexão espiritual, relaxamento, respiração, experimentos sensoriais, corporais e sonoros, através dos elementos da natureza e desdobramentos destes a partir de bebidas sagradas”, conta a diretora de palco, Tatiana Pedrosa.

De acordo com ela, o trabalho gerado a partir da pesquisa não representa ou reproduz rituais vividos nas aldeias, mas “capta a força, a energia metafísica que emana desses rituais e penetra os corpos contemporâneos”. “O contato com os povos revelou vozes ancestrais que ecoam fortemente no presente, alimentando o espírito aguerrido na luta constante pela terra sagrada, o sentimento de pertencimento e o direito ao bem comum, transformando-se no mote desse trabalho, que é também uma ode à mãe geradora e mantenedora de tudo. Através do teatro performático característico de sua poética, o Totem corporifica a sacralidade das terras indígenas e manifesta sua identificação com o sentimento de resistência”, diz Pedrosa.

Em cena se encontram seis mulheres (Gabi Cabral, Gabriela Holanda, Inaê Veríssimo, Juliana Nardin, Lau Veríssimo e Taína Veríssimo), performers que enaltecem a energia feminina, a fertilidade da terra, da força desta natureza vital, de acolhimento e regeneração. Pelos seus corpos ressoam vozes de outros tempos, reminiscências da dor e da persistência em defender o bem viver com a natureza.

A montagem remete às retomadas das terras sagradas indígenas, mas também à valorização da referência ancestral, à sabedoria anterior que nos constitui e de seu vínculo entre os planos espirituais e físicos. Sua performance multimídia se faz a partir de uma relação simbiótica entre o físico, o sonoro, o espaço circundante e a metafísica, a fim de criar uma atmosfera ritual, e, através dos corpos expandidos de suas atrizes-performers tomadas por suas personas, simbolizam ao mesmo tempo o corpo contemporâneo e a alma coletiva dos povos, que séculos de colonização não conseguiu anular.

O trabalho conta com trilha sonora original executada ao vivo, movida por Fred Nascimento na percussão, Cauê Nascimento na Guitarra e Gustavo Vilar no pífano e nos maracás, numa sonoridade que funde elementos da musicalidade indígena com as possibilidades contemporâneas. O grupo teve ainda a referência da cantora Meredith Monk, artista que dialoga entre esses dois mundos, para as composições vocais das performers, orientadas pelo também performer e músico Conrado Falbo na preparação de corpo e voz realizada durante a pesquisa que desembocou no processo de criação do espetáculo. A iluminação e a projeção possuem ainda papel essencial na atmosfera criada, capaz de envolver e o público no ritual que constitui o espetáculo, convocando-o à energia do coletivo.

Fim da temporada
Neste domingo (30), o Grupo Teatral Risadinha encerra a temporada da peça A Fuzarca, no Teatro Arraial, a partir das 16h. O espetáculo, que é uma folia cômica e poética, conta a história de três mendigos – palhaços que vivem de pedir esmolas, atividade essa que já não lhes dá condições de sobrevivência. Porém, tudo muda quando um dia o mendigo (palhaço-chefe) resolve formar uma trupe circense e encenar um espetáculo de circo. Assim, está armada a fuzarca que convida a plateia a uma divertida e poética reflexão sobre os moradores de rua. Com músicas ao vivo, o espetáculo leva aos palcos a arte do palhaço, artista que encanta o público de todas as idades. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e 10 (meia-entrada).

Convocatória de ocupação
O projeto “Convocatória de Ocupação de Pautas de Equipamento Cultural para Espetáculos de Circo, Dança e Teatro”, desenvolvido pelo Teatro Arraial Ariano Suassuna, tem feito a diferença para a difusão das produções pernambucanas. Com duas edições anuais, a iniciativa acontece desde 2012 e prevê a concessão de um incentivo financeiro, com base no quantitativo de público obtido através do somatório das sessões.

A partir do cumprimento das temporadas, o projeto, além de atingir os objetivos de difusão das produções do Estado e de formação de plateias, permite o acesso democrático e transparente para sua ocupação. Nesta primeira edição de 2017, foram disponibilizados seis tipos de pauta, incluindo-se duas longas temporadas, uma de Teatro Adulto e uma de Dança, com 10 apresentações cada, o que permite às produções um maior número de apresentações e ao público mais oportunidades de prestigiar os espetáculos.

Segundo a gestora do Teatro Arraial, Ana Cláudia Wanguestel, “a convocatória já se tornou uma ferramenta importantíssima na difusão da produção cênica do Estado e é um mecanismo que preza cada vez mais pela transparência em seu processo suas seletivo”.

Grade
Confira a programação completa dos espetáculos selecionados:

Divulgação

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A Fuzarca – Uma Brincadeira de Rua

Período: de 19/3 a 30/4
Sinopse: Um abrigo e três mendigos. O que manda e os que obedecem. Povo e poder, um farsesco retrato da sociedade contemporânea numa história sobre poder e liberdade. Esse espetáculo conta a historia de Gegê e Pixuruca, dois mendigos que vivem sobre o comando de outro mendigo. Pimenta, aquele que manda, faz os seus subalternos acreditarem que é impossível viver sem o comando de um patrão. Mas um dia dois cantadores de rua aparecem na praça em que eles vivem e tudo pode mudar. Um espetáculo sobre a descoberta da liberdade através das brincadeiras do povo. É nesse contexto que o Grupo Teatral Risadinha comemora os seus 24 anos de muito trabalho, voltando ao seu espaço que tanto fez uso, a rua.

Fernando Figueroa/Divulgação

Fernando Figueroa/Divulgação

Retomada

Período: de 28/4 a 27/5
Sinopse: A performance “Retomada” nos fala das vozes que fortemente persistem ecoando sobre a terra arrasada. Nela o Totem corporifica a sacralidade das terras indígenas, sentida no ato ritual e na reverência de espírito aguerrido que tem seu povo pela sua terra. O espaço sagrado pelo qual se luta, é o mote desse trabalho, uma ode à mãe geradora e mantenedora de tudo. A cena ritual criado pelo grupo, não representa ou reproduz rituais vividos nas aldeias, através do teatro performático característico de sua poética, o Totem manifesta sua identificação com o sentimento de resistência. Sendo este um ato ritual único, onde os corpos entoam a força coletiva e invocam as vozes silenciadas nas páginas do tempo.

André Ramos/Divulgação

André Ramos/Divulgação

DORalice

Período: de 7/5 a 11/6
Sinopse: Brincadeira de casinha e comidinha com Cidinha, a boneca preferida de Alice. A menina também brinca com um amiguinho de pique esconde, pega-pega, amarelinha. Alice e as histórias do Pai e os cuidados da Mainha. Tudo é brincadeira na vida da menina, até que um dia uma mão malvada invade a casinha de Cidinha e tudo muda na vida de Alice. O espetáculo não usa palavras para contar esta história…

Divulgação

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Em nome do Pai

Período: de 2/6 a 17/6
Sinopse: “Em nome do Pai” reacende o debate sobre a valorização do texto, resgatando a importância do literário no teatro. No palco, pai e filho se enfrentam num embate psíquico desgastado pelo conhecimento vulgarizado de que as relações afetivas se estabelecem, logo após a morte do principal elo entre os dois: a mulher – esposa e mãe. Os sentimentos de amor, raiva, solidariedade e repulsa estão misturados sob a dor dessa perda avassaladora.

Serviço
Espetáculo Retomada (Grupo Totem)
Quando: de 28/4 a 27/5, às sextas-feiras e aos sábados, às 20h
Quanto: R$ 20 (inteira) e 10 (meia-entrada)
Local: Teatro Arraial Ariano Suassuna (R. da Aurora, 457 – Boa Vista, Recife – PE)
Classificação indicativa: livre

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