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Espaços culturais

Gestores de cinemas de rua se encontram no Festival de Cinema de Triunfo

Uma reunião do grupo de trabalho Cinema de Rua, ligado ao Conselho Consultivo do Audiovisual de Pernambuco, gerou bons debates sobre requalificação, atualização e programação dos equipamentos culturais que resistem no estado. A troca de experiências e informações que vai ajudar no desenvolvimento de ações integradas reuniu gestores e programadores desses espaços. A atividade aconteceu na última sexta-feira (12/8), integrando a programação do 9º Festival de Cinema de Triunfo.

Mediando o diálogo, a assessora de Planejamento da Secult-PE, Janaína Guedes apresentou o mapeamento dos cinemas de rua já iniciado pelo GT. “O desafio é pensarmos estratégias, discutir ideias que orientem uma política pública de exibição, levantar problemas e potenciais, apontar caminhos para os cinemas”, iniciou Janaína.

Representando a Fundação Joaquim Nabuco no GT, Luiz Joaquim destacou que “o momento é de entender a situação real dos equipamentos, tentar chegar numa plataforma integrada de ações e construção de um circuito que garanta o funcionamento mínimo das salas, promova o acesso da população”. A arquiteta e pesquisadora Kate Saraiva, destacou que o desmonte histórico de muitas das estruturas é um desafio: “Além da reforma dos espaços, precisamos considerar também processos, como tombamentos dos prédios e fomentar o surgimento de uma rede de cinemas no estado”.

A presidente da Fundarpe, Márcia Souto, também participou do diálogo e destacou pontos como a necessidade de fortalecer a política de difusão e circulação das obras, não apenas a produção. “Precisamos avançar nessa questão do fomento público às iniciativas, garantir recursos que contribuam para a difusão dos filmes e também para a manutenção dos espaços, já que muitos deles ainda não contam com planos de gestão”, apontou a gestora estadual.

O acesso de pessoas com deficiência às salas também entrou na pauta de discussões. Osvaldo Emery, especialista e consultor de projetos audiovisuais vinculado ao MinC/RJ, destacou a urgência de ações nesse sentido, “não apenas pelo viés do cumprimento de leis, mas também como estratégia para atração de público, já que há uma grande parcela da população brasileira que vive hoje com alguma deficiência e é excluída”. Osvaldo lembrou ainda que “a legislação atual estabelece que todos os cinemas construídos com recursos públicos devem ser acessíveis, garantir recursos audiodescrição, legendas e tradução em LIBRAS”.

Contribuindo com o debate, o produtor audiovisual e dirigente da Associação Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas de Pernambuco/Associação Pernambucana de Cineastas (ABD/APECI), Igor Travassos destacou que “a questão da acessibilidade não pode ser trabalhada apenas da porta do cinema para dentro, mas deve estar articulada com o debate de acessibilidade urbana e contemplar ações que permitam a presença da pessoa com deficiência não apenas como público, mas como protagonista também, como realizador que precisa ter acesso ao palco, por exemplo”.

Gestores e programadores dos cinemas São José (Afogados da Ingazeira), Apolo (Recife), Rio Branco (Arcoverde), Samuel Campelo (Jaboatão) e Polytheama (Goiana) participaram da reunião apresentando informações atuais sobre a estrutura e o funcionamento das salas e os desafios do momento. Entre eles, a digitalização das salas, planos de manutenção, oferta de programação continuada e consistente, parcerias com cineclubes e outras entidades.

Master Class

No sábado, 13/8, as questões foram ainda mais debatidas no encontro ‘Cinema de Rua na era digital: Desafios e Perspectivas’, com Osvaldo Emery. ”A sala de cinema é um lugar de atividade social, o prazer do cinema une as pessoas e precisamos cada vez mais desse tipo de ambiente”, comentou o especialista. Ainda sobre o assunto, Osvaldo destacou que “as salas precisam garantir que aquilo que é exibido seja o mais fiel possível ao que foi concebido pelo realizador. Por isso as recomendações técnicas são importantes, precisamos considerar como funciona o cinema e também as tecnologias que temos no momento para captação, produção e reprodução de imagem e som”.

No debate, os gestores dos cinemas de rua trocaram informações sobre especificidades técnicas das salas, o desafio para elaboração de projetos de reformas e modernização dos equipamentos.

O GT Cinema de Rua vai finalizar as atas dos encontros e, em breve, os documentos estarão disponíveis aqui no portal.

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