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Espaços culturais

Livros de Osman Lins e Hermilo Borba Filho esgotados há 40 anos são relançados no Mepe

Companhia Editora de Pernambuco apresenta, nesta quinta-feira (26/9), “Agá” (Hermilo) e “Os Casos Especiais” (Osman), juntamente com “Osman e Hermilo – Correspondência”, que reúne cartas entre os amigos que corajosamente enfrentaram a censura

Divulgação

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Lançamentos históricos trarão de volta às prateleiras obras esgotadas há 40 anos

Obras literárias de dois pernambucanos que se inserem entre os mais importantes da literatura brasileira do século 20, “Agá” (Hermilo Borba Filho) e “Os casos especiais” (Osman Lins), há mais de 40 anos esgotadas, ganham novas edições pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe). O lançamento acontecerá na quinta-feira (26), no Museu do Estado de Pernambuco, equipamento cultural gerenciado pela Secult-PE/Fundarpe, a partir das 19h. Na mesma noite, a Cepe também lançará “Osman e Hermilo – Correspondência”, livro organizado pelo professor do Departamento de Letras da UFPE Anco Márcio Tenório, que reúne as cartas trocadas entre os dois escritores, nos idos de 1965 a 1976.

Pernambucanos da Zona da Mata Sul, homens do teatro e da literatura, Hermilo e Osman mantiveram uma profunda amizade ao longo de 17 anos – interrompida em 1976, com a morte de Hermilo. Com os lançamentos, a produção literária desses dois escritores que convergiram em tantos aspectos será avaliada em bate-papo que reunirá o editor da Cepe, Wellington de Melo, o professor Anco Márcio Tenório e o jornalista e pesquisador Adriano Portela, que assina o prefácio e notas de “Os Casos Especiais”, roteirizados por Osman Lins.

Último livro publicado em vida por Hermilo, considerado um dos mais experimentais textos literários, Agá mergulha no realismo mágico para trazer à tona uma contundente reflexão sobre a condição humana diante da opressão de estados totalitários. Publicado pela primeira vez em 1974, em plena ditadura militar, inovou ao recorrer à estética dos quadrinhos, fazendo um resgate histórico de quase 500 anos de tortura e opressão (capítulo O Livro dos Mortos).

“Hermilo testou os limites do gênero romanesco ao produzir uma consistente narrativa experimental, fragmentária, polifônica e híbrida, em que prosa se intercala com gênero dramático e com uma HQ desenhada pelo artista plástico José Cláudio”, diz Wellington de Melo. A edição da Cepe apresenta capítulo inédito (Eu, o morto-carregando-o-vivo) e ensaio crítico de Luiz Roberto Leite Faria, autor do estudo “O grotesco e as imagens do corpo no romance Agá de Hermilo Borba Filho”.

Já Osman Lins, um dos mais duros críticos da indústria cultural brasileira, quis provar, em plena censura, que poderia levar um produto de maior qualidade para a televisão, avançando em relação aos formatos enlatados importados dos Estados Unidos. Por causa disso, se aventurou a escrever roteiros.

A Cepe faz o resgate de três dessas narrativas e publica Os casos Especiais, obra exibida em episódios pela Rede Globo, na década de 1970. Assim, o escritor tornou-se o primeiro ficcionista brasileiro a escrever direto para TV com os episódios de “A ilha no espaço”, “Quem era Shirley Temple?” e “Marcha fúnebre”, dirigidos, respectivamente, por Cassiano Gabus Mendes, Paulo José e Sérgio Brito. Mais tarde, em 1978, os textos foram reunidos e publicados por Raul Wasserman, diretor da Editora Summus, e só agora, 41 anos depois, reeditados.

Aluno e depois amigo de Hermilo, Osman se mudou para São Paulo e até a morte do amigo trocou com ele 199 cartas. Essas missivas, descritas por Anco Márcio Tenório como um diálogo epistolar, foram reunidas na obra “Osman e Hermilo – Correspondência”, após pesquisa nos arquivos da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), no Rio de Janeiro, e no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), da Universidade de São Paulo (USP).

Trata-se de um precioso documento histórico que revela traços de afinidade e de discordância entre os dois escritores pernambucanos. As correspondências retratam o momento histórico vivido à época, revelam imbróglios e dificuldades dos escritores para publicar um livro e receber das editoras pelo trabalho realizado e escancaram os percalços da vida pessoal de ambos. Nas linhas, é possível ainda observar o pioneirismo dos dois em abrir caminho para a tradução de suas obras e penetração nos mercados americano e europeu.

Serviço:
Lançamento de Agá (Hermilo Borba Filho), Casos Especiais (Osman Lins) e Osman e Hermilo – Correspondência (organização de Anco Márcio Tenório)
Museu do Estado de Pernambuco (Avenida Rui Barbosa, 960, Graças, Recife)
Quinta-feira, 26 de setembro, às 19h
Agá, de Hermilo Borba Filho – R$ 50 (impresso) e R$ 15 (e-book)
Os casos especiais, de Osman Lins – R$ 25 e R$ 7 (e-book)
Osman e Hermilo – Correspondência – R$ 60 (impresso) e R$ 18 (e-book)
Valor do combo (compra dos três livros) – R$ 120

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