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Espaços culturais

Marcus Accioly rememora a obra do poeta João Cabral de Melo Neto

A palestra em memória do poeta pernambucano acontece nesta quinta-feira (10), às 10h, no Teatro Arraial Ariano Suassuna. O acesso é gratuito

Falar sobre João Cabral de Melo Neto é, mais que celebrar a obra deste pernambucano que é um dos maiores poetas brasileiros, também reviver uma amizade e ter a oportunidade de reafirmar a grandeza deste homem. Será este o sentimento de outro importante escritor pernambucano, o acadêmico Marcus Accioly, que irá proferir palestra nesta quinta-feira (11), às 10h, no Teatro Arraial Ariano Suassuna, para falar sobre João Cabral, que neste 2016 tem sido lembrado em diversos cantos do todo país, pelas seis décadas completadas de seu texto mais famoso: Morte e Vida Severina.

Divulgação

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A palestra terá como mote o livro “Morte e Vida Severina”, uma das principais obras de João Cabral

Marcus, que integrou a chamada Geração de 65, e também o movimento Armorial, atualmente membro do Conselho estadual de Preservação do Patrimônio Cultural de Pernambuco, foi num grande amigo de João Cabral. “Eu convivi e viajei com ele, pelo Rio e em cidades do Nordeste. Ele foi um mestre de toda geração 65, e de todos que vieram depois dele. Porque ele fazia uma poesia diferente daquela poesia lamuriosa, de dor de cotovelo. Ele foi um poeta que começou com uma linguagem surrealista, e logo depois voltou-se para o sol do Nordeste, com tal força e vigor, a poesia dele é uma poesia acesa. De muito sol, de muita clareza, de muita lógica”, define Marcus.

Os 60 anos de Morte e Vida Severina serão o mote da palestra, mas não seu único tema. Marcus fará uma conferência mais ampla, pois além de acreditar que a obra de João Cabral precise ser mais difundida, ela recorda que nem mesmo o poeta achava que Morte e Vida Severina era sua melhor criação, como a fama que o texto alcançou fazia concluir. “Ele brincava com isso, porque todo mundo só falava desse livro, teve enorme repercussão pela música colocada por Chico Buarque, pela estreia no teatro da França, é uma obra de fato genial, mas ele achava que tinha outras obras mais merecedoras”, conta Marcus.

Memórias que marcaram a amizade entre os dois, também devem constar da fala do acadêmico. “Ele bebia, já eu tenho esse defeito, não bebo. Então, certa vez, ele me disse, eu o levando para casa à noite. ‘Marcos, sabe de uma coisa, eu nunca conquistei nenhuma mulher com a minha poesia’. Pois João, nessa matéria somos distintos, pois eu sempre conquistei com a minha poesia e, às vezes, com a sua. Ele riu muito”, relata.

João Cabral dizia a Accioly que este conhecia mais sua obra do que ele próprio. O último contato entre os dois aconteceu pouco antes de João Cabral falecer, em 1999. “O escritor português Arnaldo Saraiva tinha estado com ele no Rio de Janeiro e, vindo para Pernambuco, perguntou o que ele queria da sua terra. Ao me encontrar, Arnaldo disse que ele respondeu que queria que ele desse um abraço no seu grande amigo. Recebi esse abraço dele através de Arnaldo”, conta Accioly. No ano de 2000, a cadeira19 da Academia Pernambucana de Letras, que ficou vaga com a morte de João Cabral, foi ocupada pelo amigo e maior conhecedor de sua obra, Marcus Accioly.

Hoje, aos 73 anos, o escritor acredita que mais atos em Pernambuco deveriam ser feitos no intuito de salvaguardar a memória de João Cabral. “Um poeta da importância dele fica esquecido. É lembrado pela universidade, mas a sua obra precisava ser estudada sistematicamente nos colégios e nas universidades”, conclui.

Serviço
Palestra sobre a obra de João Cabral de Melo Neto, por Marcus Accioly
Onde: Teatro Arraial Ariano Suassuna (R. da Aurora, 457 – Boa Vista, Recife – PE)
Quando: quinta (10), às 10h
Entrada livre

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