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Uma cerimônia memorável, um concerto para lembrar de Naná

Abertura oficial do FIG 2016 emocionou família, amigos e fãs de Naná Vasconcelos

Por: Ana Beatriz Caldas

Meia hora antes do concerto que daria início ao 26º Festival de Inverno de Garanhuns, na Igreja Matriz de Santo Antônio, já era perceptível a ansiedade do público presente. Sozinho em um dos bancos da Catedral, atento a montagem dos instrumentos no palco que ia ganhando luzes e sons, ao centro da igreja, o funcionário público José Marlos Ferro, de 50 anos, esperava a primeira das muitas homenagens ao percussionista pernambucano Naná Vasconcelos que integram a programação do FIG. Garanhuense, Ferro mora no Recife há mais de duas décadas, mas volta sempre, como quem cumpre tradição, à terra natal neste período. “Independente da programação, o FIG faz parte do meu calendário desde sua primeira edição. Minhas férias são tiradas pensando nele”, contou. A justa homenagem a Naná, completou, tornou a decisão ainda mais especial.

Com as fileiras lotadas, a cerimônia de abertura contou com a presença da viúva do instrumentista, Patrícia Vasconcelos, e a filha do casal, Luz Morena, que, emocionadas, receberam os cumprimentos da Presidente da Fundarpe, Márcia Souto, do Secretário de Cultura do Estado, Marcelino Granja, do Governador Paulo Câmara, de Izaías Régis, prefeito de Garanhuns e do bispo da diocese de Garanhuns, Dom Paulo Jackson.

Laís Domingues

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Patrícia Vasconcelos, ao lado da filha Luz Morena, agradece a reverência do festival e do público

Patrícia, visivelmente tocada pela homenagem, agradeceu a reverência ao marido, um dos maiores expoentes da música pernambucana e brasileira, falecido em março desse ano. “Agradeço ao Governo do Estado, a vocês todos e a Deus, por ter me permitido compartilhar uma vida de pleno amor com Naná. Espero que, a partir de agora, mais pessoas possam conhecer e mergulhar no trabalho dele, que é lindo”, realçou.

Durante a solenidade, o secretário Marcelino Granja pontuou que “homenagear Naná é homenagear o povo brasileiro em toda a sua diversidade” e se disse feliz por um concerto que faz menção às religiões de matiz africana acontecer em uma igreja católica, um modo de propagar a tolerância através da arte, saudando a cultura afro-brasileira. Já a presidente da Fundarpe, Márcia Souto, comentou sobre abertura do festival, feita de forma diferenciada dos outros anos, e afirmou que a cerimônia foi “diferente, um grande encontro. Para todos nós, que tivemos oportunidade de compartilhar momentos com Naná, é uma emoção muito grande”, disse. O prefeito de Garanhuns, Izaías Régis, também saudou o percussionista. “Esse é um presente para nós. Me sinto orgulhoso de estar no comando da cidade que homenageia esse grande músico, pai, esposo. Estou feliz e sei que o povo garanhuense também está”, declarou.

Lais Domingues

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O Governador Paulo Câmara ressaltou o legado de Naná e a importância do FIG para Pernambuco

O governador Paulo Câmara afirmou que “não poderia deixar de fazer o 26º FIG” e valorizar a cultura pernambucana em suas mais diversas linguagens: teatro, música, cinema, literatura, artesanato, circo. “Atrair turistas e gerar empregos só faz bem ao povo de Pernambuco. Além disso, a cultura pernambucana é uma cultura muito forte, que inspira, que transforma vidas. Esse festival agrega o que há de melhor na nossa cultura e uma forma de mostrá-la ao resto do Brasil”, declarou. Sobre Naná, Paulo foi enfático e, mais do que isso, justo: “tudo que pudemos fazer para homenageá-lo ainda será pouco”.

Celebração da música negra

Laís Domingues

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Um das vozes mais poderosas da música brasileira, Virgínia Rodrigues participou da homenagem

Após as falas, o público que àquele momento já ocupava até a escadaria da Igreja, vivenciou um concerto de rara beleza, um encontro entre o jovem expoente da música contemporânea, o compositor e pianista pernambucano Zé Manoel com nomes aclamados em todo o país por suas valorosas contribuições à música negra: a cantora baiana Virgínia Rodrigues e o compositor e instrumentista Seu Mateus Aleluia.

Laís Domingues

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A formação do show de Zé Manoel (centro), contou com o baterista Sérgio Reze (esquerda), o violoncelista Filipe Massumi (direita) e ainda o percussionista Johann Brehmer

Tornando a noite ainda mais memorável, a força das mulheres do Grupo Voz Nagô (idealizado pelo Mestre Naná) encheram a o local com todas as vozes do nosso maracatu, fazendo com que Naná se fizesse também ele, ali, presente. 

Laís Domingues

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As mulheres do Grupo Voz Nagô cantaram para Naná, lembrando quase uma década de trabalhos com o percussionista

Composto por artistas mulheres que, por quase uma década, conviveram, trabalharam e foram incentivadas por Naná, as integrantes pretendem dar continuidade ao legado do percussionista que tanto as estimulou e também inspirar, principalmente, as cantoras negras e músicos do cenário regional. De vestidos brancos, turbantes e saudando orixás, as mulheres transformaram a Catedral num palco digno para Naná: sem divisões dogmáticas, mas cheio de fé e energia vibrante.

Laís Domingues

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Seu Mateus Aleluia, um dos instrumentistas mais reverenciados no Brasil, também dividiu sua emoção com o público

Confira vídeos com trechos das apresentações AQUI

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