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Festival de Inverno

Baby do Brasil revisita a carreira e esquenta a Praça Mestre Dominguinhos

Jan Ribeiro/Secult-PE

Jan Ribeiro/Secult-PE

Baby do Brasil foi um dos destaques deste sábado (22) da programação da Praça Mestre Dominguinhos

Por Camila Estephania

O show de Baby do Brasil que aconteceu no palco principal do 27º FIG neste sábado (22) já se aproximava do fim quando a cantora abriu o microfone para o público pedir canções. A praça Mestre Dominguinhos lotada gritava títulos como “Masculino e Feminino”, do ex-marido Pepeu Gomes, prontamente interpretado na sequência por Baby, que generosamente tentava acrescentar mais canções ao repertório da noite. “Não se faz mais 65 anos como antigamente, tem que tomar vitamina”, brincou ela sobre a própria disposição em sua primeira apresentação no Festival.

De fato, no show do último sábado a cantora provou que mantém o vigor inabalável de “A Menina Dança”, sucesso dos Novos Baianos incluído na turnê de “Baby Experience”, que passou por Garanhuns trazendo os sucessos dos mais de 40 anos de carreira de Baby reforçados por uma presença mais marcante das guitarras. O próprio nome do projeto faz referência ao disco “The Jimi Hendrix Experience”, do cultuado guitarrista britânico. No caso da brasileira, a missão elétrica ficou nos dedos dos competentíssimos guitarristas André Gomes e Daniel Santiago que, ao lado de Baby, protagonizaram vários momentos do show imprimindo solos a clássicos como “Tinindo Trincando”, “Menino do Rio” e “Telúrica”, essa última um dos maiores sucessos da carreira solo de Baby.

Jan Ribeiro/Secult-PE

Jan Ribeiro/Secult-PE

Nem mesmo a chuva espantou o público do FIG, que lotou o Palco Mestre Dominguinhos neste sábado (22)

“Foi difícil pensar esse repertório para o Festival, mas também nem tanto, porque ver todo mundo dançando na chuva foi tão especial que eu curti demais”, comentou a artista, que também encontrou brechas para aflorar seu lado pastora ao fazer uma versão de “Is This Love”, de Bob Marley, com louvores a Deus. Outra atração do palco Mestre Dominguinhos que também foi uma das mais aguardadas do sábado foi o show da cantora Alice Caymmi. Neta do sambista baiano Dorival Caymmi, a carioca reafirmou em sua passagem pelo FIG que passa longe de viver as sombras do avô. Desde que lançou o último disco Rainha dos Raios (2014), propondo um inusitado diálogo entre música erudita e popular, Alice vem engrossando sua pesquisa e buscando cada vez mais a legitimação de ritmos estigmatizados como o axé, brega e funk.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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Neta de Dorival Caymmi se apresentou acompanhada por um dj e dois percussionistas

Acompanhada por um dj e dois percussionistas, a cantora apresentou músicas do álbum mais recente como “Iansã”,  ”Como Vês” e “Princesa” renovadas pela batida do axé. Porém, grande parte do show trouxe novas versões de músicas já famosas, como “Cilada”, do grupo Molejo, o momento funk carioca aberto por “Baile de Favela” e “Dizem que sou louca”, da banda pernambucana “Kitara”, já gravada pela cantora, apontando uma direção mais popular em sua carreira. “É uma transição para o próximo disco. Ele nem vai passar tanto pelo axé, vai pegar um pouco mais da balada, mas esse show é um esquenta e se aproxima mais da Bahia. Poder trazer isso para cá é mágico, estar aqui é um privilégio, uma oportunidade inédita”, comemorou a artista, que também tocou pela primeira vez em Garanhuns e contou com o carinho e empolgação do público, transformando a Praça Mestre Dominguinhos em uma grande pista de dança.

Jan Ribeiro

Jan Ribeiro

Adiel Luna apresentou o projeto de Cantos Rurais com o Mestre Bule-Bule e convidados especiais

Prova da diversidade do Festival de Inverno de Garanhuns, mais cedo o polo principal foi cenário diversas vertentes da tradição nordestina. O rabequeiro Maciel Salú fez um show emocionante evidenciando a cultura do maracatu, dando continuidade ao legado do pai Mestre Salustiano. Adiel Luna, por sua vez, apresentou o projeto de Cantos Rurais com o Mestre Bule-Bule em que explora o universo das sambadas e repentes. A abertura ficou por conta da banda garanhuense Rogério e Os Cabras, responsável por atrair boa plateia desde o início da noite com a sonoridade cheia de referências agrestinas. “A gente faz canções para que as pessoas possam se nutrir e sair de bucho cheio da nossa cultura, do nosso dialeto, tudo isso tem um contexto, é visceral. Fico muito feliz que o Festival se pareça tanto com a gente”, observou Rogério, orgulhoso em participar mais uma vez do FIG e difundir a música local.

 

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