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Festival de Inverno

Cabaret Brecht arranca aplausos entusiasmados durante o FIG 2017

O espetáculo ocupou na tarde de ontem (22) o palco do Teatro Luiz Souto Dourado e trouxe canções de Kurt Weill e Bertolt Brecht na voz de Cida Moreira

Por Clara Albuquerque

Um piano, duas estantes de partitura, dois cabides, um banco de praça, uma lua de papel, luzes e vários rascunhos amassados espalhados pelo chão. O cenário de Cabaret Brecht, canções de Kurt Weill e Bertolt Brecht, convidou o público do Teatro Luiz Souto Dourado a imergir num universo de arte, beleza e verdade poética. Estrelado pela atriz, pianista e cantora Cida Moreira, o espetáculo, apresentado na tarde do último sábado (22), contou com as especialíssimas participações da atriz Maeve Jinkings e do ator Arilson Lopes.

Rodrigo Ramos

Rodrigo Ramos

Cida Moreira interpreta, em voz e piano, canções de Bertolt Brecht e Kurt Weill

Cida Moreira, que já havia encantado o público durante o Tributo a Belchior na última sexta (21), apresentava ali outra personagem. Entrou e acendeu o seu charuto, acomodou-se perto do piano e, com sua postura altiva, deu som ao instrumento. Num clima intimista com a plateia (logo de início ela arrancou gargalhadas), realizou a entrada dos outros dois atores com a dança de seus dedos.

O espetáculo nos remete ao clima dos cabarés alemães dos anos 1920 e as canções oscilam entre o erudito e o popular. A mensagem é forte, social e contemporânea. “Passá-la é a minha obrigação como artista. Faço isso há quarenta anos. Adorei a apresentação de hoje, foi empolgante”, explica Cida Moreira. Maeve e Arilson abrilhantaram e reforçaram as letras, carregadas de dor e de provocações sociais, recitando poemas de Bertolt que intercalaram a atuação acústica de Cida no piano. “É muito atual tudo o que ele escreveu. Estamos vivendo um momento de alerta e a indignação dos textos dele se faz necessária”, opina Arilson. “Eu queria agradecer o Bertolt Brecht por estar, aqui, hoje, através desses poemas. Nada mais precisava ser dito porque ele já disse tudo. Nós estamos vivendo um tempo de entorpecimento com tantos retrocessos em um tempo tão curto”, declarou a atriz.

O repertório foi escrito pelo dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht em parceria com o compositor Kurt Weill. Os dois trabalharam juntos, na primeira metade do século XX, na produção e criação de óperas e musicais, como Aufstieg und Fall der Stadt Mahagonny (Ascensão e Queda da Cidade de Mahagonny), Die Dreigroschenoper (A Ópera dos Três Vintens) e Die sieben Todsünden (Os Sete Pecados Mortais).

Rodrigo Ramos

Rodrigo Ramos

Os atores Maeve Jinkings e Arilson Lopes recitam poemas de Bertolt Brecht, durante o espetáculo

Os atores comentaram também sobre a importância de levar os textos de Brecht ao público do FIG. “É maravilhoso poder juntar um elenco desses num espetáculo necessário em um festival que junta muita gente de vários lugares. É uma alegria poder falar disso, no palco”, afirma Arilson. “Eu acho que um festival tem um caráter forte de encontro entre artistas e com o público. Isso é muito importante porque o artista é um ser solitário em sua atuação de estudar e produzir, então o movimento de um festival é poderoso. Pernambuco tem um grande talento para promover estes encontros. Estou muito feliz”, disse Maeve Jinkings.

A programação de Teatro do FIG 2017 continua. Confira a programação:

TEATRO: Teatro Luiz Souto Dourado

2ª MOSTRA DE TEATRO ALTERNATIVO E LITERATURA NA CENA: Galeria Galpão

Domingo, 23/7

LITERATURA NA CENA
20h – Bate-papo “Cervantes no Contemporâneo”
Com Ivaldo Vasconcelos (PE) e Maksin Oliveira (RJ)

22h – O Incansável Dom Quixote
Magnífica Trupe de Variedades (RJ)
Com Maksin Oliveira
Classificação indicativa: 12 anosDuração: 1h10
Adaptação do romance de Cervantes, com histórias fantásticas do famoso cavaleiro errante que sai de casa com o desenfreado desejo de transformar o mundo num lugar melhor.

TEATRO PARA INFÂNCIA

10h – Estação dos Contos
Grupo Estação de Teatro (RN)
Direção: Rogério Ferraz
Classificação indicativa: livre
Duração: 45 minutos

Espetáculo de contação de histórias de tradição popular, intercaladas com músicas originais executadas ao vivo, músicas do cancioneiro infantil e brincadeiras populares.

Segunda-feira, 24/7

TEATRO ADULTO

18h – O Açougueiro
Alexandre Guimarães (PE)
Direção: Samuel Santos
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 50 minutos
O espetáculo é uma história de amor no sertão nordestino que também mostra o lado sombrio dos sentimentos humanos, dividindo-se entre diálogos, cantos, toadas e aboios de vaqueiro.

2ª MOSTRA DE TEATRO ALTERNATIVO

22h – A Última Cólera no Copo de Meu Negro
Cia. Experimental de Teatro (PE)
Com Raphael Gustavo
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 1h
A peça fala sobre racismo, amor e a subjetiva liberdade acerca do ser humano e o sexo, sexualidade, religiosidade, cultura e fé. Numa senzala, Bastião está preso com o seu escravizado. O tempo passa, e ele revive as memórias do passado.

Terça-feira, 25/7

2ª MOSTRA DE TEATRO ALTERNATIVO
22h – Eu gosto mesmo de pezinho de galinha porque eu como a carninha e limpo o dente com a unhinha
Experimento Pezinho de Galinha (PE)
Com Nínive Caldas e Eric Valença
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 1h
Atores se revezam em personagens que contam histórias horas cliché, horas cruas de realidades escondidas por cidades grandes higienistas: o ponto de prostituição, a Igreja evangélica, o presídio, o subúrbio.

Quarta-feira, 26/7

TEATRO ADULTO

18h – A Descoberta de Um
Grupo Claricena (PE)
Direção: Anderson Vieira
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 40 minutos
Dentro de seu momento de reconhecimento enquanto um ser longe de um arquétipo, Antônio não se identifica com a sociedade em que está inserido, nem com os padrões estabelecidos.

2ª MOSTRA DE TEATRO ALTERNATIVO

22h – Que muito amou
Cênicas Cia de Repertório (PE)
Direção: Antônio Rodrigues
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 1h10
Livre adaptação do livro “Os Dragões Não Conhecem o Paraíso” de Caio Fernando Abreu. Contos que falam sobre o amor e sua relação com a morte, saudade e ódio: Sapatinhos Vermelhos, Praiazinha e Dama da Noite.

Quinta-feira, 27/7

2ª MOSTRA DE TEATRO ALTERNATIVO

22h – Delicado
Coletivo Grão Comum (PE)
Com Daniel Barros
Classificação Indicativa: 16 anos
Duração: 55 minutos
Baseado na tragédia brasileira presente no conto homônimo de Nelson Rodrigues. Gira em torno dos conceitos morais presentes nas famílias, onde imperam o machismo e o preconceito.

Sexta-feira, 28/7

TEATRO ADULTO

18h – Mucurana, O Peixe
Construtores de Histórias (PE)
Com audiodescrição e libras
Direção: Carlos Carvalho
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 50 minutos
Com audiodescrição e libras
Adaptação do conto “O Peixe”, de Hermilo Borba Filho, a história traz um homem ingênuo, morador de rua, que carrega consigo apenas canções, uma lata de farinha e lembranças do cavalo-marinho.

2ª MOSTRA DE TEATRO ALTERNATIVO

22h – O Velho Diário da Insônia
Alessandro Moura (PE)
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 50 minutos
Tragicomédia costurada com poesias e canções. O ator leva ao público histórias vividas em sua infância e adolescência. Uma atmosfera de saudade e reflexão sobre o tempo. Remonta uma noite de insônia de um homem à beira da loucura.

Sábado, 29/7

TEATRO PARA INFÂNCIA

10h – Vento Forte para Água e Sabão
Companhia Fiandeiros de Teatro (PE)
Direção: André Filho
Classificação indicativa: livre
Duração: 55 minutos
Com audiodescrição e libras
O musical narra a história de amizade entre uma bolha de sabão chamada Bolonhesa e Arlindo, uma rajada de vento. Vivem uma divertida aventura, descobrindo o mundo e dando sentido à sua pequena existência.

TEATRO ADULTO

18h – Eldorado
Eduardo Okamoto (SP)
Com audiodescrição e libras
Direção: Marcelo Lazzaratto
Classificação indicativa: 12 anos
Duração: 1h
Com audiodescrição e libras
Acompanhado por uma “Menina”, um cego busca encontrar o que nenhum homem pôde jamais: Eldorado. Toda estória se resume nisto: era uma vez… um homem que procura.

2ª MOSTRA DE TEATRO ALTERNATIVO

22h – A Máquina
Teatro de Retalhos (PE)
Direção: Djaelton Quirino
Classificação indicativa: livre
Duração:1h45
Adaptação do texto de João e Adriana Falcão, o espetáculo é uma fábula contemporânea que se passa numa cidadezinha chamada Nordestina, distante de qualquer lugar, e aborda o êxodo e a falta de perspectiva, mas também a cultura viva, nossa musicalidade e poesia e sobretudo, a capacidade de transformação da realidade.

 

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