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Festival de Inverno

“Enchente”, de Flávia Pinheiro, encerra temporada de Dança no FIG 2017

Quatro espetáculos de Dança passaram pelo Teatro Luiz Souto Dourado, que abriga até o sábado (29) apresentações teatrais para crianças e adultos

Desde o último domingo (23), o teatro Luiz Souto Dourado foi palco dos espetáculos de Dança que compuseram a programação do Festival de Inverno de Garanhuns 2017. Balé clássico, danças populares e contemporâneas foram os principais estilos explorados pelas companhias e dançarinos que passaram por lá. Nos quatro dias de atividades, cerca de 1000 pessoas, entre  Idosos, jovens e crianças prestigiaram às apresentações, que foram encerradas nessa  quinta-feira (27), com a performance “Enchente”, dirigida pela bailarina e performer Flávia Pinheiro.

Jorge Farias

Jorge Farias

Espetáculo e inspirado em obra de Hermilo Borba Filho

Um dos homenageados do FIG 2017, Hermilo Borba Filho também serviu de inspiração para a criação do espetáculo “Enchente”. A partir de um conto de nome homônimo do dramaturgo pernambucano, Flávia concebeu uma montagem que mistura performance e a linguagem audiovisual para tornar mais palpável a obra do autor. Durante 45 minutos de espetáculo, as dançarinas Marcela Aragão, Marcela Felipe e Gardênia Coleto simulam o esforço para sobreviver a uma espécie de correnteza. Força, aliás, é o principal recurso utilizado pelas bailarinas.

A coreografia encenada no palco é balizada por uma série de imagens reproduzidas no fundo do palco por Rogério Samico, que leva o público a refletir sobre reconstruções, idas e vindas, recomeços, superação, cheadas e partidas. Além de arquivos da vida pessoal de Hermilo Borba, a projeção mostra imagens de imigrantes clandestinos europeus. Flávia provoca o público a refletir sobre a globalização e a indiferença diante de problemas cotidianamente vividos por pessoas do mundo todo. Coreografia, vídeo e som se unem à iluminação assinada por Natalie Rêvoredo para criar uma atmosfera de serenidade mesmo diante do caos.

Áudio e vídeo foram selecionados com a ajuda de Leandro Oliván, que abriu o seu arquivo pessoal, além de trechos de trabalhos de cineastas experimentais e de arquivos de vídeos da Fundação Joaquim Nabuco e Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco.  Cenas de inundações que ocorreram nas cidades do Recife e Palmares também foram projetadas criando uma identificação maior com a plateia, que pode refletir simbolicamente sobre o caos deixado por uma enchente.

Flávia Pinheiro lançou mão de tábuas de madeira para costurar a performance com um tom de resistência, força e determinação que normalmente servem de combustível para vítimas de enchentes recomeçaram suas vidas. O encerramento da apresentação se deu com muitos aplausos do público, que ficou de pé para saudar o trabalho dedicado e concentrado das dançarinas que estiveram em cena.

Balanço
Durante a semana de programação, a Coordenadoria de Dança da Secult-PE levou para o Teatro Luiz Souto Maior, além de Enchente, três outros espetáculos: Tijolos de Esquecimento (Grupo Acupe-PE); Fantasia (Academia Marta Melo- Garanhuns); Anarthas (Naline Cia de Dança – Goias) . “Todos foram espetáculos muito provocadores, onde os corpos dos dançarinos se mostraram afetados por várias referências, mas trazendo uma forma contemporânea”, declarou a assessora de Dança da Secult-PE, Maria Flor, que também elogiou a receptividade do público.

A dona de casa e aposentada Josefina Andrade, 57 anos, natural de Garanhuns, conseguiu assistir a dois espetáculos. “É a minha programação preferida no Festival. Todo ano, venho. Sempre gostei de dança, mas devido um problema no joelho não pude seguir carreira. Então, pelo menos eu posso assistir”, brincou ela, que estava acompanhada da neta Marília, de 15 anos, que mora em Alagoas e esteve no Festival pela primeira vez este ano. Marília já confirmou presença na edição do FIG 2018.

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