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Festival de Inverno

FIG saúda a obra de Belchior com tributo e público apaixonado

Público lotou o Palco Mestre Dominguinhos nesta sexta-feira (21), quando teve shows de Amanda Back, Mundo Livre S/A, Geraldo Azevedo e o Tributo a Belchior

 

Rodrigo Ramos/Secult-PE

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Lirinha protagonizou um dos momentos mais eletrizantes na noite desta sexta (21) no Palco Mestre Dominguinhos, durante o Tributo a Belchior

Por: Marcus Iglesias

Uma catarse coletiva tomou conta da primeira noite do Palco Mestre Dominguinhos do FIG 2017 nesta sexta-feira, 22. Boa parte da programação foi dedicada à memória e à obra do cantor Belchior. Falecido neste ano, um dos homenageados desta edição do Festival de Inverno, – ao lado de Ariano Suassuna e Hermilo Borba Filho -, teve seu legado artístico revisitado por praticamente todas as atrações da noite. De uma forma ou outra, prestaram um momento de carinho ao músico cearense, referência artística e política para diversas gerações, inclusive a juventude.

Foi emocionante ver que, mesmo depois de tanto tempo sem produzir músicas novas e longe dos holofotes, Belchior e sua poesia inspira e emociona os jovens do nosso tempo. Como disse sua irmã, Ângela Belchior na noite de abertura do FIG 2017, “ele adorava estar entre a juventude e através dessa homenagem dá pra sentir que ele está vivo dentro de nós”.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

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Mundo Livre S/A fez um show inspirado nos clássicos da carreira, como Free World, Meu Esquema e Computadores

As apresentações começaram com Amanda Back dando uma mostra da sua carreira como cantora solo, para em seguida dar vez ao show potente da Mundo Livre S/A, inspirado nos clássicos da carreira, como Free World, Meu Esquema e Computadores. A apresentação teve como mote o DVD Mangue Bit, lançado em 2016, e teve uma formação repleta de craques da música: Leo D. (teclado), Xef Tony (bateria), Pedro Rasta (baixo) e Carlos Amarelo (percussão). “Tivemos que adaptá-lo ao formato do festival e essa é uma tentativa de trazer um show que faça a galera dançar e pular”, explica Fred Zeroquatro, vocalista da banda.

Sobre a noite em homenagem a Belchior, Fred Zeroquatro descreveu alguns detalhes de sua iniciação com a música. “Assim que eu aprendi os meus primeiros acordes de violão, um dos primeiros discos que eu comprei foi de Belchior. A coisa do verso e da poesia foi ele quem me ensinou, como na música Alucinação. Comparando com a situação de hoje, Belchior se lançou ao grande público através da rádio, e se você compara aquele cenário com as rádios de hoje fica difícil até fazer essa comparação porque elas estão com uma programação que agride a sensibilidade da musica brasileira”, opina.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

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Genial em sua música, Geraldo Azevedo foi uma das atrações mais prestigiadas da noite

Contemporâneo de Belchior, Geraldo Azevedo emocionou o público com uma compilação de clássicos como Pro Que Der e Vier, Bicho de Sete Cabeças e Cravo Vermelho, todas cantadas com apoio maciço dos fãs.

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O jovem sanfoneiro Mateus Cordeiro, de 17 anos, foi até o Palco Mestre Dominguinhos para assistir ao show do ídolo Geraldo Azevedo

Um dos admiradores do cantor pernambucano que estava na plateia era o sanfoneiro Mateus Cordeiro, que toca sanfona desde os 11 anos e hoje tem 17 anos. Tudo o que Mateus queria era apenas conseguir que Geraldo Azevedo autografasse dois vinis que o jovem sanfoneiro havia ganhado de presente dos avós. “Escuto ele desde pequeno e recentemente fui presenteado com uma vitrola e alguns vinis, dentre eles esses dois de Geraldo estavam no meio. Na hora não acreditei. Ele é muito importante para a minha formação como músico”, disse ele, emocionado, após conseguir uma assinatura do ídolo nos encartes dos seus discos. O jovem músico Mateus Cordeiro é também uma das atrações do Palco Forró do FIG 2017, na próxima quarta-feira (26).

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“Enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer não, eu canto”, recitava Lirinha, interpretando versos da canção Divina Comédia Humana

Num determinado momento do espetáculo de Geraldo Azevedo, ele dedicou uma canção ao amigo e homenageado Belchior. “Isso não estava previsto no repertório, mas quando estava vindo pra cá soube desta homenagem e a situação me fez lembrar de quando ele me apresentou pela primeira vez essa canção que vou cantar agora. Quando ouvi pela primeira vez fiquei bastante emocionado”, revelou, para emendar com a música Mucuripe, entoada a plenos pulmões pela multidão.

Mas o grande destaque da noite sem dúvidas foi a última atração da Praça Mestre Dominguinhos, quando teve início o espetáculo musical Tributo a Belchior. O show reuniu um time de peso para prestigiá-lo, nomes como Lirinha (PE), Isaar (PE), Ednardo (CE), Angela Ro Ro (RJ), Cida Moreira (SP), Tulipa Ruiz (SP), Fernando Catatau (CE), Juvenil Silva (PE), Renata Arruda (PB) e Gabi da Pele Preta (PE). A banda contava ainda na formação com Rafa Brandão (bateria), Rogê Victor (baixo), Samuel Nóbrega (teclado) e Juliano Holanda (guitarra), que produziu e dirigiu o espetáculo.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

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“Estamos aqui nesta noite para celebrar a obra do meu amigo e parceiro Belchior”, declarou Ednaro (CE)

Alguns artistas cantaram duas ou apenas uma canção durante o show. Foi o caso de Angela Ro Ro, que levou ao palco a música Paralelas, protagonizando, com sua intensidade artística, uma das interpretações mais bonitas e sinceras da noite. “Essa é a minha primeira vez no festival, nesse inverno nordestino maravilhoso. O FIG é uma vitrine importante para a música e estou acompanhada de uma turma maneira, mas com uma imensa saudade do meu amigo Belchior. E ao mesmo tempo uma imensa alegria de estar com meus colegas fazendo um tributo a esse inesquecível homem”, revelou Angela Ro Ro, que fará um show solo neste sábado (22), no Som na Rural.

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Angela Roro, que fez uma das apresentações mais impactantes do Tributo a Belchior, é a atração do Som Na Rural neste sábado (22)

Quem começou com a série de performances dedicadas a Belchior foi o pernambucano Lirinha, que fez uma entrada avassaladora com a música Divina Comédia Humana. “Enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer não, eu canto”, gritava ele, com a energia da plateia que envolvida na catarse coletiva se entregava de corpo e alma – muitas pessoas choravam emocionadas com o resgate do repertório de Belchior. Lirinha ainda voltou mais tarde ao palco para encantar dessa vez com a música Medo de Avião.

Outros momentos ficaram eternizados na Praça Mestre Dominguinhos nesta sexta-feira (21), como a coragem e força musical de Cida Moreira, que não se esquivou quando subiu ao palco sozinha, sem a banda de apoio, apenas com o teclado e sua voz.  Ou quando Juvenil Silva sintetizou a energia que a homenagem em si pretendia passar, revelando o verdadeiro recado da história: “Estamos vivendo uma fase que as coisas estão saindo meio errado, mas das coisas que aprendi com o Belchior é que a felicidade é uma arma quente. Precisamos lutar com mais amor, paixão e inteligência para construirmos um mundo melhor”.

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