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Festival de Inverno

Fusão de ritmos e excelência musical marcam abertura do Palco Instrumental

Por Clara Albuquerque

A noite de terça-feira (25) foi de encantamento e efervescência sonora na estreia do Palco Instrumental do 27º Festival de Inverno de Garanhuns (FIG). Quatro atrações abriram as atividades do palco com o tom certo.

O guitarrista garanhuense Marcos Cabral foi o primeiro a subir no palco. Acompanhado do tecladista Aldecir Souza, Marcos, cujo trabalho tem influências do jazz fusion, fez uma performance marcada pelo preciosismo. Sua habilidade em brincar com as escalas musicais oferece uma sensação de dança para a alma e felicidade para o subconsciente. O público contemplou, atento, a maneira como ele orquestrou sentimentos através de sua forma de tocar. Entre as releituras executadas, algumas das mais belas e emocionantes foi Luíza, de Chico Buarque de Holanda, e O ovo, de Hermeto Pascoal. Durante a apresentação, Marcos intercalou entre o violão e a guitarra. No vigésimo segundo ano de carreira, é a sua décima apresentação, no FIG. “Foi muito bom tocar, aqui, hoje, neste palco maravilhoso. A emoção estava à flor da pele. Foi, realmente, um presente. Eu gostaria de agradecer ao FIG pela oportunidade de mostrar o nosso som. Que venham mais!”, diz ele.

Em seguida, ocupou o palco a Banda Tercina com uma formação de bateria (Adeilso Del), trombone (Felipe Silva), percussão (João Paulo Rosa), guitarra (Adeildo Porfirio), contrabaixo (Luciano Leite) e sampler, um equipamento digital que consegue armazenar sons. No quinto ano de carreira, vindos da Zona da Mata de Pernambuco, da cidade de Tracunhaém, cidade que dá nome a uma de suas músicas, Tercina inova promovendo fusões de vários ritmos regionais a exemplo do frevo, maracatu, baião e caboclinho com estilos nacionais e internacionais como a salsa, o samba, o rock e o reaggae. “Nosso foco é trabalhar com os ritmos da Zona da Mata de Pernambuco, lá tem tudo isso. Ao mesmo tempo, a gente promove essa mistura com outros estilos musicais para ver o resultado. É o nosso primeiro FIG e foi muito importante pra nós a reação positiva do público”, diz o baixista Luciano Leite.

Rodrigo Ramos

Rodrigo Ramos

Banda Tercina inova ao trabalhar fusões de vários ritmos

Eles trazem o movimento gostoso da inquietação musical através do uso intenso da guitarra, responsável pela maioria das melodias, em uma parte do repertório com direito a distorções. É um som contemporâneo que atrai, movimenta e provoca uma sensação de alegria, agitando o público. No repertório, músicas autorais e releituras como a homenagem que fizeram ao compositor Dominguinhos com Lamento Sertanejo, onde o contrabaixo fez a melodia principal.

O guitarrista Dom Ângelo foi a atração seguinte do palco. Acompanhado pelos amigos Márcio Silva (bateria), Miguel Mendes (contrabaixo) e Tiago Albuquerque (teclado), ele começa de maneira intimista e desperta curiosidade sobre o que virá depois. O som é belo, embalante e transmite a mesma emoção com que ele toca em sintonia completa com os outros integrantes que fecham os olhos e se entregam ao momento. Assim como os sentimentos, ora o som é caótico, ora harmonioso em um repertório formado por músicas autorais e releituras. “O significado desse trabalho traduz a própria prática profissional fazendo uso de releituras musicais, também, mas tudo isso que comunicamos através da música reflete algum reflexo da nossa natureza mais íntima. Acho que fica mais fácil quando a gente é espontâneo e traduz algo que eu diria, inclusive, espiritual”, diz Dom Ângelo. Como integrante de outra banda, o guitarrista fez sua primeira participação no Festival de Inverno de Garanhuns em 2003. “Como Dom Ângelo foi o primeiro FIG. Eu achei ótimo! Tocar entre amigos é muito bom. Ainda mais nesse palco maravilhoso com uma receptividade tão grande do público”, afirma ele. O músico conta, ainda, que conceitua sua forma de fazer música com um toque de contemporaneidade com influência da música europeia, especialmente porque tanto ele quanto Márcio e Miguel concluíram cursos de mestrado e doutorado lá.

Rodrigo Ramos

Rodrigo Ramos

O guitarrista Dom Ângelo apresenta repertório autoral e releituras

Para fechar a noite de maneira memorável, apresentou-se o pianista e tecladista Amaro Freitas. Acompanhado de Hugo Medeiros na bateria e Geraldo no teclado, ele faz seu repertório autoral, também disponível em seu álbum Sangue Negro. Amaro faz, também, um som intimista de muita sensibilidade e complexidade. Quem o vê no palco contamina-se com a sua personalidade e com seu prazer de tocar. É um músico que sabe o que quer dizer. Em uma integração esplêndida com seus parceiros de palco, ele faz uma música forte e tocante. Com sábia utilização dos três instrumentos, ele envolveu o público.

Confira a programação do Palco Instrumental do 27º FIG:p

PALCO INSTRUMENTAL

PARQUE RUBER VAN DER LINDEN

Quarta-feira, 26/7

17h – Roberto Lima e Banda

O músico e produtor musical Roberto Lima retorna a Garanhuns para apresentar seu repertório autoral e diversas releituras de grandes sucessos instrumentais. Roberto é um dos músicos mais respeitados, no Estado.

18h – Danda e seu regional de ouro

Com uma formação de metais, percussão, violões e cavaquinhos, o grupo pernambucano de chorinho apresenta o repertório de seu mais novo CD, que homenageia o Mestre Chocho do Bandolim, com músicas de sua autoria.

19h – Rafael Marques

O bandolinista Rafael Marques apresenta o show autoral Pelas Ruas, com repertório de choros e forrós. Com sete anos de carreira, o pernambucano é integrante e fundador da banda Saracotia.

20h – Betto do Bandolim, com participação de Mestre Chocho

É o encontro de duas gerações do bandolim. Do bandolim contemporâneo ao bandolim clássico do Choro. Betto mostrará a diversidade do seu trabalho e Mestre Chocho, eleito Patrimônio Vivo de Pernambuco este ano, é o chorão mais idoso em atividade, no Brasil.

Quinta-feira, 27/7

17h – Estação Brasil

A banda garanhuense Estação Brasil é formada por músicos que tocam juntos há mais de 20 anos. Eles trazem, em sua essência, a busca de elementos que vão desde o jazz à música nordestina.

18h – Aglaia Costa

Aglaia Costa é rabequeira, violinista e integrante da Orquestra Sinfônica do Recife. Seu trabalho reflete a preservação da música nordestina, fruto de pesquisas que realiza nesta área.

19h – Hugo Linns

O compositor, produtor, diretor musical e arranjador Hugo Linns é um dos poucos músicos a utilizar a viola dinâmica como instrumento solo. Seu trabalho é uma fusão entre ritmos da cultura popular, o jazz e o rock.

20h – Nicolas Krassik (RJ)

O francês Nicolas Krassik é violinista de jazz. Após 15 anos trabalhando com o gênero, mudou-se para o Rio de Janeiro, em 2001, para estudar música popular brasileira. Seu show reúne jazz, choro, samba, forró com influências do rock.

Sexta-feira, 28/7

17h – Street Jazz Band

Considerada pioneira em Pernambuco no estilo Dixieland, a Street Jazz Band é uma das mais novas bandas instrumentais nascida no cenário de Garanhuns. Com nove anos de atuação, tem participado dos mais conceituados Festivais de Jazz e Blues de Pernambuco.

18h – Henrique Albino Trio

Este trio pernambucano de música instrumental brinca com os elementos base da música: ritmo, harmonia e melodia dentro do universo do repertório regional, especialmente o frevo. É formado por uma flauta transversa, percussão e tuba.

19h – Renato Bandeira e o Som da Madeira

Com direção musical do instrumentista Renato Bandeira, o grupo toca o baião, o xote, o maracatu e o frevo, com harmonias modernas e arrojadas, mantendo a alma e a espontaneidade da cultura nordestina.

20h – Noise Viola

Noise Viola trabalha o diálogo entre o tradicional e o contemporâneo. Com formação de guitarra, violão, baixo, viola e percussão, o grupo passeia por sonoridades como frevo, baião, maracatu e ciranda.

21h – Maestro Forró

Sábado, 29/7

17h – Salomão Miranda

O músico e compositor pernambucano Salomão Miranda pesquisa o processo de ensino-aprendizagem do cavaquinho, buscando trocar informações com cavaquinistas de todo o Brasil. Integra o Grupo Malacada e o Grupo Bambolear.

18h – Poruu

Poruu é formada pelos músicos Iezu Kaeru, Igor Medeiros e Marcelo Campello (ex Mombojó). Juntos, eles improvisam utilizando uma guitarra semi-acústica, pequenos objetos do cotidiano, um sintetizador modular e um set de percussão pouco convencional.

19h – Claudio Rabeca

O potiguar radicado no Recife Claudio Rabeca volta a Garanhuns com suas influências e raizes dos ritmos regionais. Com 18 anos de carreira, desenvolveu, além da habilidade com a rabeca, a intimidade com a viola de dez cordas, o violão, a guitarra e a percussão.

20h – Renato Borghetti e quarteto (RS)

Acompanhado de seu principal instrumento, a gaita, Renato Borghetti apresenta seu repertório de etnomusic, world music e jazz fusion. Com sólida carreira internacional, já tocou em festivais na Croácia, República Tcheca, Áustria e Alemanha.

 

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