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Festival de Inverno

Mulheres deram o tom do samba no Palco Mestre Dominguinhos

Penúltima noite do 27º Festival de Inverno de Garanhuns foi do samba ancestral ao contemporâneo

Por Camila Estephania

A sexta-feira (28) foi dia de louvar os orixás na noite de samba do palco Mestre Dominguinhos, que teve a cantora Mart’nália como atração principal. Para além de abrir espaço para o ritmo de matriz africana, o polo, que ainda teve Kiara Ribeiro, Grupo Terra, Gerlane Lops e Mariene de Castro, destacou sobretudo a voz das mulheres no samba. A programação reforçou que a atuação feminina no estilo vai além da dança e tem cada vez mais conquistado o microfone, onde intérpretes e compositoras escoam uma produção sensível e vigorosa.

Elimar Caranguejo

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A garanhuense Kiara Ribeiro abriu a programação da noite

“Acho maneiro, você vê tudo mundo na mesma intenção, acho bonito tudo o que acontece aqui. Temos alguns nomes de mulheres que já estão no samba há muito tempo como Elza Soares, Leci Brandão, eu mesma sou mais velha, mas é bacana perceber que tem mais moças chegando”, comentou Mart’nália, cujo repertório foi além do ritmo e explorou, principalmente, a MPB. A cantora iniciou a apresentação com “Você Abusou”, de Antônio Carlos Jocafi, abrindo a sequência de sucessos emprestados como “Linha do Equador”, de Djavan, e “Odara”, de Caetano Veloso. Um dos personagens mais tradicionais do samba, o malandro foi incorporado por Mart’nália nas canções autorais, como “Sem Dó”, “Pé do meu samba” e “Cabide”, cantadas entre um gole de cerveja e outro.

Elimar Caranguejo

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Mart’nália no FIG 2017

Porém, o show mais representativo da noite talvez tenha sido o da baiana Mariene de Castro que, assim como todos os artistas que a antecederam no dia, subiu ao palco vestida de branco, seguindo a tradição das religiões de origem africana que usam a cor na sexta-feira em respeito a Oxalá. A cantora foi acompanhada pelo coro do público em músicas como “Mamãe Oxum”, “Vi mamãe na areia”, “Iansã cadê Ogum?” e “Cordeiro de Nanã”, em uma espécie de oração coletiva emoldurada por um samba mais próximo da música de terreiro.

A presença marcante da cantora no palco ainda era incrementada por artifícios performáticos, como o uso do glitter como poeira em “Ponto de Nanã”, que assim como as demais canções do repertório, difunde a cultura da Umbanda e do Candomblé. Personalidades desse universo também assistiam ao show admirados da plateia, como a chef do restaurante Altar, Dona Carmen. “Essa foi a primeira vez que vim ao festival porque amigos meus iam tocar e quis vir prestigiar. Gostei da pegada porque começou uma sambista pernambucana, depois veio Mariene, que é um samba de raiz, que é o samba mais ancestral, e terminou com Mart’nália, que faz um samba mais contemporâneo. Serviu também para empoderar a mulher no samba”, opinou ela.

Elimar Caranguejo

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Mariene de Castro levou o samba ancestral à Praça Mestre Dominguinhos 

“Segunda vez que venho e com uma expectativa muito grande, porque na primeira todo mundo já cantava minhas músicas, então hoje foi dia de matar a saudade. Estar aqui é um encontro, Pernambuco e Bahia estão juntos nas raízes africanas. O samba é nossa história, nossa origem, e ninguém consegue falar tão bem das nossas raízes como o FIG, que reúne tantas artes”, observou Mariene, que também prestou homenagem a Dominguinhos, cantando “De volta pro aconchego” ao lado da pernambucana Gerlane Lops. A recifense também apresentou seu próprio show antes da apresentação da amiga baiana, levando um repertório diverso que provou que Pernambuco também tem uma identidade  no samba.

Elimar Caranguejo

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Gerlane Lops cantou sucessos de compositores brasileiros

Na mesma linguagem do samba de terreiro, Gerlane inseriu na sua roupagem sucessos como “Anunciação”, de Alceu Valença, “Reconvexo”, de Maria Bethânia, e “O que é? O que é?”, de Gonzaguinha, além de apresentar novas músicas produzidas no Estado, como “O Samba Chegou” e “Obá Obá”. “Várias pessoas de Pernambuco já passaram pelo FIG na noite do samba e isso é muito importante para ampliar o espaço do ritmo no Estado”, opinou a cantora, que foi antecedida pelos recifenses do Grupo Terra, que apresentaram seu samba de bateria, e pela garanhuense Kiara Ribeiro.

Elimar Caranguejo

Elimar Caranguejo

O Grupo Terra, no maior palco do Festival

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