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Festival de Inverno

O mergulho intenso de José Juva no FIG 2016

por Marina Suassuna

Um dos destaques do último dia do Festival de Inverno de Garanhuns, no sábado (30), foi a presença do poeta José Juva. Vencedor do Prêmio Pernambuco de Literatura, Juva apresentou-se, no mesmo dia, na Casa Galeria Galpão com a performance Retratos Escorregadios – Apropriações Poéticas dos Erros e também na Praça da Palavra, onde encerrou a programação do polo com seu projeto poético musical P.i.Va, em homenagem ao poeta paulistano Roberto Piva.

Laís Domingues

Laís Domingues

A performance ‘Retratos Escorregadios’ levou poemas e improvisos à Casa Galeria Galpão

Pensada especialmente para o festival, a performance ‘Retratos Escorregadios – Apropriações Poéticas dos Erros’ inspirou-se na estética glitch para trabalhar a questão do improviso, do acaso e da imprevisibilidade através de fotografias e poemas. Juva explica que pensou a proposta juntamente com Camillo José, Jonatas Onofre e Ítalo Dantas, com quem editou imagens de transeuntes afim de gerar erros, corromper arquivos e dar efeitos inesperados. “A partir dessas fotos editadas, nós quatro fizemos poemas que, somados à trilha sonora que também desenvolvemos, pudessem dialogar para construir a imagem de uma pessoa. A brincadeira é criar uma série de mediações, um tira um retrato enquanto o outro escreve o poema e o terceiro edita. É uma linha de montagem cega pra falar que a gente pode tentar criar um retrato, falar de alguém, escrever um poema narrativo biográfico, mas que tudo, no final das contas, é uma grande criação em cima da realidade”, comentou. Na ocasião, os poemas foram recitados para o público enquanto as imagens corrompidas eram exibidas num telão.

Gilvanedja Mendes

Gilvanedja Mendes

‘P.i.Va’ encerrou as atividades na Praça da Palavra

Diferente da performance, o pocket show Uma alucinação na ponta de teus olhos, que Juva apresentou na Praça da Palavra com a banda P.i.Va – Poesia Incendiária Valvulada, faz parte de um projeto já apresentado nos palcos do Recife em homenagem ao poeta paulista Roberto Piva e que recentemente virou um disco com o mesmo nome do show. Formado por José Juva com os músicos Muta (baixo e voz), Tiago West (guitarra, programações e vocais), Leo Vila Nova (percussões e vocais), Rama Om (didgeridoo, percussões, berimbau de boca, pífano, violino e vocais) e Glauco César II (que compôs e gravou piano em algumas músicas diretamente de Lisboa, onde reside atualmente), P.I.Va levou para o palco da Praça da Palavra o repertório de seu disco, que traz 14 faixas híbridas de canções e poemas falados, desde sons pesados e distorcidos das guitarras, ritmos percussivos propiciadores do êxtase e da dança até registros psicodélicos de voz e didgeridoo para manifestar o clima ancestral e xamânico que compõe a poética de Roberto Piva, conhecido pela ligação com a geração marginal dos anos 1960 e pela influência da literatura beat norte-americana.

“São dois campos de atração completamente diferentes que acabam sendo complementares pra mim enquanto poeta. Além de pensar em atuações distintas, é também uma oportunidade de pensar um momento em que elas podem se cruzar pra um terceiro projeto”, reflete o artista, que já participou do FIG em edições anteriores na parte de produção e ações formativas. “Agora o momento está sendo esse, tornar público alguns projetos artísticos. Eu já tinha apresentado o P.I.Va na Torre Malakoff e no Festival A Noite do Desbunde Elétrico e agora retomamos porque estávamos nos preparando para o lançamento do disco com as músicas do espetáculo. Nesse projeto, temos mais domínio do que vai acontecer, que é o oposto da performance, sobre a qual não temos controle, não sabemos como ela vai, de fato, acontecer”, reflete.

SecultPE

Laís Domingues

O poeta ainda participou de um diálogo na sexta-feira (29) com outros vencedores do 3º Prêmio Pernambuco de Literatura

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