Pular a navegação e ir direto para o conteúdo

O que você procura?
Newsletter

Festival de Inverno

Outras Palavras especial de FIG leva cultura e arte ao município de Canhotinho

Edição conta com envolvimento dos alunos através de perguntas e comentários sobre a obra de Mário Filipe, vencedor do 3º Prêmio PE de Literatura

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Esta edição do Outras Palavras recebeu o escritor Mário Felipe Cavalcanti, vencedor do 3º Prêmio Pernambuco de Literatura, com ‘Caninos Amarelados’

Por: Marcus Iglesias

Uma das ações especiais que acontecem durante o FIG 2017, o Outras Palavras esteve na tarde desta sexta-feira (21) no EREM Jerônimo Gueiros, localizado no município de Canhotinho, vizinho de Garanhuns, para mais uma edição do projeto que leva cultura e arte para dentro das escolas da rede pública de ensino. Desta vez, o projeto foi para mais uma região onde a iniciativa era até então inédita, e contou com a presença de dezenas de estudantes entre 15 e 17 anos, bem como os professores e outros envolvidos nas escolas.

Além do EREM Jerônimo Gueiros, participaram da ação a Escola Padre Antônio Callou de Alencar (Canhotinho) e o EREM João Fernandes da Silva (São João). Este Outras Palavras recebeu o escritor Mário Felipe Cavalcanti, vencedor do 3º Prêmio Pernambuco de Literatura (com Caninos Amarelados) e uma apresentação do Mestre Galo Preto, Patrimônio Vivo do Estado.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Jovens pediram para que Mário Filipe autografasse seus livros e tirasse fotos com eles

Com orientação dos professores das escolas envolvidas, os jovens estudaram previamente sobre a obra de Mário Filipe, como os contos e poesias escritos pelo autor, e participaram de um debate de alto nível realizando perguntas e observações sobre as publicações do escritor. A todo o momento, Mário Filipe foi tratado com bastante carinho pelos alunos, que pediram autógrafos e selfies. “Escrever é um ato muito fechado, recluso, e quando você publica você se abre e há uma espera por um público. Mas eu particularmente não espero carisma e amor tão rápido. E é muito bom porque a gente tem a tendência a achar que a galera jovem não gosta de ler. Hoje vivemos uma explosão de tecnologia, e quando vejo as pessoas usando a internet pra buscar coisas sobre literatura, eu fico muito emocionado”, revelou Mário Filipe.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Estudantes interagiram b bastante com o escritor, através de perguntas e observações sobre a sua obra

A aluna Samara Silva foi uma das que pediu a palavra e perguntou como era para Mário Filipe, como escritor, escrever sobre realidade e ilusão no mesmo espaço. “Eu acho engraçado essas categorizações que a gente faz. Acredito que na verdade a arte vai ser categorizada pelo olhar do leitor. Muitas vezes a interiorização da mente de um personagem pode ser entendida como ilusória. Mas cada um tem e vive os seus processos, logo o que pode ser ilusão vira algo também real, palpável. Essa mistura, inclusive, é mais comum na vida real do que na literatura”, opinou Mário Filipe, natural do Recife.

Já Ana Carolayne, da Escola Padre Antônio Callou de Alencar, quis saber o motivo ou inspiração para a escolha do título para o livro Caninos Amarelados. “Eu gosto justamente pelo efeito do tempo sobre as coisas que a expressão carrega. Caninos são quatro dentes que nos remetem à animalidade das coisas. Conhecer melhor um algo ou alguém não é da noite para o dia, e os caninos levam muito isso consigo”, detalha o autor. Colega de escola de Ana Carolayne, Layne Rocha questionou como Mário Filipe teve a ideia de escrever o livro de contos O Circo. “Todos os contos são contos que falam de circo, ou não. Os personagens principais são circenses, como o palhaço, a bailarina, o malabarista e o mágico, entre outros. Mas meu enfoque foi na natureza humana, as pessoas. Me intrigava bastante a ideia de um palhaço triste, preocupado com as contas pra pagar. Essa é a pegada e é sobre isso que o livro fala”.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Rodrigo Ramos/Secult-PE

“Podem ter certeza que um dia eu estava ai no lugar de vocês, e quando passei a ler com mais afinco as coisas começaram a acontecer”, incentivou Mário Filipe

O vencedor do 3º Prêmio Pernambuco de Literatura ressaltou aos presentes a importância da leitura da perspectiva de ampliar o campo de atuação na vida social. “Leiam! Ler, além de ser algo bom na vida da gente, abre nossos horizontes. Podem ter certeza que um dia eu estava ai no lugar de vocês, e quando passei a ler com mais afinco as coisas começaram a acontecer”.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Rodrigo Ramos/Secult-PE

José Fabrício, um dos alunos participantes, mostrou todo o seu dom com desenho através de um presente que entregou em mãos a Mário Filipe

José Fabrício, estudante do EREM Jerônimo Gueiros, teve que ir embora mais cedo porque é morador da zona rural e precisaria pegar a condução. Mas pediu antes de sair da escola pra entregar um presente a Mário Filipe “Do mesmo modo que ele publica livros, eu quero mostrar para ele em agradecimento por ter vindo pra cá a minha arte e minha forma de expressão”, disse, antes de entregar um desenho de Mário Filipe feito a mão, com a precisão de quem domina a arte do desenho.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Rodrigo Ramos/Secult-PE

De acordo com Antonieta Trindade, o Outras Palavras já passou por mais de 380 escolas e atendeu mais de quatro mil alunos da rede pública de ensino, além de ter distribuídos milhares de livros até aqui e por onde passou

O gesto emocionou a gestora Antonieta Trindade, que pontuou sobre a importância do Outras Palavras por onde tem passado (já são mais de 380 escolas, milhares de livros distribuídos e quatro mil alunos atendidos). “Nosso objetivo é oferecer esse momento para compreendermos que podemos ir muito além. A escola é insuficiente para desenvolver nossa potencialidade como indivíduo e cidadão. Está em nossas mãos o futuro de um mundo melhor, e precisamos exercer nosso real protagonismo. José Fabrício mostrou aqui como temos tantos talentos espalhados pelo estado, mas nem sempre todos tem espaço para apresentar seus trabalhos. É para isso também que serve o Outras Palavras”, comemorou.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Patrimônio Vivo de Pernambuco, o Mestre Galo Preto distribuiu entre os alunos algumas cópias do disco ‘Histórias que andei’, lançado no ano passado com incentivo do Itaú Cultural

Na sequência, Mestre Galo Preto, com toda sua habitual elegância assumiu o microfone para conversar um pouco com os jovens. “Nasci bem perto daqui, no povoado de Rainha Isabel, em Bom Conselho. Com nove anos fiz minha primeira música, e com o tempo passei a cantar direto em tudo que era programa de TV, do Chacrinha a Silvio Santos. Depois tive umas decepções e fiquei um tempo parado, sem querer cantar coco, e o povo ficava me perguntando quando eu ia voltar. Até que um dia acordei e voltei, e lancei até meu primeiro disco, Histórias que Andei, com patrocínio do Itaú Cultural”, detalhou o Patrimônio Vivo do Estado, distribuindo em seguida alguns exemplares entre o público.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Mestre Galo Preto aproveitou pra ensinar todo mundo como é que se dança um coco de roda

Mestre Galo Preto é um dos maiores representantes da tradição do coco, e em Histórias que Andei traz a arte e sabedoria musical que ronda seu trabalho desde a infância, quando fez sua primeira embolada na beira do fogão de sua mãe. Já perto de terminar sua apresentação no EREM Jerônimo Gueiros, ele desceu no meio da roda e ensinou todo mundo a como é que se dança coco de roda, sob palmas de alunos e professores.

 

< voltar para home